sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Resenha: A Vida é muito curta - Abby Jimenez




O choro de um bebê une dois estranhos no meio da noite, mudando a vida de ambos.




"A Vida é Muito Curta" acompanha Vanessa Price, uma famosa YouTuber que vive cada dia como se fosse o último, e Adrian Copeland, um advogado ambicioso e obcecado por produtividade como forma de escapar de sua vida pessoal conturbada. Adrian e Vanessa são vizinhos e por meio de algumas circunstâncias hilárias, os dois desenvolvem uma amizade que se transforma em algo muito mais profundo.


No início do livro tem uma definição de "Clickbait".Os capítulo começa com uma chamada "clickbait", o que combina com a personalidade de Vanessa, uma estrela do YouTube que documenta sua vida. Essas manchetes são inteligentes e engraçadas, e instigam a curiosidade sobre o que está por vir no próximo capítulo, são breves e contribuíram para o tom humorístico em todo o livro. 


Vanessa, é tão cheia de vida e vibrante que era difícil imaginar que ela estivesse lidando com problemas tão sérios. Ela tem uma família um tanto disfuncional, que ela se esforça ao máximo para sustentar. Faz tudo isso enquanto se priva de encontrar um parceiro pois não quer se prender a alguém caso sua vida termine abruptamente como aconteceu com as mulheres da sua família. Com cerca de 50% de chance de desenvolver a mesma doença crônica que levou sua mãe e irmã antes dos trinta anos, Vanessa decide largar tudo e sai viajando pelo mundo, ela cria um canal no YouTube para compartilhar suas experiências de viagens e conscientizando as pessoas sobre essa rara doença genética. 

Tudo muda na vida de Vanessa quando ela recebe a guarda temporária da bebê recém-nascida de sua problemática meia-irmã que está lidando com um vício terrível. Em uma noite a pequena Grace simplesmente não para de chorar. Seu vizinho, Adrian, aparece na porta do seu apartamento oferecendo ajuda. Ela fica desconfiada, mas está exausta e desesperada o suficiente para deixá-lo entrar, ela deixa ele com a pequena Grace para tomar um banho (e tirar o vômito do cabelo). Para sua surpresa, o choro incessante termina assim que ela sai do banho. Uma amizade instantânea nasce.

Adrian e Vanessa criam uma conexão e, em poucos dias, estão constantemente entrando e saindo dos apartamentos um do outro, compartilhando comida, assistindo TV, cuidando da pequena Grace e se tornando amigos. Ambos deixam bem claro que não estão interessados em namoro ou relacionamentos... Porém já sabemos onde isso vai dar, não é?

Adrian é um advogado de defesa criminal bem-sucedido, sua jornada ao longo do livro é cautelosa, em busca da superação de seus traumas passados e a sua necessidade de controle. A chegada de Vanessa e Grace em sua vida, foi o que chamaríamos de salvação. 

A voz de Vanessa é inspiradora e fiquei muito feliz em ler sobre uma personagem que tomou as rédeas da própria vida e se recusou a ser derrotada. Ela era tão incrivelmente humana que era difícil considerá-la uma personagem fictícia.

Gostei muito da quantidade de discussões e reflexões sobre a saúde mental dos personagens, tanto Vanessa quanto Adrian. Gostaria que a ansiedade de Adrian tivesse sido um pouco mais explorada, mas achei que suas reações foram bem escritas e realistas. 

A leitura deste livro me fez perceber o quão difícil é chegar a um diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica, também conhecida como doença do neurónio motor e doença de Lou Gehrig, é uma doença que causa a morte dos neurónios)."O diagnóstico é feito por exclusão de outras doenças que a imitam e pelo monitoramento da progressão da deterioração". E mesmo com o diagnóstico, ainda não há cura, então tudo apenas retarda o inevitável. 

Este livro tem o humor característico de Abby Jimenez misturado com uma dose de situações muito realistas e vulneráveis. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Livro vs série: Custe o que custar

A série funciona como uma espécie de universo expandido do livro, personagens que vimos pouco nas páginas, na tv possuem suas próprias questões e até mesmo mistérios. Nada que mudou ou foi adicionado prejudica a experiência. 

Tivemos mais adições que mudanças, com flashbacks, novos personagens e personagens com participação maior na série do que no livro. Não é o nosso objetivo zerar todos os detalhes, selecionamos apenas o que achamos mais interessante compartilhar, indicamos muito a leitura do livro para quem apenas assistiu a série.

O livro vs série é COM SPOILERS. Sobre o livro e sobre a série, então quem não leu ou quem não assistiu ou quem não quer spoilers, esse é o último aviso, pare de ler por aqui. 


