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domingo, 17 de maio de 2026

Resenha: Vestígios / Nicholas Sparks e M. Night Shyamalan

Sparks e Night se unem para nos presentear com uma história de amor paranormal. Um nos faz chorar e o outro nos dá sustos, um combo muito inesperado, mas que funciona muito bem. "Vestígios" é sobretudo sobre dar uma chance para as possibilidades da vida.

Viver é bem diferente de apenas "estar vivo". Você já se questionou se vive de fato ou apenas vai vivendo no automático, dia após dia, sem enxergar ou mesmo sem dar chance para viver momentos extraordinários?

Ou as vezes, tem aquela situação: é muito mais fácil apenas ficar no conforto daquilo que você já conhece, explorar o novo, o que quer que seja é muito desafiador, principalmente quando se trata do amor.

Trace é um arquiteto que nunca abriu uma porta para o amor. Depois de perder a irmã e ser internado em uma clínica de reabilitação, ele finalmente retorna a viver, mas com ressalvas, não procura o amor, pelo contrário, foge dele.


“A jornada da nossa vida é nossa, mas não seria melhor trilhá-la com alguém do nosso lado?”

Isso que é o contrário da forma pela qual sua falecida irmã vivia. Ela amava viver. Sabe uma daquelas pessoas que transborda vida? Ela era assim. E sempre pediu pro irmão para pelo menos não se fechar para a vida. Ela possuía um dom, que o irmão não acreditava muito, mas sempre confiou na irmã. Ela afirmava que conseguia ver e se comunicar com pessoas que já morreram (a la a parte do Night no livro kkkkkk).

Quando, Oscar, o melhor amigo do Tate, pede que ele faça o projeto de sua nova casa de veraneio, Tate topa o desafio. E se muda para uma cidadezinha. Aluga uma charmosa casa que fora uma pousada anteriormente, os caseiros afirmam que ele é o único hóspede, e primeiro em alguns anos, já que a propriedade está passando por uma disputa judicial.

Então quando Tate vê uma mulher fazendo yoga na sala, ele fica desnorteado. Quem é ela? Como entrou? Por que está fazendo yoga como se estivesse em casa? Ela é belíssima, super atraente e mais, o deixa tão confortável que ele acaba desabafando sobre sua vida e sobre a perda da irmã, bem, o que deixa ele muito surpreso, é o fato que ao falar com os caseiros sobre a presença da mulher, eles afirmam que não tem mais ninguém hospedado e além disso, quando Tate retorna a casa, todos os vestígios de que ela estivera ali sumiram....

Um mistério, que para quem conhece os roteiros do Night é um pouco previsível, mas não para o Tate, que custou a acreditar que estava se comunicando com um espírito, a belíssima Wren.

“Existe alguém que tem a chave para derrubar todas as suas defesas e, quando você encontrar essa pessoa, ela vai mudar sua vida para sempre.”

E o pior, ele vai se apaixonar, pela primeira vez. Bem, posso afirmar que essa é a história de amor do Sparks, mais impossível que já li.

A ganância e os suspeitos, Tate fica muito intrigado com a morte da Wren e resolve investigar por conta própria, chegando a 3 suspeitos. Um ex-marido que teria muito a ganhar herdando a propriedade, um sócio, que roubou dinheiro do negócio e um admirador, casado, mas que ficava a stalkeando, pedindo uma chance, Tate tem certeza que um deles é um assassino a sangue frio. E fará o que tiver ao seu alcance para revelar a verdade, nem que isso faça com que ele perca a própria vida.

É muito bonito ler e ir conhecendo tanto o Tate quanto a Wren, perceber que a vida é uma dádiva, que enquanto estamos vivendo no automático, constantemente esquecemos disso.

Amor, mistério e algumas pitadas paranormais, fazem de "Vestígio" um daqueles livros que ficam com a gente, que fazem a gente pensar e tendo Sparks no meio, é claro que o final (e até o começo comigo dessa vez) deixa a gente com lágrimas nos olhos.

Tudo aquilo que a gente nutre volta para a gente, de alguma forma, seja amor ou ódio, e o que é nutrido, cresce. Podendo nos transformar em pessoas melhores ou piores. O que você está nutrindo na sua vida?

“Às vezes, você só precisa de uma coisa para se agarrar a memórias que não quer perder.”

domingo, 23 de novembro de 2025

Resenha: Minha querida Paris / Lucy Diamond

Lucy Diamond assim como o nome já dá uma pista, escreve verdadeiras joias. Todo livro que leio dela me faz refletir sobre a minha vida, sobre a vida em geral e me inspira a viver. Esse não foi diferente, “Minha querida Paris” nos leva para cenários incríveis, mas a principal é viagem é para entender os próprios sentimentos.

“Nesta cidade tudo é possível. E o amor é sempre a resposta, eu acho.”

Como é morar no lugar onde todo mundo vai passear? Um lugar que é a viagem dos sonhos de todo mundo? Por um lado, pode ser um pesadelo, turistas para todo lado, tudo lotado o ano inteiro, preços superfaturados, mas por outro, há uma certa magia em morar num lugar que é o sonho realizado de muitas pessoas. Tudo depende do ponto de vista.

