domingo, 27 de setembro de 2026

Resenha: No mesmo barco / Katelyn Doyle

Última chamada aos navegantes, vamos embarcar Romance dos Mares e o único risco é se apaixonar por essas páginas. Entre o enjoo do balanço do mar e as milhares atividades proporcionadas pelo navio, Hope e Felix não poderiam imaginar que encontrariam amor em alto mar.

Se você ama comédias românticas “No mesmo barco” é a pedida certa, é divertido e tem romance na medida certa. Os personagens secundários também são super legais e ainda temos questões que nos fazem refletir e claro, o final feliz é garantido!

Sem nenhuma vontade de fazer uma viagem de Cruzeiro, Hope decide ir assim mesmo. A convite da sua melhor amiga e influencer, que ganhou as passagens, Hope topa a viagem. Mais como uma fuga do seu dia a dia caótico do que pela viagem em si. A vida dela está muito longe de onde ela gostaria, seu sonho é ser uma escritora, mas trabalha com mídias e é 2 horas pressionada pela sua chefe, ela tem que engolir muitos sapos porque precisa do salário (que não é lá essas coisas, mas banca o seu micro apartamento e faz com que ela não arrume mais dívidas). Ah, e ainda tem o ex, ela recém terminou um relacionamento, daqueles que ela imaginava que seria para vida toda... Então, assim, ela só queria passar uns dias com a melhor amiga, rindo e curtindo o navio.

Felix foi viajar apenas para agradar sua família, ele apostava que essa viagem seria só estresse, mas como ama demais seus pais e suas irmãs e se sente em dívida com elas, ele resolve topar a viagem em família. Ele está sóbrio e essa é uma das suas maiores conquistas, o vício em bebida o colocou em situações muito difíceis, e a sua família nunca o abandonou. Ele tem pubs de sucesso em Londres, e sua família nunca teve problemas financeiros. Depois de ficar sóbrio ele focou no trabalho e deixou o coração de lado, ele nunca iria imaginar que nessa viagem ele iria começar a bater mais forte.

Os dois têm um daqueles primeiros encontros típicos de comédias românticas, uma situação engraçada, meio vergonha alheia e aquele momento que ambos sentem uma atração. Ele empurrado pela família, e ela pela amiga, que os incentivam a curtirem juntos.

Os dias no navio parecem uma vida. São muitas horas juntos, e conversas, eles sentem uma conexão e vamos vendo que aos poucos estão se apaixonando, mas será que eles vão saber com esses sentimentos?

Antes de encontrar um amor, é necessário que a gente encontre a nós mesmos. Com todas as demandas da vida adulta, é fácil se perder e tentar achar respostas nos outros, ou mesmo achar que a resposta está apenas se afastando de todos os sentimentos. Achar o amor e como equilibrá-lo no meio de tudo isso requer muito esforço e vontade.

“Como é bom me entregar por alguns minutos à imagem de uma existência livre das minhas circunstâncias atuais.”

Hope e Felix percebem que mergulharam de cabeça, mas que não conhecem de verdade um ao outro, é claro, só se encontraram uns dias antes, isso é apenas um lance ou tem potencial de se tornar algo mais? Quando os fantasmas do passado chegam, eles percebem que as férias que estavam sendo um sonho podem rapidamente virar o pior dos pesadelos.

Foi muito divertido ler esse livro, o primeiro que li dessa autora, não sabia o que esperar e valeu muito a pena conhecer. É uma comédia romântica com essência de comédia romântica. A gente se diverte e no final ficamos com o coração quentinho.

Se a história da Hope e do Felix tivesse um título de filme seria o velozes e furiosos, os dois se jogam de cabeça, colocam o pé no acelerador, mas vão precisar de muito freio para conseguir passar por todas as curvas que vão aparecer e sem pegar atalhos para enfim conseguirem chegar ao mesmo barco e dar uma chance ao romance dos mares.

“Sei que é loucura se apaixonar por um cara depois de tão pouco tempo – de novo. Sei que como uma pessoa é nas férias não representa como ela é na vida real. Sei que o que estou prestes a fazer é arriscado. Mas não posso deixar de dizer. É o tipo de coisa que a gente tem que tentar, ou vai se arrepender pelo resto da vida.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Resenha: A natureza da fera / Louise Penny

"Ela sentou e chorou"

Essa frase vai permear toda a história e guarda a pista que vai desvendar todo o mistério, mas só iremos descobrir junto com o Gamache, lá no final do livro.