Nomes dos personagens

Essa é a primeira vez que não iremos ter uma lista, porque não é necessária, os nomes permanecem os mesmos no livro e na série. Apenas duas mudanças, que considero sutis, o sobrenome da Elena na série é Ravenscroft, no livro é Ramirez. E no livro, temos a icônica Hester Crimstein como advogada do Simon, na série temos a Jessica Kinberg. 

Adições e mudanças

📌Elena, Lou e a filha do marido falecido

No livro a Elena também é detetive particular e acaba tendo o mesmo fatídico fim da série. É assassinada pelo Ash e Dee Dee, numa emboscada. Porém, no livro, não temos nem o relacionamento/parentesco dela com a Lou, nem a filha ‘bastarda’ do marido falecido. A Lou é muito coadjuvante, só aparece para resolver um ou outro pedido da Elena e no livro é um homem.

Na série a Elena investiga uma mulher chamada Maria, logo depois descobrimos que ela é filha do falecido marido da Elena, o que faz com que ela questione se conhecia de verdade o próprio marido, e nem pode discutir com ele, já que está morto. Ela fica ainda mais chateada ao ver uma foto da sogra-sócia Lou, na casa da Maria. Lou depois explica que o Joel foi apenas o doador de esperma, para ajudar uma amiga. A Elena é assassinada antes de fazer as pazes com a Lou.

Na série temos ainda a Lou levando para a polícia as investigações da Elena, o que não ocorre no livro. Há também flashbacks mostrando como a Elena conheceu o Joel, eles se apaixonando, não temos no livro, sabemos apenas que ela o amava muito. E apenas no momento da morte que a Elena relembra da situação do tiro na bunda, que o marido ficava brincando com ela.

No episódio 7, há uma conversa entre o Simon e a Lou, ele recebe uma mensagem da Elena que julga estranha e fala com a Lou, nesse momento quem havia enviado a mensagem era a Dee Dee, no livro não temos esse contato do Simon com a Lou, ele apenas vê as mensagens, acha estranho, mas não se importa muito.


📌Dupla de detetives com um relacionamento amoroso

No livro o Fagbenle trabalha sozinho, não tem parceira, logo não há também nenhum relacionamento amoroso.

Na série, além do Fagbenle, temos também a detetive Todd, que vive um relacionamento amoroso em segredo com ele, além de trabalharem juntos.

Outra diferença, é que no livro, os detetives não aparecem na escola durante a reunião de pais, na série eles causam um grande constrangimento ao Simon e sua esposa. 

Os detetives recebem da Lou a investigação feita pela Elena, e vão até o Sebastian Thorpe, que mostra uma carta que o filho recebeu, nada disso ocorre no livro. 

Na série, há todo um desfecho para a seita, com os detetives indo até lá, o Fagbenle descobrindo uma passagem secreta, isso não ocorre no livro.



📌Médico Jay

É uma adição, esse personagem não existe no livro. A Ingrid não trabalha com um ex e não há suspeita de traição com ele, como álibi. No livro, ela apenas estava no trabalho mesmo. Já na série, o Simon sofre mais o baque, a polícia afirma que a Ingrid estava no apartamento do Jay. 


 

📌Cornelius e detetive Fagbenle


Esta foi outra adição da série, no livro os dois não tem qualquer tipo de relação, já na série, no passado foram vizinhos. E o detetive confia muito no que o Cornelius diz, confia que ele seja uma boa pessoa, chegando ao ponto de colocar sua carreira em risco para protege-lo. 




📌O professor da Paige e a trágica vida universitária

No livro, a Paige faz parte do grupo de estudos sobre genealogia e também pede ajuda ao professor para que ele a auxilie nos estudos para se tornar médica. A Paige também foi abusada e confidenciou ao professor, que nada fez, já que a Paige não quis registrar a denúncia. É Aaron quem a vinga.

Na série tivemos, uma adição, ficamos suspeitando que o professor é um abusador, e uma das amigas da Paige faz com que Simon vá por esse caminho, a reviravolta é que essa amiga estava mentindo, na verdade, ela queria ter um relacionamento com o professor, e por ele ter negado, ela resolveu prejudicá-lo. Outra adição é o contato do Simon com o real abusador da Paige, o rapaz com cicatrizes no rosto, no livro não há essa conversa entre os dois. 

📌Mãe Adeona e Nathan

No livro ela não chega a se comunicar com o próprio filho, mas é ela quem chega para salvar a vida do Simon empurrando a Dee Dee.

Na série, desesperada, temendo pela vida do filho, ela vai até ele e pede para ele fugir, ele fica descrente e a ignora.  Isso a influencia a ir atrás do Ash e Dee Dee, para tentar evitar que eles matem o seu filho e para isso precisou empurrar a Dee Dee e acabou salvando a vida do Simon.