E ponto de vista é um tema bem recorrente no livro, nós habitualmente percebemos, pensamos ou presumimos de acordo o nosso ponto de vista, mas e se estivermos errados? E se a gente não olhou da forma correta, ou presumiu errado? 

Nossas protagonistas, Adelaide e Jess não poderiam ser mais diferentes. Jess é carinhosa, atenciosa, ama ajudar a resolver os problemas de todo mundo, Adelaide é amargurada, gosta de dar ordens e não se importa com os sentimentos dos outros. Aos poucos, vamos entendendo os motivos por cada uma ser dessa forma. 

Jess é uma jornalista de meia idade que sempre gosta de ajudar a todos, ela acolhe quem ela pode. Sendo mãe de três meninas, ela fizera um acordo com o marido, de que ela ficaria com as crianças ainda bebês, mas no futuro ele ajudaria mais.... bem, não é o que acontece. A carreira do marido deslancha, enquanto Jess está em casa desgastada por cuidar de tudo sozinha, quando as meninas, já estão mais crescidinhas, Jess pensa que enfim, o marido vai ajudar mais, e ela vai poder construir uma carreira, bem, não é bem o que acontece, ele tem um caso que é o estopim para o final desse casório. E ela se vê mais uma vez sozinha com as filhas. 

Quando chega uma proposta para que ela seja uma ghost-writer de uma biografia de uma artista famosa, ela não pensa duas vezes e aceita o desafio, que a leva para Paris.

Adelaide Fox, um nome que toda pessoa que é no mínimo admiradora de arte, já ouviu falar. Uma senhora, ela viveu muitas aventuras durante sua vida, mas agora está reclusa, suas obras estão num arquivo bagunçado (se é que se pode falar arquivo). Muitas pessoas ficam com medo dela, já que está longe de ser uma pessoa amigável, mas é muito admirada por todos que conhecem a sua história na arte.

No começo as duas não se dão bem, ocorre um grande mal entendido, mas aos poucos tudo vai se encaixando. Quando Adelaide começa a contar sua história para Jess, ela passa a olhar sua própria vida pelos olhos da Jess, o que é um tanto quanto transformador, mas para melhor ou pior? Durante a leitura, a todo momento ficamos preocupados, se essa parceira vai longe ou não. O objetivo de escrever uma biografia para Adelaide não é a mesma ideia de livro que a Jess está pensando...

Jess, quando mais jovem trabalhou em Paris com uma amiga, que sumiu misteriosamente. Ela também tivera uma paixão. Então, vai aproveitar suas folgas para tentar descobrir o que aconteceu com a amiga e reviver essa paixão, e descobrir a duras penas que as vezes é melhor deixar o passado no passado. 

O sobrinho da Adelaide, Luc, está cuidando do arquivo e acabou de terminar um relacionamento, nós rapidamente percebemos que rola um clima entre ele e a Jess, mas quando se trata do coração, só um clima nunca é suficiente. É divertido acompanhar os dois. 

As filhas da Jess têm pequenas participações, mas que são muito legais, a Jess se desdobra para ser a mãe que cada uma delas precisa, os problemas que ocorrem são muito reais, é muito um ‘quem nunca?’ a todo momento.

Viajar no tempo e descobrir o passado da Adelaide é emocionante, dos momentos felizes a tragédias, alguns trechos são difíceis de ler, e a gente vai entendendo porque ela ficou da forma que está, e olha, é muita coisa.  O que levo como lições são: 1 - Aceitar que o passado já passou; 2- Resolver mal entendidos (se valer a pena) e 3- Sorrir para vida.

A vida nada mais é do que um amontoado de dias, se a gente deixar, passam meses, anos e puft, o que você fez com a sua vida? Seja fazer uma viagem dos sonhos, comer um croissant, testar uma nova habilidade, assistir um por do sol, são esses momentos que fazem os dias valerem a pena. Se você fosse contar a sua história para uma biografia, você se lembraria do passado, com qual sentimento? Honrar a si mesmo, é o maior desafio dessa vida, viver de uma forma que a gente dê orgulho a nós mesmos. 


“Esse é o terrível endurecimento por que todos temos que passar quando se trata do amor, as surpresas desagradáveis que podem nos surpreender quando menos esperamos.” 

Confira as resenhas de outros livros da Lucy: 

O café da praia 

Os segredos da felicidade 

Uma noite na Itália 

A casa dos novos começos

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Resenha: O Burnout / Sophie Kinsella

Sophie Kinsella é a rainha das comédias românticas, pegar um de seus livros é ter a certeza de que você vai se identificar em algum aspecto com a personagem principal, vai rir demais com situações muito inusitadas e também vai ficar com o coração quentinho com o romance, ‘O Burnout’ tem tudo isso e se tornou um dos meus favoritos da Sophie.   

Burnout é um tema que está em discussão nos ambientes de trabalho, segundo o google a definição é: “um fenômeno exclusivamente ocupacional, resultante do estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente gerenciado”. E a Sasha está passando por essa situação, mas ainda não percebeu. A vida dela é o trabalho. Ela vive apenas para trabalhar, se afastou dos amigos, o último relacionamento que teve não deu certo e faz tempo que ela não tem interesse em ter outro, além de ter zero tesão, ela nem lembra que isso existe. Se alimenta mal e está muito sobrecarregada no trabalho.  

