Cilada é sem dúvidas um dos melhores livros do Harlan. A série, na nossa opinião, fez jus ao livro, com mudanças em tramas, as mudanças foram num sentido de unificar e resumir alguns contextos que no livro tem bem mais reviravoltas.
Foi difícil separar em blocos, como costumo fazer no livro vs série, de mudanças, adições e partes iguais, já que apesar da gente conseguir identificar na série a trama do livro, ocorreram mudanças que são adições ao mesmo tempo, mas mesmo assim, ainda não engloba toda a trama do livro, meio confuso né? Mas quem leu e assistiu consegue entender.
Nós conseguimos ver a essência do Cilada na adaptação, mas não dá para dizer que é 100% fiel ao livro, conforme vocês vão poder conferir abaixo. Com isso, vale muito a pena a leitura do livro.
No livro se tem um foco maior no tribunal, temos diversos capítulos envolvendo advogados e defesa, nós questionamos se a justiça é de fato justa, enquanto na série o foco se dá na investigação jornalística.
Não temos como objetivo aqui esgotar todas as diferenças, separamos apenas o que achamos mais relevante comentar. Esse conteúdo é para quem já leu o livro e já assistiu a série, está repleto de spoilers.
Nomes dos personagens (Livro | Série)
Alguns personagens nós não conseguimos descobrir os nomes, e os que não aparecem muito no livro ou vice e versa, nós não incluímos aqui. Há tem as mudanças, por exemplo, conseguimos ver a inspiração da trama do personagem Ed do livro, no personagem Facundo da série, mas não dá para dizer que são o mesmo personagem.
Dan Mercer |Leo Mercer
Wendy | Ema
Charlie | Bruno
John Morrow | Juan
Jenna | Juliana
Haley | Martina
Ted | Germán
Vic Garrett | Vicky
Phil | Marcos
Chista | Margarita
Mudanças
A ligação que o Leo/Dan recebe
No livro o Dan recebe a ligação para a cilada da Chynna, uma adolescente problemática, que não está na série. Ela foi contratada pelo Phil para fazer a ligação falsa.
Na série quem liga para o Leo é a Martina, o que coloca mais dúvidas sobre ele ser abusador.
A ex-mulher do Dan/Leo
No livro a Jenna é casada com um médico, tem uma filha que é meio excluída. Jenna resolve promover uma festa com bebidas liberadas para os adolescentes, acreditando que seria melhor, eles beberem em casa. A Haley vai para a festa e bebe mais do que deveria, sofre um coma alcoólico e morre. Jenna e o marido escondem o corpo na floresta. Jenna planta o celular no quarto de hotel do Dan.
Na série, Juliana tem um filho, Armando, que também é excluído, ele tem tendências suicidas e faz desenhos incríveis. Ele acaba saindo de barco com a Martina no dia da festa clandestina, eles vão para casa dele e se envolvem. Martina acorda e vê o vídeo do Leo sendo exposto, fica nervosa, ela e o Armando discutem, ele a empurra, fazendo com que ela desequilibre caia pela escada e morra. Junto com a mãe, os dois escondem o corpo dela na floresta, a mãe planta o celular para acharem que foi o Leo.
A adolescente desaparecida
No livro a Haley desaparece por muito mais tempo do que na série. No livro ela não toca nenhum instrumento musical e também não produz conteúdo para um site adulto.
A Martina na série tem um comportamento mais revoltado, com o envolvimento com homens mais velhos e o site.
O envolvimento dela com o Marcos/Phil não ocorre no livro. Bem como, o envolvimento com o Fran, esse personagem não existe no livro. Ela não viaja para um encontro. Na série, a trama dela teve mais desenvolvimento.
O chefe da jornalista e o marketing viral
No temos o personagem Vic, que é o chefe da Wendy e tem um comportamento péssimo, durante praticamente o livro inteiro a gente fica com ranço das atitudes dele. No livro a Wendy se torna alvo do marketing viral e a acusam de ter um relacionamento com o próprio chefe, ela é demitida e recontratada, o ambiente no jornal é bem tóxico.
Na série, Ema tem uma assistente, a Vicky, que a ajuda bastante e nada lembra o chefe odioso do livro. O chefe na série faz cobranças, mas nada fora do normal. Na série, ela recebe apenas comentários odiosos, sobre ela ter se envolvido com o Leo (o que de fato rolou, no livro, ela não se envolve amorosamente com o Dan).
O abuso da Camila Costa e o tiro no Leo
Essa parte na série mudou bastante se comparado ao livro. A gente consegue observar as semelhanças de onde que se inspiraram. Na série Camila vai até o encontro de um abusador e é abusada, ela está sofrendo com isso e sua família também, os pais se culpam. O pai dela, Facundo, é amigo antigo do Leo, que frequenta a casa deles. Facundo é quem dá um tiro no Leo, com ódio, acreditando que ele foi quem abusou da filha.
No livro, temos o Ed, que teve o filho abusado, ele descobriu que tiraram fotos íntimas do seu filho. Acredita, num primeiro momento que foi o Dan, mas descobre que foi um parente. Com isso, ele ajuda o Dan a fazer uma cilada para Wendy. O Ed atira no Dan com uma arma falsa, na frente da Wendy, que acredita que ele morreu e Ed escondeu o corpo. Só no final que isso é revelado, com o Dan longe e com outra identidade.