Igual no livro e na série

✔O vídeo viralizado

Simon olhou para Hester, que deu de ombros em solidariedade. Ela esticou o indicador e apertou o play. O vídeo tinha sido gravado por alguém com nome de usuário Zorra Stitletto e postado duas horas antes. (...) Enquanto a frágil jovem se protegia atrás do seu salvador, o home de terno começou a gritar. A moça correu. O homem rico tentou empurrar o sem-teto a fim de seguir a mulher. Simon sabia, é óbvio, o que estava por vir. Mesmo assim, continuou assistindo ao vídeo, de olhos arregalados e esperançosos, como se houvesse alguma chance de o homem de terno não ser tão inocente a ponto de cerrar o punho e esmurrar o corajoso sem-teto bem na cara.” (Página 26)



Ingrid baleada

Luther mirou. Não houve qualquer advertência, atraso ou conversa. Ele apenas mirou e apertou o gatilho. BLAM! Simon jurou que pôde até sentir a bala deslocar-se raspando no seu nariz, pôde ouvi-la enquanto passava por ele. (...) Sangue... Os olhos de Ingrid reviraram enquanto ela caía. Simon assistiu à queda em câmera lenta.” (Página 85)




Tattos while you wait

“Dee Dee começou a rir.

- Qual é a graça?

- O nome da loja.

- O que é que tem?

- Tatuagem Enquanto Vc Espera – disse ela. – Pense nisso. De que outro modo se pode fazer uma tatuagem? Ei, cara tome aqui meu braço, tatue aí uma caveira. Volto daqui a duas horas.

Ela cobriu a boca enquanto ria mais um pouco.” (Página 87)



Dano colateral, Dee Dee sem máscara

“O homem – estava mais para um adolescente, uma droga de um moleque – devia ter saído pelos fundos da loja para despejar o lixo. Ainda estava segurando o saco, como se tivesse interrompido o movimento no meio, paralisado com o que testemunhara. Ele olhava para Ash, que estava usando a máscara de esqui. E olhava para Dee Dee, que não estava. Merda, pensou Ash. Não havia escolha.” (Página 91)



A seita

 “– Vocês têm música lá no complexo – perguntou Ash.

- Nós chamamos de Refúgio da Verdade.

- Dee Dee.

- Sim, temos música. Muitos dos nossos membros são músicos talentosos. Escrevem as próprias canções.

- Não têm música de fora?

- Isso não propagaria a Verdade, Ash.

- É uma das regras do Vartage?

- Por favor, não se refira a ele pelo antigo nome.

- Antigo nome?

- Sim. É proibido.

- Antigo nome – repetiu ele. – Da mesma forma que você agora é chamada de Holly?

- Sim.

- Foi ele que te deu esse novo nome?

- O Conselho da Verdade deu.

- Quem faz parte do Conselho da Verdade?

- A Verdade, o Voluntário e o Visitante.

(...)

- A Verdade é mais do que uma religião. É uma entidade viva, que respira. A Verdade sempre existiu. Sempre existirá. O Deus da maioria das pessoas vive no passado... milhares de anos atrás, preso em livros antigos. Por quê? Elas acham que Deus desistiu delas? O meu está aqui. Hoje. No mundo real. Quando essa Verdade morrer, a sua prole vai continuar. Porque a Verdade vive. A Verdade, se você puder ser objetivo, Ash, se não tivesse sofrido a lavagem cerebral das grandes religiões desde o nascimento, faz mais sentido do que serpentes falantes ou deuses elefantes, não faz?

Ash não disse nada.

- Ash?

- O quê?

- Fale comigo.

- Não sei o que dizer.” (Página 179-181)


Morte da Elena

Inconscientemente, Elena começou a procurar a arma, mas, claro, tinha ficado no carro. Stephanie Mars correu para o interior da casa e Elena foi atrás dela. A moça dobrou à esquerda e andou mais rápido. Elena virou a cabeça nessa direção para segui-la. Mas a jovem tinha parado. E se virou lentamente para ela. Seu belo rosto abriu um sorriso quando Elena sentiu um objeto frio pressionar a parte de trás do crânio. Seus olhares se encontraram – castanho triste de Elena e o verde indômito da jovem. E Elena entendeu. Pensou em Joel quando ouviu o clique e torceu, no momento anterior ao disparo, para estar com ele outra vez.” (Página 271)



A verdade sobre a Verdade, a herança

- Esquece o jargão. Já saquei. Os dois filhos do Vartage herdam a liderança.