Ela trabalha em uma empresa que, em tese, era o seu sonho, mas a realidade é que é um pesadelo. Não tem funcionários suficiente, ela trabalha muito além do que deveria, sua caixa de e-mails é um caos e parece que ninguém se comunica corretamente, seu chefe direto não se importa com as demandas e quando ela comunica algum problema pedem que ela escreva no mural online ou participe de algum problema de bem-estar, que só vai fazer com que ela perca tempo, já que tem milhares de demandas com prazos e se ela não fizer ninguém vai e só de escrever tudo isso já fiquei ansiosa por ela.

“- Não sei. Sou bem avessa a riscos. Se tem uma coisa que não quero mesmo é fracassar.

- Então você acha melhor viver pela metade do que correr o risco de fracassar?”

A cereja no topo do bolo para que Sasha exploda foi descobrir por e-mail que uma pessoa pediu demissão, e assim ela teria ainda mais demanda. Sasha tem uma crise que envolve fugir para um convento, acredite se quiser e ainda bater de cara com uma parede, numa sequência que faz a gente rir, mesmo sendo super tenso.

A Sophie conseguiu explorar esse problema de saúde de uma forma muito leve, todo mundo sabe que é um perigo e que pode fazer com que a pessoa tenha crises e problemas de saúde gravíssimos e a Sophie deixa esse alerta nos mostrando os caminhos que podem nos levar a doença e para que fiquemos atentos aos nossos limites, que são necessários.

Bem, depois de todo um caos, a Sasha resolve viajar para a praia, um lugar que ela frequentava quando criança e além disso seguir passos de um aplicativo de bem-estar. E começamos a segunda parte do livro que envolve situações muito muito engraçadas, me diverti demais. Não vou dar spoilers, mas a maioria das situações que ocorrem na praia, desde o hotel onde ela se hospeda até ela tentando seguir os passos do aplicativo (que envolvem agachamentos, yoga e suco verde), são todos bons demais e a gente vai percebendo que ela está se reconectando consigo mesma. 

E por fim, quando um hóspede, Finn, chega ao mesmo hotel e eles tem que dividir a praia, a princípio os dois viram inimigos, parecem que são completamente opostos, mas aos poucos vão se entendendo e percebem que podem ter muito mais em comum do que imaginavam. 

A praia ainda guarda mistérios, envolvendo mensagens enigmáticas escritas na areia e também uma obra de arte, o passado da Sasha e do Finn se conecta sem que eles pudessem imaginar e eles percebem que ser o que precisam um para o outro, mas será que a vida fora da praia vai permitir essa conexão? 

Um professor de surfe, muito experiente, que é um personagem bem relevante no livro tem o seguinte lema: “o lance é viver o momento”, é essa é a maior lição desse livro. 

“Quer saber por que você levou um caldo?

- Quero. Me diz. Por quê?

- Porque você tentou. Você tentou, minha querida. E isso te coloca acima da maioria das pessoas. Acredite em si mesma. Você vai conseguir.”

 

domingo, 24 de agosto de 2025

Resenha: O dilema da noiva / Elena Armas

Bem amigos de Green Oak, estamos de volta! E agora sem futebol, entramos no mundo dos casamentos, relações públicas e podcasts, vale tudo por um furo? 

Josie nunca teve um pai presente. Sempre foi ela e sua mãe contra o mundo, quando sua mãe faleceu, ela só não se sentiu totalmente sozinha porque tinha Green Oak, a cidadezinha que ela tanto ama e a ama de volta. E também o avô emprestado, Vovô Moe, que faria qualquer coisa para o bem-estar da Josie. 

No livro "Amor em jogo" descobrimos que Josie é irmã da Adalyn e essa novidade cai como uma bomba, como assim? O pai delas, Andrew, não é uma pessoa fácil de lidar.

E como se não bastasse ser filha de um cara muito rico e famoso, Josie tinha em seu histórico, não um, ou dois, ou três, mas quatro noivados que deram errado, então quando vem à tona que o Andrew tinha uma filha "escondida" e ela tinha esse passado, os canais de fofoca ficam aficionados e a vida da Josie vira um caos por causa das Relações Públicas, tudo para preservar a imagem do Andrew.

Precisa ler o ‘Amor em jogo’ para entender ‘O dilema da noiva’? Não. Maaas, eu garanto que a leitura do dilema vai ser muito mais prazerosa, se ler o amor antes. Porque assim a gente já conhece os personagens e vamos ver consequências do final do ‘amor em jogo’. 

“Coisas bonitas não devem ser colocadas em caixinhas. Elas acabam perdendo o brilho.”

Situações muito engraçadas

Uma das cenas iniciais envolve a Josie, um anel, geleia e muita sujeira, a partir daí já percebi qual seria o tom do livro e como ele seria divertido e não estava enganada, ri a bessa durante a leitura das situações muito inusitadas que acontecem.

Casamento de mentirinha

Um fake dating, ou melhor um fake wedding, é bem óbvio constatar, sendo esse um livro de romance, que o casal vai acabar se apaixonando né. Em um momento do livro eu fiquei me questionando se não estava acontecendo tudo rápido demais, mas lá pro final tem uma reviravolta envolvendo uma troca de mensagens que fez tudo fazer sentido.