O mais novo desafio do inspetor Gamache é enfrentar uma fera. Diferente de tudo o que já vimos, dessa vez, Three Pines nos apresenta uma fera que pode desequilibrar as estruturas geopolíticas de todo o planeta.

Gamache está aposentado, mas não longe das investigações. Como sabemos Three Pines é bem movimentada, quando se trata de assassinatos. A morte dessa vez, nos choca, quem seria capaz de tal monstruosidade?

Chegamos ao livro 11 do Inspetor Gamache! Que jornada tem sido, não canso de reafirmar que quanto mais eu leio, mais gosto, os livros vão ficando cada vez melhores e a cada nova leitura, tenho um novo livro favorito. Indico muito a leitura na ordem, assim conseguimos ir entendendo melhor os personagens e as consequências dos desdobramentos dos livros.

“Three Pines não podia escondê-los das desgraças do mundo, mas podia ajudar a curar as feridas.”

Laurent Lepage é um menininho astuto, curioso e com uma mente muito inventiva. Ele vivia no seu próprio universo e amava criar mundos e desbravá-los. Quando ele chega contando sobre uma fera, ninguém dá muita importância, era só mais invenção do menino, certo?

Quando dias depois ocorre uma morte no vilarejo, todo mundo fica perdido, enquanto a polícia aceita a fatalidade, uma queda de mal jeito, Gamache, por outro lado, acredita que foi um assassinato.

E o que no início parece ser a paranoia de um senhor aposentado, rapidamente muda, pistas mostram que a cena da queda foi montada e ao buscar indícios, eles se deparam com um monstro.

Eu estou muito envolvida com Three Pines e com esses personagens, já os considero amigos, então custo a acreditar que um deles pode ser um assassino.

Aposentado, Gamache pensa: e agora? Qual vai ser o próximo capítulo da sua vida? Ele sempre viveu dias bem agitados, não está acostumado com calmaria. Ele recebeu propostas de diferentes trabalhos, mas fica indeciso em aceitar.

Jean Paul não herdou o cargo do antigo chefe, que ficou com a agente Lacoste, ele sente falta de trabalhar todos os dias com o Gamache, mas está se sentindo bem, depois de casar com a Annie e enfim se estabilizar, a sua única preocupação é se o Gamache acabar escolhendo ir pra longe, ele tem uma novidade que está se segurando pra contar.

Lacoste assumiu o posto do Gamache, ela é muito competente e mereceu o cargo, mas se cobra horrores, será que está a altura do antigo chefe?

Ao descobrirem a fera, tudo muda. O que eles estavam enfrentando? Uma verdadeira monstruosidade que poderia atrair muitos outros monstros para Three Pines. E quem ali sabia da existência dela?

Ao mesmo tempo os moradores resolvem encenar uma peça e até ai tudo bem, bem legal unir todo mundo para produzir, mas quando o autor da peça é revelado, todo mundo se assusta e logo declina a participação, o que gera um novo conflito no vilarejo.

“Ele se sentou numa poltrona puída que fazia parte do cenário. Nas poucas vezes em que realmente estivera num palco, Gamache ficara surpreso com o fato de tudo ser velho e surrado. À distância, da plateia, os atores podiam parecer reis e rainha, grandes magnatas. Mas, de perto? Os figurinos eram baratos, gastos e, com frequência, fedidos. Seus castelos estavam caindo aos pedaços. A ilusão, despedaçada. Aquele era o preço de olhar as coisa perto demais.”

Quando o passado vem a tona, começamos a desconfiar dos moradores mais antigos, com certeza alguém ali está mentindo ou no mínimo contando meias verdades, quem será?

Dessa vez, durante a leitura eu pensei muito sobre a capacidade humana, de se reinventar, de amar, de mentir, de criar monstros que podem acabar com suas próprias vidas... É sempre bom demais embarcar com o Gamache e notando as nuances, os detalhes que vão aos poucos revelando a verdade.

“A natureza, ela sabia abominava um vácuo, e aquelas pessoas, diante de um vácuo de informações o haviam preenchido com seus medos.” 