- Herdam tudo. Essa é a questão. É por isso que está escrito nos Símbolos: Os dois filhos erguer-se-ão.

- E o que isso tem a ver com todo o resto?

- Também está escrito que o Refúgio da Verdade e todos os bens da Verdade serão divididos igualmente entre os herdeiros homens – informou ela.

- E daí?

- Não está especificado que são só os dois herdeiros mais belhos. Está entendendo o que estou falando? (Página 284)



Mãe Adeona salva a vida do Simon

Ela iria matá-lo. E sentiria prazer nisso. A mulher inclinou o corpo para fora da janela. Apontou a arma para a cabeça dele. E de repente ela não estava mais lá. Vindo por trás, alguém, a empurrara pela janela. Simon ouviu um grito e depois o som quando ela aterrissou no asfalto. Ele olhou para cima e viu surgir outra mulher – uma senhora que vestia um estranho uniforme cinza com listras vermelhas. Ela o encarou com preocupação, saiu depressa para a escada de incêndio e tentou conter o sangramento.

- Acabou- disse a mulher.” (página 303)



O final

“Simon olhou para Paige no outro lado da mesa. Ela olhou para ele. O segredo também estava na mesa. Se Simon ficasse calado, o segredo estaria sempre com eles. Ele se perguntou o que seria pior: ter que viver para sempre perseguido por aquele segredo ou deixar a mulher que amava descobrir que havia matado o próprio filho. A resposta parecia clara. Talvez mudasse no dia seguinte. Mas naquela noite ele sabia o que precisava fazer. (...) Então ele fez uma promessa solene. Não haveria mais segredos. A não ser aquele.” (Página 325-326)


Bônus

Cameo do Harlan

Vocês conhece esse tal de Ian? kkkkk Episódio 1, em 14m47s.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Review Custe o que custar


O nosso review, como sempre temos feito, é para comentar os episódios, sem spoilers, apenas com nossas impressões sobre a série. E de antemão já revelamos: curtimos demais a adaptação, é bem fechadinha, tudo é conectado e também está muito fiel ao livro, já já publicamos o livro vs série com esses comentários e spoilers. 

A sinopse da série em uma frase é: Em busca da filha que fugiu, um pai desesperado acaba envolvido em um caso de assassinato e descobre segredos que podem destruir sua família de vez.

Personagens

Simon e a família Greene 

Simon (James Nesbitt) é o nosso protagonista, que logo no primeiro episódio, tentando proteger a sua filha, se envolve numa briga que o torna uma espécie de webcelebridade. Ao longo de toda a série, ele vai sofrendo mais e mais, com segredos que vão sendo revelados e na sua luta para trazer sua filha de volta para casa.  O James Nesbitt entrega muito na atuação, a gente consegue se conectar com ele muito rápido. Ingrid (Minnie Driver) é a mãe que fará tudo que estiver ao seu alcance para proteger os filhos.

Anya (Ellie Henry), a filha mais nova, a atriz tem uma síndrome chamada Ehlers-Danlos e usa cadeira de rodas para se locomover. Isto que gerou uma confusão para quem estava assistindo, nós também tivemos essa estranheza, a questão de saúde da atriz foi divulgada recentemente nas redes sociais. Sam (Adrian Greensmith) é o filho do meio, e a Paige (Ellie de Lange), a filha mais velha, que se envolve com drogas. 



Elena Ravenscroft (Ruth Jones)

A detetive particular que nos deixa intrigado com suas investigações, ora trabalhando ora para benefício próprio. Ela é quem começa a puxar o fio que vai desvendar o motivo pelo qual muitas mortes estão acontecendo. Ainda vive o luto pela perda do seu marido. E trabalha com a Lou (Annette Badland), que além de ser seu braço direito nas investigações, também é sua sogra. A Elena é muito carismática, é impossível não torcer pra ela.


Ash e Dee Dee

A dupla que nos dá medo, uma lista de alvos que os dois vão assassinando, aos poucos descobrimos que além de grana, há também o envolvimento de uma seita. Os atores Jon Pointing e Maeve Courtier-Lilley mandaram muito bem, a gente fica com medo dos dois. Observar as atitudes dos dois e descobrir seus passados, faz com que a gente entenda um pouco melhor as atitudes deles no presente.


Os detetives Isaac Fagbenle e Ruby Todd

Interpretados por Alfred Enoch e Amy Gledhill, a dupla que investiga e secretamente vive um romance. Nem sempre concordando com todas as atitudes um do outro, mas sempre com muitos flertes, os dois vão seguindo uma trilha de pistas.


A primeira cena já mostra a Paige junto com um homem mascarado, quem é ele? Logo depois somos apresentados a família Greene, uma família que parece perfeita, até que a Paige, se envolve com drogas. Os pais culpam o namorado da filha, Aaron, por ter apresentado a ela as drogas.