Josie e Matthew

Alguém falou química? Esses dois são a tabela periódica inteira! Eles combinam muito! O jeito de levar a vida com leveza, de fazer brincadeiras, ver beleza nas coisas mais simples e estar disposto a amar. Que casalzão! É impossível não torcer por eles. A Elena Armas sabe como criar personagens masculinos como ninguém, aquela máxima de homens criados por mulheres serem os melhores nunca falha. O Matthew é um sonho. 

Babado real

Podcasts de fofoca sobre a vida das pessoas. Será que a gente precisa mesmo saber detalhes sobre a privacidade das pessoas? Eu particularmente não consumo e não sou fã de podcasts, fiquei bastante irritada com o podcast do livro, onde ficam fuxicando a vida da protagonista. Ela nunca foi famosa e nem queria fama, mas do nada vê suas próprias fotos expostas em páginas com milhares de seguidores.

Fiquei incomodada em alguns momentos com o podcast e com o fato da Josie não se impor, colocar sua vontade em segundo lugar em prol de um pai que nunca fez questão de ter ela em sua vida, um lado meu entende, ela queria fazer tudo pra agradá-lo, mas fiquei irritada em alguns momentos.

Outro ponto que sempre me irrita em romances em geral são cenas de sexo onde não usam camisinha. O uso de anticoncepcional não livra ninguém de doenças sexualmente transmissíveis, acho bem chato romantizar o não uso, quando teria zero problema só ter um "pega a camisinha amor" e fim de papo. 

Escutar x ouvir

Muita gente nos escuta, mas quem de fato nos ouve? 

Pensar sobre isso foi um dos pontos altos do livro pra mim. Muita gente julgava a Josie por "ter fugido" do altar muitas vezes, mas quem foi lá entender as razões dela? E mais, o quão corajosa a Josie é, de continuar tentando. Desistir sempre é o caminho mais fácil, acreditar no amor e ter esperança exige força e coragem (lembrei do discurso do padre de Fleabag, amor não é para os fracos).

“Me explica seu processo. Despeja tudo. E não deixa de fora isso aí que tá te deixando com essa testa enrugada. Quero saber de todos os seus pensamentos confusos.”

“Quero ouvir sobre você. Do que você gosta, do que não gosta, suas paixões, seus medos, o que faz você sorrir e o que te deixa triste. Depois eu vou fazer a mesma coisa.”

É um livro muito gostoso de ler, para quem curte comédias românticas tem a medida certa de tudo que esperamos encontrar: um homem por quem vamos nos apaixonar durante a leitura, uma protagonista por quem a gente vai torcer e sentir um pouquinho de vergonha alheia e um final para deixar a gente suspirando.


“Talvez dizer eu te amo devesse mesmo parecer muito impactante. Fazer com que a gente se sinta nua. Exposta. Tão impactante que a gente morre de medo de se machucar. Tão forte que ninguém pode nos tocar. Talvez o amor devesse mesmo deixar uma marca.” 


Confira a resenha dos outros livros da Elena Armas:

Amor em jogo

Uma farsa de amor na Espanha

Um experimento de amor em Nova York

terça-feira, 20 de maio de 2025

Resenha: Sete anos entre nós / Ashley Poston

    Imagina chegar em casa e se deparar com um estranho, que também mora lá, só que 7 anos antes de você, o que você faria? Isso mesmo, você viajou para o passado. E agora? O que você faria? E se, você se apaixonasse pelo estranho?

Esse não é apenas mais um livro de romance. É um livro sobre a vida e como se apaixonar faz parte dela, como se apaixonar é necessário pra que a gente queira viver, se apaixonar por uma pessoa, por um lugar, por um apartamento, por uma refeição, pela vida. E como é fácil a gente perder esse encanto na correria que o dia a dia nos impõe. Como é fácil a gente se perder de nós mesmos e só ir sobrevivendo sem de fato viver.

“Mire na Lua”

Esse era o principal conselho da tia da Clementine. Sempre mirar naquilo que parece impossível, mire nos sonhos, viva e lute até conquistá-los, não se importe com o que os outros pensem ou nas consequências. Mude de ideia, dance na chuva, ela era esse tipo de pessoa. Sua tia sempre foi sua melhor amiga, parceira de aventuras e viagens, graças a ela que Clem tinha um passaporte de dar inveja.

“Minha tia sempre dizia: se você não se encaixa num ambiente, engane todo mundo até se encaixar.”

Quando Clem ainda era uma criança, sua tia lhe contou que o apartamento onde morava era mágico, que fazia viagens no tempo, Clem ficou cética, mas a tia afirmou que era verdade e que naquele apartamento haviam apenas duas regras: 1- sempre tirar os sapatos na porta e 2- nunca se apaixonar. Por mais que a jovem Clem tentasse e pedisse, o apartamento nunca a fizera viajar no tempo.

Muitos anos depois, ao descobrir que a tia faleceu e deixou o apartamento para ela, Clem perde o chão. Ela estava vivendo meio que no automático, tinha um bom emprego, no qual era reconhecida, suas duas melhores amigas eram também suas colegas de trabalho, quanto a vida amorosa, ela terminou com o último namorado, depois que ele ficava exigindo prioridade. Estava tudo bem ao mesmo tempo que não estava, faltava alguma coisa.