Confira as resenhas dos outros livros da série: 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Resenha: A Ex. Freida McFadden

Cassie: Uma dona de livraria doce, porém insegura, tem lutado com sua vida amorosa há algum tempo, ela se vê em uma situação delicada quando começa a namorar Joel, um médico bom demais para ser verdade. Joel é, bonito, romântico e, acima de tudo, está apaixonado por Cassie. Ela acha que encontrou o homem com quem passará o resto da vida.

Depois de descobrir sobre a ex de Joel, Francesca. A linda e brilhante chef, adorada por todos os amigos de Joel, ela se vê mergulhada em um mundo de ciúmes e dúvidas.

Durante um encontro constrangedor com Lydia, esposa de Pete, o melhor amigo de Joel, a Ex descobre que Joel seguiu em frente e está levando seu novo relacionamento a sério. Lydia descide não convidar Francesca para sua famosa festa de Halloween. Deixando a Ex arrasada. 

Lydia então convida Cassie para sua festa de Halloween e sugere que ela se vista de Cleópatra. Joel e seus amigos ficam chocados com a fantasia de Cassie, e Joel age friamente durante toda a festa. Uma foto da festa do ano anterior mostra Francesca vestida de Cleópatra. Cassie percebe que Lydia pretendia envergonhá-la. 

Freida McFadden entrega um thriller psicológico intrincado que retrata com maestria a obsessão moderna, a manipulação, o ciúme e o poder perigoso dos segredos. É uma leitura eletrizante que me prendeu, embora eu tenha terminado com uma sensação de "ok, isso foi interessante" em vez de total impactada.


Gostei especialmente da forma como Freida estruturou o livro, alternando os pontos de vista da atual namorada e da ex-namorada. Gostei do amor de Cassie pelos livros e de sua determinação em salvar a livraria, senti pena algumas vezes dos problemas financeiros da Ex. Senti a euforia de Cassie ao começar um novo relacionamento, torcendo para que durasse, e senti o ciúme e o ressentimento crescentes da ex Francesca, desejei que ambas tivessem um desfecho digno. A obsessão é o elemento-chave aqui, e as duas garotas têm muita. Aliás, elas se torturam com isso, e você fica sabendo de tudo em seu "diário", o que pode se tornar um pouco cansativo às vezes. Sim, é claro que ambas tinham problemas sérios. A constante mudança entre os dois pontos de vista diminuiu o ritmo do que se espera de um thriller psicológico padrão. Gostaria que tivesse mais ação e menos lamúrias.

Porém foi uma leitura rápida, no geral gostei. 




domingo, 9 de agosto de 2026

Resenha: A viúva / John Grisham

A Viúva entrega tudo aquilo que esperamos de um livro do John Grisham, tretas jurídicas, suspense, reviravoltas no tribunal e um texto eletrizante, que faz a gente torcer por alguns personagens, enquanto odeia outros. Além de nos fazer pensar: o que eu faria numa situação dessas?

E se você fosse condenado por um crime que não cometeu? Você foi pro júri no banco dos réus acreditando que não seria condenado, já que não haviam provas sólidas contra você....

Mas estou me adiantando, vamos voltar pro início:

Simon é um advogado que lida com casos cíveis simples, nada muito espetacular e nada que pudesse fazer com que ele ficasse rico, os honorários nunca foram muito bons, mas ele sempre foi honesto, apesar de ter um vício em jogos de apostas. Em casa, as coisas não iam bem, seu casamento estava por um fio, mas ele ama os filhos e fará tudo que estiver a seu alcance para que as crianças não sofram.

Quando uma viúva idosa, Eleanor, chega ao escritório do Simon querendo fazer um testamento, alegando que o marido deixou uma fortuna e que ela não tem mais ninguém, isso desperta o pior lado do Simon, ele vê ali a sua galinha dos ovos de ouro.

"Após dezoito anos de trabalho árduo, Simon F. Latch, advogado e consultor jurídico, estava esgotado. Exausto dos problemas alheios."

O que ele não poderia imaginar é que ele não era o único com esse pensamento. Ora, mas se a senhora iria morrer de qualquer forma, não havia herdeiros, qual seria o problema dele solucionar a própria vida? Seria errado, estipular bons honorários e administrar o fundo?