Em outro núcleo, conhecemos a Elena, ela recebe uma ligação para um trabalho, localizar Henry, o filho de Sebastian Thorpe. O episódio termina com a Ingrid sendo baleada, depois de ao lado do Simon, ter ido fazer perguntas ao traficante Rocco, para quem Aaron trabalhava. 

Quando o Aaron aparece morto, Simon se torna um dos principais suspeitos.

A dupla Ash e Dee Dee tem uma média de praticamente uma vítima por episódio, a todo tempo ficamos nos perguntando qual é o objetivo deles e tudo vai sendo desvendado aos poucos.

Ao lado da detetive Elena, vamos identificando relações entre as vítimas, que envolve um site de DNA, mas tudo fica muito nebuloso para que a gente entenda a motivação.

O drama segue com a família Greene, com a filha desaparecida, a esposa internada depois de ser baleada, Simon não vê outra opção senão tentar localizar a filha e para isso ele busca informações com parentes do namorado da filha e também com traficantes.

Quando uma pista da Elena faz com que achem uma conexão entre o caso que ela está investigando e a Paige, a gente começa e ver que tudo está conectado, mas não de uma forma que a gente poderia imaginar.

Com 8 episódios, duração média de 50 minutos, “Custe o que custar” entrega drama, suspense e uma reviravolta que faz a gente se questionar o que faria no lugar do protagonista. Uma pegada que já é comum nas séries britânicas do Harlan, é que ao final de cada episódio temos uma série de pistas e ganchos, o que faz com que a gente fique muito curioso para descobrir tudo. É uma ótima maratona para iniciar o ano, porque chega num momento que é impossível parar de assistir até obter todas as respostas, e se prepare, porque dessa vez, nenhum personagem está a salvo. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Resenha: Até que o Natal nos separe / Catherine Walsh

Ho, ho ho, o Natal chegou e se você ainda não está no clima, "Até que o Natal nos separe" é a pedida certa. Esse livro me fez rir, deixou meu coração quentinho e me fez querer viajar para Dublin. Natal em família pode ser um sonho para alguns, mas o maior pesadelo para outros. Megan e Christian estão no segundo grupo e a partir de uma aliança para tornar dos dias natalinos mais fáceis, eles vão acabar se apaixonando.

Megan vive o auge da sua vida em quase todos os aspectos, está feliz e realizada. Se não fosse o seu passado, ela teria toda a vontade do mundo para voltar para casa, rever amigos e passar o Natal em família. Mas todo mundo na cidadezinha tem ranço dela e o motivo: ela deixou o noivo no altar. Ter uma companhia para enfrentar tudo isso é algo que ela gostaria muito, mas ela tem zero expectativas de encontrar alguém.

Christian está muito cansado de ser o único solteiro da família. Todo mundo já encontrou o amor da vida, mas ele tá sozinho, sempre sozinho. Não que ele se sinta só, mas ter uma namorada o ajudaria demais, pelo menos evitaria a tonelada de perguntas.

Quando Megan e Christian se esbarram aleatoriamente num pub, ele tem a ideia genial: um namoro de mentira. Os dois se conhecem desde a infância, estudaram juntos, apesar de serem de grupinhos diferentes, eles se conhecem a vida toda. Depois de relutar um pouco, Megan topa. Até porque não seria muito difícil fingir ser namorada do gatíssimo Christian Fitzpatrick.

Para quem já leu “Com o coração nas nuvens”, o Christian é o irmão do Andrew, então temos Andrew e Molly presentes com novidades sobre o relacionamento dos dois. Não é necessária a leitura do primeiro livro, para entender esse, mas com certeza quem ainda não conhece a história do Andrew e Molly vai querer descobrir.

Expor vulnerabilidades nunca é fácil, se abrir e confiar no outro, por mais arriscado que possa ser, também permite que se viva coisas extraordinárias. Além do romance, ambos os protagonistas têm questões a serem resolvidas com os pais, por falta de comunicação, o Christian nunca se entendeu com o pai, ele sente que o pai nunca sente orgulho dele, enquanto a Megan prefere nunca contradizer ou questionar a mãe, com isso a mãe não sabe direito os gostos e interesses da própria filha. 

“Você precisa dizer mais a verdade para ela, senão ela nunca vai saber como você se sente de verdade.”