Iwan, o estranho 

Desculpa Clem, mas eu também me apaixonei por ele. Um sonhador que queria honrar o avô em busca da refeição perfeita.  Depois de percorrer diferentes caminhos, aos vinte e poucos anos, ele decidiu ir atrás do seu sonho de ser um grande chef, entrou para faculdade e buscava um emprego num restaurante. 

Um dia, Clem é acordada por um estranho, no apartamento está tudo igual, mas diferente. Não tinha ali seus móveis, era como se fosse o apartamento antigo da tia, com o sofá que ela tanto usava. Em um primeiro momento, Clem não entende o que está acontecendo e exige que ele vá embora, mas quando cai a ficha de que finalmente ela estava vivendo a tal magia do apartamento, ela não conseguiu evitar, e deixou que o estranho ficasse lá. Iwan. Esse é o nome dele, que tem um sorriso torto, um olhar penetrante e apelidado a Clem de ‘Limãozinho’, por uma cara meio azeda que ela fazia quando ficava repleta de pensamentos. 

A conexão dos dois é incrível, eles conversam, se entendem, parece um match perfeito, os dias passam, Clem chega em casa e tudo está igual, mas diferente, seus móveis voltaram, mas Iwan sumiu.

“Isso era amor, não era? Não era só uma quedinha, era se apaixonar várias vezes pela sua pessoa. Era se apaixonar quando ela se tornava uma pessoa nova. Era aprender a existir a cada novo fôlego. Era algo incerto e inegavelmente difícil, que não dava para se planejar. O amor era um convite para o desconhecido selvagem, um passo de cada vez, juntos.”

Ela está 7 anos na frente, será que ele do futuro vai se lembrar dela? Será que ele ainda é o mesmo que ela conheceu? Em 7 anos muita coisa pode mudar pro bem ou mal. Por que ele não a procurou no futuro ou no passado? Será que eles irão se ver novamente? O apartamento tem vontade própria e só ativa a magia quando quer, ou melhor quando ela é necessária. Durante a leitura ficamos nos perguntando quando vai acontecer novamente, quando eles vão se reencontrar, o que ela vai falar, o que ele vai pensar.

O luto

O fato de o livro também ser sobre como lidamos com o luto me tocou muito, de forma muito sútil, mas muito forte, a autora nos mostra como é difícil lidar com a perda de uma pessoa amada, não tem um manual. A morte acontece e a vida continua, é muito estranho ver que uma pessoa amada se foi e o dia continua, você precisa almoçar, você precisa atravessar uma rua, tudo permanece, ao mesmo tempo que tudo está diferente.

“A vida nem sempre é como nós planejamos. O truque é aproveitar ao máximo quando as coisas saem do nosso controle.”

Se você se encontrasse com você mesmo de 7 anos atrás, o que diria? O seu ‘eu’ do passado estaria orgulhoso do que você conquistou no presente? Todo dia somos pessoas diferentes, cada escolha, cada rua que atravessamos é um caminho diferente pro nosso destino. "E se" a gente tivesse feito isso ou aquilo, o hoje seria diferente, o fato é que tanto o passado quanto o futuro estão além do nosso controle, o que sabemos é o hoje. E a cada dia, somos diferentes e temos a oportunidade de fazer novas escolhas, isso é de fato um presente.

Esse livro me fez refletir tanto, me fez sorrir, me fez chorar, deixou meu coração quentinho, fez com que eu quisesse me apaixonar, nunca mais verei: tortas de limão, pombos e guias de viagem da mesma forma. Sou uma pessoa diferente depois de ler esse livro, entrou para o rol dos meus livros favoritos.

“Às vezes, as pessoas que você amava abandonavam você no meio de uma história. Às vezes, abandonavam você sem se despedir. E às vezes continuavam presentes nas pequenas coisas. Na lembrança de um musical. No cheiro do perfume delas. No som da chuva, na vontade de viver uma aventura.” 

domingo, 29 de dezembro de 2024

Resenha: Com o coração nas nuvens / Catherine Walsh

    Escolhi que esse seria meu último livro do ano e não poderia ter feito uma escolha melhor, que livro gostoso de ler, me diverti tanto lendo. Aproveitei para ler durante uma viagem, e ri sozinha sentada no aeroporto esperando meu voo, da Molly e o Andrew vivendo uma história de amor entre voos e aeroportos.

Quando um livro recebe o selo "Romances de hoje" da Arqueiro, eu já sei que irei curtir. Todos os livros da coleção são muito maravilhosos, são romances, nos quais a gente já sabe desde o início que o casal principal vai ficar junto, mas o que mais importa é a jornada deles até o 'final feliz', que dependerá muito de questões internas dos próprios personagens, conflitos, escolhas (que nos fazem refletir sobre nossas próprias vidas) e não apenas achar um par romântico. 'Com o coração nas nuvens' faz parte dessa coleção. 

E se você descobrisse que a sua amiga estava planejando terminar com o namorado, pior, que ela estava traindo o cara, sendo que ele era super legal e amava o Natal, e ela planejava terminar com ele bem no Natal. Você descobre dos planos da sua amiga assim que vai pegar um voo com justamente e totalmente sem querer, o tal namorado, o que você faria? 