Ele começa uma missão de fazer com que a Eleanor confiasse nele, enquanto produzia o texto do testamento, longe dos olhos da sua secretária, foram almoços e jantares todos pagos pelo próprio Simon, ela nunca se dispôs a pagar nada.

Tudo estava indo muito bem, até que Eleanor sofre um grave acidente de carro, é internada por alguns dias, o quadro se agrava e ela acaba morrendo.

Não haveria problema algum, mortes acontecem, não é?

Bem, uma denúncia anônima faz com que a polícia entre em cena para descobrir que a morte não foi devido uma questão de saúde, a senhora havia sido envenenada e o principal suspeito? O Simon.

E voltamos lá pra parte que comecei comentando, nós leitores confiamos que não foi o Simon, mas será mesmo? Muitos são os suspeitos que poderiam ter interesse na fortuna, herdeiros surgem, outro testamento, mas será que a fortuna existe mesmo?

John Grisham é especialista nos thrillers jurídicos e ele nunca decepciona, só ele é capaz de escrever cenas de tribunal eletrizantes, chega um ponto do livro que a gente precisa saber qual vai ser o veredicto, se a justiça vai ser feita ou não, parece que é a gente que está lá sendo julgado.

A ganância é um dos principais pontos do livro, o dinheiro transforma as pessoas, seja pro bem ou pro mal. Mas será que vale tudo? E as questões éticas? E a moral? No livro, passamos por diversas situações nas quais podemos discutir esses limites.

No final eu queria mais páginas até, depois de uma grande jornada para que tudo fosse desenvolvido e revelado, o final pareceu até um pouco corrido.

Um dos pontos que acho sempre mais legais dos livros do Grisham, é o fato dele explorar o mundo da advocacia e mostrar os bastidores, longe do glamour que muitas pessoas acreditam existir, entre advogados honestos que lutam para conseguir se sustentar, aqueles que apenas o dinheiro importa, os sem escrúpulo algum, ou mesmo aqueles que não aguentam viver nesse mundo e desistem do ramo. É um verdadeiro tour pela profissão. 

Eu fiquei muito surpresa com o final, em um momento eu tinha certeza que já tinha desvendado tudo, para perceber que estava totalmente enganada. 

"A verdade era que metade dos clientes nem precisava fazer um testamento, por mais simples que fosse, embora nenhum advogado na história dos Estados Unidos jamais houvesse dito isso a alguém disposto a pagar. Também era verdade que honorários de 250 dólares eram um roubo, pois a internet estava repleta de modelos de testamento-padrão gratuitos e igualmente válidos." 



Confira as resenhas de outros livros do Grisham: 

terça-feira, 14 de julho de 2026

Resenha: No rastro da mentira: Amy Tintera.


 


“Não sou responsável pela versão falsa de mim que você criou na sua cabeça.”







A história começa com Lucy, uma narradora pouco confiável, ela não se lembra de nada da noite em que sua amiga foi assassinada, tudo o que sabe é que todos suspeitam que foi ela.

Agora, cinco anos depois, com uma vida nova em Los Angeles, Lucy ainda não consegue se lembrar de nada relacionado àquela noite terrível.

Mas quando Ben Owens, o apresentador bonitão de No Rastro da Mentira, um famosíssimo podcast de true crime, decide investigar o assassinato de Savvy para a segunda temporada, Lucy é forçada a voltar ao lugar onde jurou nunca mais pisar para descobrir quem matou sua amiga.

Adoro quando um livro me surpreende. Num instante estou abrindo, No Rastro da Mentira foi esse tipo de livro. Não que devemos gostar da espinhosa Lucy Chase, que a maioria presume ter matado sua melhor amiga. No entanto, ela é incrivelmente cativante e eu estava do lado dela, principalmente quando aqueles que deveriam lhe dar o benefício da dúvida não o fazem.

Lucy tem um relacionamento conturbado com os pais, mas sua defensora constante é Beverly sua avó espirituosa e engraçada.Ela era hilária e sempre sabia de tudo o que acontecia ao seu redor, o que me fez gostar ainda mais dela. A avó está prestes a completar 80 anos e está planejando uma grande festa para si mesma, e convence Lucy a voltar para a pequena cidade (e para o local do crime) para participar da festa. 