Megan guarda um segredo, ela escolheu não revelar os seus motivos por ter fugido do casamento, todo mundo tem milhares de julgamentos, sem saber o que de fato aconteceu. Ao longo da leitura a gente vai tendo pistas, até tudo ser revelado, é um dos momentos mais tensos do livro, mas que coloca em pauta uma questão muito relevante e que nunca deve ser tolerada: relacionamentos abusivos. A forma como a Catherine Walsh trouxe a temática foi excelente, trazendo pistas aos poucos e mostrando como podem ser prejudiciais e nunca devem ser tolerados. 

Com o acordo em vigor e diversas regras do que é permitido ou não, Megan e Christian engatam no namoro de mentira para sobreviver ao Natal em família, mas conforme os dias passam, ambos começam a se questionar o que mentira e o que eles de fato sentem, mas será que é recíproco? 

Se eu tivesse que definir o livro em uma palavra seria delicioso. Foi uma delícia ler, conhecer a Megan e o Christian e vê-los se apaixonando um pelo outro. O livro é muito divertido, eu ri demais durante a leitura, fui me apegando aos personagens e posso dizer que já me sinto parte da família. 


“Passei a vida inteira procurando alguma coisa, e nada nunca encaixou. E acho que é porque estava procurando você.” 

Confira a resenha do primeiro livro: 

Com o coração nas nuvens

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Resenha: Gone Before Goodbye / Harlan Coben e Reese Witherspoon

Dubai, Paris, Rússia, Nova York, apertem os cintos e se preparem para uma viagem que envolve o universo médico, com cirurgias plásticas e o luxo que envolve multimilionários, a Maggie vai colocar a própria vida em risco na busca por quem partiu sem se despedir. 

O livro é uma colaboração do Harlan com a atriz Reese Witherspoon, a primeira colaboração na carreira do Harlan. Esse fato já aguça a nossa curiosidade, né? Um livro coescrito, o que será que iremos encontrar, o Harlan que conhecemos? Algo diferente? Vamos gostar?

E para dar um gostinho de como é a leitura, tenho esse exemplo: Eu estava lendo o livro no idioma original e quando li o que aconteceu, eu peguei o tradutor para ver se eu tinha entendido certo, porque caramba, não era possível que o que eu entendi fosse real, mas adivinha? Era. Bem, esse é o nível da reviravolta do livro. 

Ocorre muitas manipulações, não dá para confiar em nenhum personagem. É aquilo de contar uma mentira para proteger alguém que você ama e a partir do momento que uma mentira é contada, outras se multiplicam e daí, é só ladeira abaixo, mas sempre tudo com uma justificativa pessoal. Que caberá a cada leitor fazer julgamentos e escolher quem é mocinho e quem é vilão nessa história.

Antes de começar a comentar, preciso relembrar que a Editora Arqueiro confirmou que adquiriu os direitos do livro e que será publicado no Brasil em 2026, essa resenha é apenas um aquecimento. Queremos também deixar registrado o agradecimento ao Harlan por ter nos enviado exemplares autografados.

“Parte da condição humana é que todos nós pensamos que somos seres singularmente complexos – ninguém sabe o que realmente pensamos, do que somos capazes – e, no entanto, estamos convencidos de que podemos ler os outros. Pensamos que sabemos o que se passa dentro dos outros, o que eles realmente sentem, vivenciam ou pensam, mas eles não podem nos dizer o mesmo. Isso é obviamente impossível.”*

A definição para o livro é um thriller médico. Temos muitas cenas envolvendo cirurgias. Nossa protagonista, Maggie McCable, é uma médica cirurgiã exemplar, ama o que faz e é muito competente. 

Ela trabalhava com o marido Marc e o melhor amigo dos dois, Trace, numa espécie de médicos sem fronteiras, eles viajavam para lugares perigosos apenas para ajudar as pessoas. Os três criaram uma fundação chamada WorldCures Alliance, além de ajudar necessitados, eles também realizavam pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias. Incrível né?

Bem, até que tudo sai dos eixos: Maggie perde sua licença médica, Marc sofre um atentado e o Trace desaparece misteriosamente...

O livro não entrega nada disso de maneira fácil, vamos descobrindo aos poucos tudo que está acontecendo, no começo eu fiquei um pouco perdida, até conseguir me localizar no que estava rolando. Assumo que demorei a me conectar com a personagem principal, algumas coisas não estavam fazendo sentido algum, até que chega um momento específico que tudo faz sentido e a partir desse ponto, não consegui mais largar o livro até terminar.

A questão ética é uma das principais temáticas do livro. Tanto no que tange mentiras, quanto a ética profissional, mesmo que você esteja criando um procedimento revolucionário que poderá salvar vidas, vale qualquer coisa para atingir o objetivo? 