É assim que Molly e Andrew se conectam, os dois sempre viajam para casa para passar o Natal em família, ao longo do livro vamos descobrindo todas as aventuras e confusões que os dois viveram durante 10 anos de amizade e 10 diferentes viagens que eles fizeram juntos.

Molly é viciada no trabalho, é uma advogada de sucesso, que ganha muito bem, tem um apartamento legal, mas não está nenhum pouco confortável nessa profissão, já que não tem vida de verdade, ela nunca ligou muito pro Natal, viaja só para cumprir tabela mesmo, sua família são seus pais e sua irmã, pra quem ela sempre leva um presente muito inusitado. Por outro lado, o Andrew ama o Natal, sua família é grande e barulhenta, eles fazem questão de viver intensamente cada segundo do feriado, ele nunca perdeu um Natal em família, sempre vai viajar muito empolgado.

“– Você às vezes fica com vontade de gritar? Já teve um dia ruim em que tudo errado, e a única coisa que você queria fazer era levantar e dar um grito?

- Acontece umas três ou quatro vezes por semana.”

Mas exatamente na data que os dois estão comemorando dez anos de amizade/voos, e a Molly preparou um upgrade para primeira classe como comemoração, uma tempestade faz com que todos os planos deles fossem por água abaixo. Voos cancelados, é impossível atravessar o Atlântico EUA-Europa, e a partir daí eles começam uma jornada para conseguir chegar em casa, atravessando países e fusos horários.

E conforme vão ultrapassando desafios, percebem que só conseguem fazer o que estão fazendo porque estão juntos e mais, se esforçando um pelo outro. É o de amigos a amantes todinho, se prepare para as mais bonitas declarações de amor que chegam quando os dois percebem que se amam. 

Entre o passado e o presente nós vamos conhecendo-os e descobrindo todas as situações inusitadas pelas quais eles já passaram. O presente é a grande jornada que eles farão para conseguir remediar a tal tempestade e o passado são os últimos 10 voos. 

“- Eu estou bem. Sério, já estou tão acostumada a ficar sozinha que nem sei se vou gostar quando encontrar alguém com quem realmente queira ficar. Não tenho certeza se eu ainda sei me abrir desse jeito.

- Eu não quero saber da sua vida sexual.

- Estou falando em termos de compromisso, palhaço.”

Gostei muito do livro e pra além do romance fofinho, temos também muitas reflexões: sobre o que faz do Natal o Natal, é a família? São os presentes? Ou apenas a presença de quem a gente ama?; Sobre escolhas profissionais, vale a pena viver longe de todo mundo que você ama pelo emprego dos sonhos? E se o emprego dos sonhos na verdade for um pesadelo? Dá pra mudar a rota do sonho no meio do caminho? E por fim, até quanto conhecemos aqueles que amamos, até quanto nós compartilhamos ou compartilham com a gente os conflitos pelos quais estão passando? Tudo isso é trabalhado no livro de forma leve e no meio de muitas passagens super divertidas.

“- Não é algo tão improvável assim. As coisas aconteceram depressa demais. Em geral a gente conhece um cara, rola um clima, e aí a gente passa um tempo se conhecendo melhor. Pra ver se dá certo. Assim fica parecendo que a gente avançou a passo de lesma durante dez anos e de repente, pá.

- Pá? Alguém pisou na lesma?”

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Resenha: Contando milagres / Nicholas Sparks

Ser feliz é algo que a gente pode esquecer de como se faz? O quão resiliente uma pessoa pode ser no meio de diversas tragédias? Até onde a fé de alguém consegue resistir? 

É quase inexplicável dizer tudo o que o Sparks faz a gente sentir durante a leitura de um de seus livros. "Contando milagres" me deixou com muitas lágrimas nos olhos em muitos momentos e por diferentes motivos. 

Os personagens são muito cativantes, a gente fica com vontade de saber mais sobre eles o tempo todo, é muito fácil se apegar e torcer por cada um deles. 

Jasper é um senhorzinho que vive recluso numa cabana na entrada da floresta ao lado do seu fiel escudeiro Arlo, um doguinho que assim como ele, já estava com a idade avançada. O passado do Jasper é repleto de tragédias e a sua própria pele conta histórias. Ao ouvir rumores de que um cervo branco foi avistado na floresta, ele acredita que é um sinal e que precisa proteger o animal dos caçadores, o que vai fazer com que ele coloque a sua própria vida em risco. 

“Eu não acredito que milagres aconteçam para pessoas como nós. Pelo menos não os verdadeiros milagres”

Tanner está acostumado com uma vida nômade, atuou pelo exército durante toda sua vida, tanto devido sua escolha profissional e a do seu avô, que também militar foi destacado para Europa quando ele era ainda um bebê. Criado pelos avôs, Tanner perdeu a mãe no parto e só conheceu ela através das lembranças compartilhadas pelos avôs. Ele volta para casa para cuidar da avó, que estava doente e surpreendentemente ela conta a ele o último paradeiro que soube do seu pai. Com essa informação Tanner embarca numa busca por suas raízes. Ele não poderia imaginar que seria uma batida de carro que mudaria toda a sua jornada.

“As traves do gol não estavam simplesmente se movendo; elas estavam, o tempo todo, sendo deslocadas para estádios inteiramente diferentes.”