O filho da Ema/Wendy
No livro o Charlie é um adolescente muito maduro, super consciente e parceiro da mãe. Ele ajuda com algumas questões tecnologias. No livro, temos ainda o Pops, sogro da Wendy que aparece e também é um grande amigo dela.
Na série, o Bruno é um adolescente mais típico, quer ser aceito na escola, frequenta festas clandestinas e é meio revoltado com a mãe. O Pops não existe no universo da série.
O plot da cara cortada
No livro, temos um grupo de amigos, colegas de faculdade Phil, Dan, Steve e Farley. No presente, todos eles são vítimas de armações, que a Wendy consegue descobrir. Ela conhece o Kevin, também amigo de faculdade deles, mas que está internado numa clínica de reabilitação, ele é quem dá pistas para Wendy, contando que na época da faculdade, os amigos participaram de uma gincana que terminou de forma trágica. Eles invadiram a casa do reitor, mas deu tudo errado, um espelho quebra no rosto da Christa, o Phil é quem leva a culpa, é expulso da faculdade sem conseguir se formar. Quando, no trabalho, descobrem que ele não se formou e isso acarreta uma investigação na qual descobrem que ele estava desviando dinheiro dos clientes, Phil vê sua vida destruída e sente ódio dos colegas bem sucedidos, com isso, arma o marketing viral para destruir as vidas deles. Depois que a Wendy descobre tudo isso, ele se mata na frente dela.
Na série, temos apenas o Leo e o Marcos, quando eles eram mais novos, invadiram a casa da família do Fran, em busca de uma insígnia nazista, para provar que a família ricaça eram descendentes refugiados, tudo dá errado e Margarita fica com o rosto cortado, Marcos assume a culpa, enquanto Leo foge. A família do Marcos também tem muito dinheiro e concedeu terras para o Leo montar sua fundação para ajudar crianças e adolescentes, ocorre que, o Marcos está ferrado no trabalho e quer essas terras para vender ao Fran e assim conseguir se reerguer, por isso ele planta as mentiras sobre o Leo ser um abusador, porque isso contratualmente o faria perder as terras. Marcos se mata batendo de carro intencionalmente, após Ema descobrir toda a verdade. Ele ainda tenta matar a Ema, o que não ocorre no livro.
Alguns momentos que são iguais no livro e na série
A porta vermelha
"Eu sabia que minha vida seria destruída se abrisse aquela porta vermelha. Isso pode parecer melodramático e de mau agouro. Não sou lá muito chegado a nada disso. Além do mais, verdade seja dita: não havia nada de ameaçador naquela porta. Ela era absolutamente comum, dessas que a gente vê em quase todas as casas dos bairros de classe média, com pintura já meio desbotada, quatro almofadas de madeira, maçaneta imitando bronze e, mais ou menos à altura do peito, uma aldrava sem qualquer utilidade." (página 7).
Mãe da Martina/Haley não a encontra na cama
"Marcia passou ao quarto de Haley e, cuidando para não fazer barulho, espirou pela porta. A cama estava vazia. Também estava arrumada, mas isso não chegava a ser surpresa. Ao contrário dos quartos dos irmãos, o de Haley estava sempre em ordem, limpo e meticulosamente organizado. Poderia ser confundido com a vitrine de uma loja de móveis." (página 13)

Ariana Nasbro e as cartas
"- Recebi umas cartas de Ariana Nasbro.
Silêncio.
John era o único filho de Pops. Por mais difícil que fosse para Wendy perder o marido, nenhum humano consegue imaginar a dor de se perder um filho. Ela era nítida no rosto de Pops. Nunca saía de lá.
- Então, o que ela queria, a nossa amada Ariana? - ele enfim perguntou.
- Ela está seguindo os Doze Passos do AA.
- Ah, e você é um desses passos.
- Sou - disse Wendy. - O oitavo. (página 69)
Ema/Wendy desconta o ódio pelo marido atropelado na Ariana
"- Não interessa. Para mim não faz a menor diferença o fato de esta vez ser igual ou não às outras. Não estou nem aí para você, para sua recuperação ou para seu Oitavo Passo. Mas se quiser mesmo se redimir, é só ir lá fora e se jogar embaixo do primeiro ônibus que passar. Parece cruel, não é? Mas se, na última vez que você chegou ao Oitavo Passo, o pobre coitado que recebeu essas suas cartas cheias de ladainha egocêntrica tivesse lhe dito isso em vez de perdoá-la, talvez, quem sabe, você tivesse seguido o conselho. Aí eu teria meu marido e Charlie, o pai. É isso que me interessa. Não você. Não sua festinha comemorando seis meses sóbria. Não sua jornada espiritual rumo à sobriedade. Portanto, se quer mesmo se redimir, Ariana, tente pelo menos uma vez na vida, não se colocar em primeiro lugar." (página 52)
O final do Leo/Dan
"Não olho para trás. Se o mundo acha que Dan Mercer é pedófilo, paciência. Aqui não há internet, portanto não tenho como saber o que se passa nos Estados Unidos. Nem seu se gostaria de saber. Tenho saudades de Jenna, de Noel e das crianças, mas tudo bem. Fico tentado a contar a verdade a Jenna. Ela é a única pessoa que vai realmente sentir a minha falta. Não sei. Talvez um dia eu conte. (página 271)

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