Há também, um tema muito atual: o uso da inteligência artificial, os chatbots, será que o uso ajuda ou prejudica a saúde das pessoas? Um uso sem limites pode ser muito perigoso. Sharon, irmã da protagonista, tem uma mente brilhante para a tecnologia e criou uma ferramenta que ela pensou que poderia ajudar a irmã.

A Maggie recebe uma proposta de trabalho, que a faz viajar para Rússia, e é a partir desse ponto que ela entra num mundo do luxo, envolvendo multimilionários, que acreditam que por ter muito dinheiro podem comprar tudo, inclusive a imortalidade...

“Não hesite. Essa é a chave. Maggie aprendeu isso no treinamento militar. Muitas coisas fazem um grande lutador — tamanho, habilidade, atletismo, rapidez, adaptabilidade, experiência, coragem — mas uma coisa muitas vezes supera tudo isso: o fator surpresa.”*

O trabalho da Maggie, que envolvia uma quantia muito generosa e irrecusável, se tratava de duas cirurgias, dois procedimentos bem diferentes, quando Maggie descobre que o atual empregador tinha conexões com o financiamento da sua antiga fundação WorldCures Alliance, ela percebe que ou pode ter colocado a sua própria vida em risco ou poderá descobrir toda a verdade que envolve o seu marido e o Trace ou todos estão mentindo sobre tudo. É muito difícil ela saber em quem pode confiar.

Os leitores habituais do Harlan já sabem como ele consegue conectar todas as pontas soltas de forma brilhante e aos harlanlovers, temos muitos eastereggs. Não vou citar para ser uma surpresa durante a leitura.

A combinação do Harlan com a Reese gerou um suspense emocionante, que nos leva a ter diversas reflexões sobre o mundo em que vivemos e qual futuro estamos construindo. 

“Um filósofo americano. Ele tem uma citação que eu adoro: "Toda grande causa começa como um movimento, torna-se um negócio e, eventualmente, se degenera em uma máfia."*

É uma verdadeira tortura mental que parece nunca ter uma resposta clara: nunca seja provocativa demais, mas nunca seja formal demais... Ah, mas tenha senso de estilo e esteja sempre por dentro das tendências para não parecer, pasmem, antiquada – sempre tentando encontrar o equilíbrio certo entre o feminino e o prático. Completamente exaustivo.”*


*quotes com tradução livre nossa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Resenha : O filho perfeito; Freida McFadden

O "Filho Perfeito" conta a história da família Cass. O foco principal é Erika, cujo filho, Liam, tem um histórico de comportamento perturbador desde muito pequeno. 



Agora, ele é um adolescente e Erika faz tudo ao seu alcance para proteger as pessoas da sua vida. Quando uma garota da sua turma desaparece, Erika teme o pior.

Erika Cass, uma mulher suburbana cuja vida vira de cabeça para baixo quando dois policiais batem à sua porta e seu filho, Liam, se torna suspeito em um caso de desaparecimento aterrorizante. Ambientada em Long Island, a história explora a dinâmica de uma família perfeita assolada por segredos sinistros.

O início deste livro me prendeu imediatamente. O dilema que Erika enfrentou com seu filho potencialmente perigoso, tentando protegê-lo de si mesmo e impedi-lo de se tornar uma ameaça para os outros, foi interessante de ler, e as medidas que ela tomou começaram a beirar o implausível, enquanto o pai, Janson, tratava tudo de maneira supérflua, mas a história foi envolvente. 

Confesso que os personagens dos livros da Freida costumam me irritar, porém neste não havia nenhum personagem estúpido ou irritante, mas nenhum em particular me chamou a atenção. A construção dos personagens foi bem decente na minha opinião. 

Um cenário que é um personagem por si só. McFadden captura perfeitamente aquela sensação de perfeição da casa com cerca branca, escondendo algo podre por baixo. Os vizinhos intrometidos, as mães julgadoras da associação de pais e mestres — tudo parece Sufocante e real. 

"O Filho Perfeito" é uma história que desafia nossas suposições sobre família, moralidade e os limites do amor. Enquanto explora as profundezas da experiência humana em várias nuances. Freida McFadden certamente conseguiu isso com este thriller.  

domingo, 23 de novembro de 2025

Resenha: Minha querida Paris / Lucy Diamond

Lucy Diamond assim como o nome já dá uma pista, escreve verdadeiras joias. Todo livro que leio dela me faz refletir sobre a minha vida, sobre a vida em geral e me inspira a viver. Esse não foi diferente, “Minha querida Paris” nos leva para cenários incríveis, mas a principal é viagem é para entender os próprios sentimentos.

“Nesta cidade tudo é possível. E o amor é sempre a resposta, eu acho.”