Kaitlyn é uma médica que ama a sua profissão, divorciada e com dois filhos, Casey e Mitch, ela ainda consegue horário para fazer visitas domiciliares aos pacientes que não podem se locomover facilmente. É uma vida repleta de desafios, tanto no consultório quanto com os filhos, a Casey, adolescente dedicada e um pouco rebelde, como é normal pra idade e Mitch um menininho bastante curioso e interessado por animais.

“Enterrando o rosto no travesseiro, ela começou a chorar, sabendo que estava tudo acabado antes mesmo de ter a chance de começar.”

A vida da Kaitlyn e do Tanner se cruzam quando a Casey bate no carro dele. E o que seria um contato burocrático para resolver um problema, desperta segunda intenções tanto na Kaitlyn quanto no Tanner.

O fato é que ela não estava em busca de uma relação, fazia muito tempo desde a última vez que ela tentou e nem tinha tempo para isso. Enquanto ele estava ali de passagem, um romance estava longe dos seus planos. A atração que um sente pelo outro é palpável, mas será que vale a pena arriscar uma aventura?

Os capítulos são alternados entre Tanner, Kaitlyn e Jasper, ao longo do livro vamos acompanhando o que o destino reserva para cada um deles. Tem alguns momentos que dá vontade de pular um capítulo só para ler o que vai acontecer em seguida com o outro personagem.

É um livro muito inspirador e tocante, tem diversas citações bíblicas, já que ao embarcarmos no passado do Jasper descobrimos que o seu pai fora um pastor e com isso, as lições bíblicas eram uma constante na vida dele. É muito bonito ler sobre a fé que o pai dele tinha e que de certa forma passou para o filho. 

A maior lição que eu posso tirar desse livro é me perguntar: quais milagres eu estou contando? Quais milagres a gente decide contar? A vida em si já é um milagre né, mas é muito mais fácil a gente contar só as coisas ruins, seja contado aos amigos em um desabafo ou mesmo fazendo nossos saldos pessoais. Sparks com esse livro nos incentiva a contar os milagres seja se apaixonar, reencontrar o seu próprio passado, ser salvo por um desconhecido ou até mesmo avistar um cervo branco. 

“Então, eu me lembro que ter um coração partido também quer dizer que houve um tempo em que ele não estava partido, quando meu coração era leve e completo. Amar trouxe alegria e significado à minha vida, e eu não teria trocado esse amor por nada no mundo.” 


Confira resenhas de outros livros do Sparks: 

No seu olhar 

O Milagre 

Noites de tormenta 

Almas gêmeas 

O desejo 

O retorno 

Primavera dos sonhos 

Dois a dois

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Resenha: Amor em jogo / Elena Armas

Futebol e amor podem combinar? E se a gente adicionar uma cidadezinha, um time infantil, uma cabra e duas gatinhas? Ah, não podemos esquecer de um chalé pitoresco. Esses são alguns dos componentes desse jogo. Adalyn e Cameron vão descobrir que o amor pode estar em jogo onde eles menos esperam.

Quem ama o clichê de inimigos a amantes? Elena Armas trouxe esse casal que procurava tudo menos amor, mas foi através do amor que eles conseguiram encontrar a si mesmos, nada como um coração quentinho para conseguir enxergar melhor outros aspectos da vida né?

“O amor é um jogo engraçado, mi amor. Não existem regras e, por mais que a gente se esforce para ganhar, de um jeito ou de outro nosso coração sempre está em risco.”

Adalyn Reyes sempre foi uma mulher independente, decidida e nunca precisou de ninguém. Ela consegue resolver sozinha todos os seus problemas, não precisa de ninguém, muito menos de um homem, ela sempre pensou. Seu objetivo era honrar o império do seu pai e conseguir se tornar presidente do time Miami Flames, até que ela viu todos os seus anos de trabalho duro escorrem pelos seus dedos, quando em um momento de impulsão ela soca o mascote do time e pior, filmam a cena, pior, o vídeo viraliza....

Mas o que fez com ela ela fizesse isso? Qual será que foi a sua motivação? Deve ter sido algo muito grave, né? Ela vai guardar esse segredo por quase todo o livro e quando nós descobrimos é emocionante e também dá raiva, sou do time também socaria o mascote nessa situação.

Com o vídeo viralizado e a reputação do time em queda, o presidente e também pai da Adalyn não vê outra opção senão o banimento da própria filha. Ele dá uma missão a ela: conseguir ume história de superação em um time pequeno que era patrocinado pelo Flames. Se ela conseguisse, poderiam divulgar na mídia e limpar a imagem, dela e do time. Ela aceita a missão sem nem pensar duas vezes e sem nem pesquisar o lugar e muito menos o time.

Em Green Oak, Cameron Caldani estava vivendo em paz, não totalmente, porque foi forçado a ser treinador do time da cidade, mas ele estava conseguindo se manter anônimo, que era seu principal objetivo ali: ter uma vida normal. Ele era ex-goleiro, um jogador profissional de futebol e muito conhecido para os fãs do esporte, mas por motivos que só ele sabe e vai demorar para que ele se sinta confortável para compartilhar, ele decidiu se aposentar e fugir dos holofotes. O que ele não poderia imaginar era encontrar Adalyn no seu quintal. 