A vida de Lucy Chase está prestes a ficar muito mais frustrante e muito mais pública. A partir daí, o livro desenvolve com o retorno de Lucy à fictícia Plumpton, no Texas, e, entre o podcast de Ben Owens e o desvendamento de alguns segredos antigos da cidade (bem como algumas de suas próprias memórias), o que aconteceu com Savvy finalmente vem à tona. Lucy é uma personagem incrível, no fundo, ela é triste, frustrada e provavelmente deprimida, mas externamente sarcástica e reservada. Como Ben diz no podcast, "Lucy é extremamente sarcástica e às vezes parece leviana, mesmo em relação a assuntos sérios". Uma das coisas favoritas de Lucy é deixar as pessoas desconfortáveis, sugerindo que ela assassinou Savvy.

Apesar de tudo isso, ela está cansada dos joguinhos e se junta a Ben para descobrir o que aconteceu naquela noite. Tintera faz um ótimo trabalho ao desvendar o passado de Savvy e Lucy. Nada é o que parece, é claro. Segredos são revelados e mentiras descobertas.

O livro tem um bom equilíbrio entre suspense, mistério e humor, o que eu aprecio. Assassinato é obviamente um tema pesado, mas gostei da vozinha na cabeça da Lucy durante toda a história e da sua vontade de descobrir a verdade, mesmo que isso confirmasse seus piores medos.

sábado, 4 de julho de 2026

Resenha: Nosso final feliz / Ashley Poston

    Sabe a sua série de livros favorita? Os personagens, cenários, imagina se um dia, sem querer, depois de se perder com o gps e muita chuva envolvida, você simplesmente entrar na cidadezinha, que você tanto pensou e passou seu tempo nos últimos anos. É como viver um sonho. Você conhece as pessoas, os lugares e todos os detalhes.... será que isso é possível? ‘Nosso final feliz” nos leva para Eloraton, onde tudo é possível.

“Às vezes, um livro pode mudar nossa vida. É difícil explicar para alguém que não lê, ou que nunca sentiu o coração se envolver com força com uma história a ponto de praticamente se partir ao meio. Alguns livros são um consolo, outros, um alívio, outros são férias, lição, coração partido.”

Duas amigas e um vício: livros de romance. As duas não poderiam ser mais diferentes, mas desde crianças foram vivendo todas as etapas da vida juntas, se apoiando e tendo os livros como seus escudeiros. Prudence e Eileen acreditavam muito no amor e principalmente, amavam ler sobre o amor. E uma série de livros é a favorita das duas, ambientada numa cidadezinha pitoresca chamada Eloraton.

Elas participam de um clube do livro de romances, e anualmente tem uma reunião presencial. A vida da Eileen estava um caos e esse ano tudo o que ela precisava era um dia com seus amigos, tão fãs de romances quanto ela, ela ansiava por isso, e quando todo mundo tem imprevistos e ela é a única que com disponibilidade, ela decide ir sozinha. Pegar o carro e ir, pronto.

“A minha história não era interessante mesmo. Uma leitura de três estrelas no máximo.”

O que ela não poderia imaginar é que o gps seria tão difícil de entender e ela acabaria em uma cidadezinha que apenas nos seus sonhos mais doidos ela poderia conhecer.

Sim, ela chega na cidade fictícia, e estão todos ali, os queridos personagens por quem ela tanto torceu, ela está encontrando todos pela primeira vez, mas já os conhece há muito tempo.

Como isso pode ser real? Ela está na fictícia Eloraton.

E depois de um quase atropelamento, o carro dela fica com um problema, o que faz com que ela tenha que permanecer por lá. Em um primeiro momento, ela acha que é uma pegadinha, ou sei lá, será que ela morreu? Ou é tudo um sonho?

“Se aquilo era piada, era muito elaborada, até o ponto de as pessoas se parecerem com os personagens sobre quem eu tinha lido dezenas e dezenas de vezes, até as lombadas racharem.”

É o Anders que faz com ela perceba que o que está vivendo é real, pelos motivos: 1- ele não é um personagem dos livros, 2- ele é muito rabugento, tem uma energia que não combina em nada com Eloraton e 3- além de ser gatíssimo, também é dono de uma livraria. O que nem o Anders, nem a Eileen poderiam imaginar é que teriam tanto em comum e o principal, amavam a mesma série de livros.