Como é morar no lugar onde todo mundo vai passear? Um lugar que é a viagem dos sonhos de todo mundo? Por um lado, pode ser um pesadelo, turistas para todo lado, tudo lotado o ano inteiro, preços superfaturados, mas por outro, há uma certa magia em morar num lugar que é o sonho realizado de muitas pessoas. Tudo depende do ponto de vista.

E ponto de vista é um tema bem recorrente no livro, nós habitualmente percebemos, pensamos ou presumimos de acordo o nosso ponto de vista, mas e se estivermos errados? E se a gente não olhou da forma correta, ou presumiu errado? 

Nossas protagonistas, Adelaide e Jess não poderiam ser mais diferentes. Jess é carinhosa, atenciosa, ama ajudar a resolver os problemas de todo mundo, Adelaide é amargurada, gosta de dar ordens e não se importa com os sentimentos dos outros. Aos poucos, vamos entendendo os motivos por cada uma ser dessa forma. 

Jess é uma jornalista de meia idade que sempre gosta de ajudar a todos, ela acolhe quem ela pode. Sendo mãe de três meninas, ela fizera um acordo com o marido, de que ela ficaria com as crianças ainda bebês, mas no futuro ele ajudaria mais.... bem, não é o que acontece. A carreira do marido deslancha, enquanto Jess está em casa desgastada por cuidar de tudo sozinha, quando as meninas, já estão mais crescidinhas, Jess pensa que enfim, o marido vai ajudar mais, e ela vai poder construir uma carreira, bem, não é bem o que acontece, ele tem um caso que é o estopim para o final desse casório. E ela se vê mais uma vez sozinha com as filhas. 

Quando chega uma proposta para que ela seja uma ghost-writer de uma biografia de uma artista famosa, ela não pensa duas vezes e aceita o desafio, que a leva para Paris.

Adelaide Fox, um nome que toda pessoa que é no mínimo admiradora de arte, já ouviu falar. Uma senhora, ela viveu muitas aventuras durante sua vida, mas agora está reclusa, suas obras estão num arquivo bagunçado (se é que se pode falar arquivo). Muitas pessoas ficam com medo dela, já que está longe de ser uma pessoa amigável, mas é muito admirada por todos que conhecem a sua história na arte.

No começo as duas não se dão bem, ocorre um grande mal entendido, mas aos poucos tudo vai se encaixando. Quando Adelaide começa a contar sua história para Jess, ela passa a olhar sua própria vida pelos olhos da Jess, o que é um tanto quanto transformador, mas para melhor ou pior? Durante a leitura, a todo momento ficamos preocupados, se essa parceira vai longe ou não. O objetivo de escrever uma biografia para Adelaide não é a mesma ideia de livro que a Jess está pensando...

Jess, quando mais jovem trabalhou em Paris com uma amiga, que sumiu misteriosamente. Ela também tivera uma paixão. Então, vai aproveitar suas folgas para tentar descobrir o que aconteceu com a amiga e reviver essa paixão, e descobrir a duras penas que as vezes é melhor deixar o passado no passado. 

O sobrinho da Adelaide, Luc, está cuidando do arquivo e acabou de terminar um relacionamento, nós rapidamente percebemos que rola um clima entre ele e a Jess, mas quando se trata do coração, só um clima nunca é suficiente. É divertido acompanhar os dois. 

As filhas da Jess têm pequenas participações, mas que são muito legais, a Jess se desdobra para ser a mãe que cada uma delas precisa, os problemas que ocorrem são muito reais, é muito um ‘quem nunca?’ a todo momento.

Viajar no tempo e descobrir o passado da Adelaide é emocionante, dos momentos felizes a tragédias, alguns trechos são difíceis de ler, e a gente vai entendendo porque ela ficou da forma que está, e olha, é muita coisa.  O que levo como lições são: 1 - Aceitar que o passado já passou; 2- Resolver mal entendidos (se valer a pena) e 3- Sorrir para vida.

A vida nada mais é do que um amontoado de dias, se a gente deixar, passam meses, anos e puft, o que você fez com a sua vida? Seja fazer uma viagem dos sonhos, comer um croissant, testar uma nova habilidade, assistir um por do sol, são esses momentos que fazem os dias valerem a pena. Se você fosse contar a sua história para uma biografia, você se lembraria do passado, com qual sentimento? Honrar a si mesmo, é o maior desafio dessa vida, viver de uma forma que a gente dê orgulho a nós mesmos. 


Esse é o terrível endurecimento por que todos temos que passar quando se trata do amor, as surpresas desagradáveis que podem nos surpreender quando menos esperamos.” 

Confira as resenhas de outros livros da Lucy: 

O café da praia 

Os segredos da felicidade 

Uma noite na Itália 

A casa dos novos começos