“Toda a noção de que aquilo era errado, de que era proibido, de que no dia seguinte eu iria embora... sumiu da minha cabeça em um instante. Eu não estava nem aí. Toda leitora que conheço sempre quis cair nos braços de um namorado de livro, de um Darcy fictício, de um mocinho com um toque byroniano que fosse todo seu. E foi o que eu fiz.”

Eileen percebe que suas atitudes têm consequência para os personagens, mas que ali, são pessoas de verdade, será que a presença dela poderia estragar todos os finais felizes que ela já leu?

Como é possível errar o caminho e acabar perdida numa cidade fictícia? No começo da leitura fiquei me perguntando e ansiando por uma explicação, numa pegada meio ficção científica, fiquei pensamento que estar em Eloraton poderia ter uma explicação mais ‘técnica’, mas a verdade é que se perder em Eloraton é uma grande metáfora, se perder por lá é necessário para que Eileen se reencontre, depois de tudo que aconteceu com ela (que, acredite, foi dureza passar).

Além do romance e de conhecer personagens bem interessantes, esse livro é um presente para quem gosta de ler, é um livro sobre livros.

A identidade é uma grande questão no livro, não adianta se perder de si mesmo para agradar outra ou outras pessoas, certamente, um final feliz não será possível, já que não tem como viver sendo um personagem, viver dias repetidos, sem se arriscar e sem impor suas próprias vontades.

Romances são seguros, o final feliz sempre é garantido. Às vezes é mais fácil escolher viver através das páginas do que arriscar na vida real, mas ‘O nosso final feliz’ nos mostra que até mesmo um coração partido é melhor do que não viver nada.

E o amor, não é apenas romântico. Ele está presente em todas as relações, o amor por um amigo, amor pela família, por uma cidade, por uma série de livros. Você já arriscou ler um romance? Cuidado. Você pode acabar se apaixonando. 


Confira a resenha de outro livro da Ashley Poston: 

Sete anos entre nós

domingo, 28 de junho de 2026

Livro vs série: Eu vou te encontrar

 

Já assistiu? Já leu? Ou não se importa com spoilers? Chegou o momento! Aqui vamos comentar as principais mudanças e o que é igual no livro e na série, bem-vindos ao livro vs série.

Última chamada, spoilers abaixo!

 

Para quem já leu, os primeiros episódios são muito iguais ao livro, parece que estamos vendo as palavras ganharem vida, depois o que temos são mais expansões do que mudanças reais. Alguns personagens que tiveram pouca participação ganham mais espaço na série. E principalmente, o David recebe muito mais ajuda, no livro é ele contra tudo e todos, sozinho com um sonho de resgatar o filho, mas vamos aos detalhes:

 

🔓A foto e o anel

No livro, temos a foto na qual o Matthew aparece ao fundo, de mãos dadas com um homem misterioso, a virada se dá quando Rachel percebe que o tal homem, usa um anel de formatura, e com isso ela descobre ser o Hayden

Na série, não temos a reviravolta do anel. Rachel consegue mais fotos do evento e Hayden aparece com o Matthew nelas.

🔓Participação da Rachel

No livro a Rachel ajuda menos, o David sozinho resolve a maioria dos probelmas. Por exemplo, no livro, em Nova York, o David vai sozinho até a testemunha, já na série, Rachel tem a ideia de despistar os policiais pro David poder ir ao encontro da senhora.

No livro, a Cheryl usa o nome da Rachel na clínica de fertilidade e a Rachel sabe disso, mas não conta ao David, já na série a Cheryl usa o nome, mas sem que a Rachel saiba.

Tanto no livro, quanto na série a Rachel foi demitida do jornal depois de pressionar muito uma fonte, que acabou tirando a própria vida.


🔓Participação do Hayden

Em ambos, sabemos que ele é apaixonado pela Rachel e fará qualquer coisa por ela. Ele acreditou que era Rachel quem faria a inseminação e com isso, tentou engravidá-la.

No livro, ele tem menos participação, aparece em momentos cruciais. Já na série, ele está sempre presente e sempre ajudando, o que faz com que a reviravolta final seja ainda mais chocante, o bom moço é na verdade o nosso vilão.

 

🔓Max e Sarah

No livro, eles são colegas, na série são pai e filha. Ambas as dinâmicas são interessantes. Enquanto no livro, o Max é quem fica intrigado com o David e vai ajudá-lo, na série é a Sarah. Ela quem percebe que o caso é mais do que apenas uma captura de um fugitivo.

🔓Gambá

No livro ele aparece apenas para fazer a conexão entre o David e o Nicky Fischer. Já na série, ele aparece algumas vezes, e além de assassinar a Hilde, dá um tiro em si mesmo.

🔓Lenny


No livro, o pai do David está em estado vegetativo, é cuidado pela Sophie. Já na série, descobrimos que ele está doente, mas é uma pessoa funcional.

🔓Philip e Lenny

No livro e na série, os dois antigos parceiros têm em seu currículo questões controversas, eles forjaram provas que fizeram o filho do Nicky Fischer ser preso e acabar morto na prisão, Fisher os culpa, e ao descobrir que os dois encobertaram provas da cena do crime no caso do David, Fisher agiu, coagindo a Hilde como testemunha, usando dívidas de jogo.

🔓Adam

No livro, o filho do Philip é praticamente um irmão pro David, mas tem uma participação bem pequena, ele apenas ajuda na fuga da prisão. Ele é um policial bom moço.

Na série, além de ajudar na fuga, ele abre a cova do Matthew, para descobrir que estava vazia e também trabalha pro Fischer, o que deixa o David muito decepcionado. No final, Adam vira detetive particular.

🔓Cheryl e o marido


No livro, eles aparecem pouco, apenas em momentos pontuais. O David vai até a Cheryl no hospital a confrontar sobre a inseminação. O novo marido dela não tem envolvimentos suspeitos, só é meio chato.

Na série, a Cheryl aparece muito mais, desde o início com o jantar beneficente e o contato com a Gertude (no livro não há essa interação). A Cheryl é quem percebe que tem algo rolando no hospital e vai até a sala onde o David está escondido com a Rachel. 

🔓Gertude

No livro e na série, é uma senhora poderosa, que coloca a família em primeiro lugar independente de qualquer coisa ou pessoa, acredita que com o dinheiro é invencível e tem o Stephano como fiel escudeiro, no livro não temos informação sobre ele ser policial, na série ele possui um distintivo que é a forma que ele se esquiva.


🔓Policial da Suíça

No livro, o Hayden fez a troca dos meninos, mas não temos nenhum personagem de outro país.

Na série, conhecemos o policial, que viaja até os EUA em busca de respostas sobre o menino desaparecido no orfanato. Ele ajuda Sarah nas investigações, mas tem um final trágico, é assassinado quando vai confrontar os Payne.

 

🔓O final

Os finais são iguais, mas com sutilezas diferentes. Ambos terminam com o David encontrando o Matthew e ficando com a Rachel.

Mas no livro, o David resolve a grande parte do final sozinho. Ele vai escondido no carro da Rachel e se esconde no quintal, ele mata o Stephano e entra na casa. O Hayden, ao descobrir que o Matthew não é seu filho de sangue, que a Gertude mentiu, perde o interesse no menino. A cena, bem comovente, acontece quando os policiais chegam para atirar no David e o Matthew corre para protegê-lo. Gertude e Hayden permanecem vivos nesse momento, depois o Nicky Fischer avisa que irá equilibrar a balança, já que com dinheiro e advogados, os dois certamente iriam se safar.


No série, David e Sarah estão juntos no embate final, é ela quem mata os capangas e libera o caminho. Hayden descobre que o Matthew não é o seu filho, mata a Gertude e faz da Rachel sua refém. David consegue conversar com o Matthew e quando está colocando o menino no carro, Hayden chega e troca a Rachel pelo Matthew, tenta fugir de carro, mas Sarah atira no pneu, David corre atrás. Temos uma briga na floresta, Sarah chega e mata o Hayden. Muitas mortes nesse final. 

🔟O saldo do duelo livro vs série é muito positivo. Essa adaptação entra, sem dúvidas, para o rol de melhores adaptações até hoje. Todo o elenco é muito bom, e é muito fiel. O que tem de diferente, são mudanças que expandiram o universo, deram mais camadas aos personagens, usando as dinâmicas entre pais e filhos.