Os capítulos são intercalados, ora narrados por ele, ora por ela. Então nós leitores somos privilegiados e sabemos tudo que eles estão sentindo e faz com que fique muito divertido ler também. 

Em um primeiro momento eles se odeiam e toda hora um coloca o outro em situações complicadas. Ficam se tratando mal e sempre tem alguma coisa para implicar com o outro. Mas conforme o tempo passa a implicância vai se tornando outra coisa, que os dois terão dificuldade de aceitar: estão se apaixonando.

Adalyn nunca quis o título de ‘Donzela em perigo’, ela podia resolver tudo sozinha afinal, mas ela vai entender que poder resolver é diferente de precisar resolver. Não tem problema nenhum ter alguém ao seu lado para ajudar, isso não a diminui, ela não precisa estar se provando o tempo todo, pode relaxar e deixar que cuidem dela, como ela nunca imaginou ser possível. Ao mesmo tempo que Cameron percebe que ele não precisa de um muro tão alto para afastar todas as pessoas que querem se aproximar dele, nem todos querem o astro do futebol, querem apenas o Cam. O desafio para os dois será confiar um no outro e em si mesmo, mas será que compartilhar os segredos quem esconder pode destruir tudo? 

“- Você estava me olhando exatamente como agora. Bem assim. E eu não queria que você parasse.

Suas palavras saíram suaves, quase um sussurro:

- Assim como?

- Como se eu fosse preciosa. Como se valesse a pena prestar atenção em mim.

Cameron fechou a cara.

- Por que você pensaria o contrário?

- Porque ninguém nunca me olha assim.”

Preciso destacar tanto Green Oak, quanto o time de futebol infantil composto por meninas de 9 anos de idade, meninas muito fofinhas, com personalidades muito diferentes, envolvendo goleira com medo da bola, tutu de balé no meio do uniforme, uma cabra, mas muita força de vontade e amor, as meninas podem ter lições pros adultos, que não conseguem, as vezes enxergar o que está na frente deles, devido a tantas preocupações e inseguranças. Deu muita vontade de estar lá com eles torcendo para o time que sempre perdia, enquanto tomava uma bebida quente da Josie, enquanto os moradores todos se reúnem para torcer e se ajudam em problemas cotidianos.

Além do romance que deixou meu coração muito quentinho (e sonhando com um Cameron Caldani), o livro também tem questões sobre saúde mental, sobre entender que a vida não é só uma correria insana que pode nos dar crises de pânico, as vezes a gente quer tanto se provar e no final nem sabe muito bem o porquê ou para que, será que vale mesmo a pena? A vida é também sobre estar com quem a gente ama, observar estrelas ou mesmo salvar uma cabra esquisita e ganhar abraços de crianças. São esses momentos que fazem tudo valer a pena.

“O amor nunca é o problema. O amor é fácil, como nos filmes. A gente é que complica.”


Confira as resenhas de outros livros da Elena Armas

Um experimento de amor em Nova York

Uma farsa de amor na Espanha

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Resenha: A filha cubana / Soraya Lane

    ‘A Filha Cubana’ é o segundo livro da série ‘Filhas perdidas’ e nele como o título já anuncia, iremos viajar para Cuba e que viagem gostosa. Soraya Lane faz a gente ter vontade de arrumar as malas imediatamente e correr para explorar o mundo, bem, se não dá para fugir da realidade no mundo real, podemos viajar pelas páginas.

O livro, assim como o primeiro da série, é dividido em dois tempos. O tempo presente, que é ambientado em Londres e os anos 1950 em Cuba. A premissa da série ‘As filhas perdidas’ envolve um mistério: caixinhas com pertences de jovens grávidas que eram amparadas e acolhidas na ‘Hope’s House’ foram descobertas. E elas revelam que crianças foram adotadas no passado e agora as descendentes irão atrás de respostas.

Em Londres nos dias atuais e com uma caixinha misteriosa conhecemos a Claudia. Ela descobre que sua avó, que já faleceu, foi adotada. Sua avó nunca chegou a saber disso. Na caixinha há apenas duas pistas: um brasão e um cartão de visitas, com a ajuda de seu pai, Claudia descobre que o brasão é de uma das famílias mais imponentes de Cuba, os Diaz. 

“Os segredos sempre têm os próprios meios de serem revelados, o passado não consegue ficar escondido por muito tempo.”

Nos anos 1950, em Cuba, somos apresentados à Esmeralda Diaz. Seu pai é um dos mais ricos do país e possui um império com a exploração do açúcar. A família é ao mesmo tempo invejada e reverenciada por todos. Esmeralda é a filha mais velha e favorita, o pai sempre é muito amoroso com ela, e ela segue todas as orientações dele. 

Em Londres, Claudia decide que apenas viajando até Cuba ela conseguirá obter respostas. A vida dela tinha acabado de ter uma grande reviravolta que fez com que ela largasse o emprego dos sonhos, terminasse com o noivo perfeito e decidisse trabalhar com reformas imobiliárias, então não tinha nada que a prendesse no território inglês. 

Enquanto isso, no passado, descobrimos que Esmeralda irá embarcar para Londres, a convite do pai, ela irá acompanha-lo para fechar um acordo grandioso envolvendo o açúcar. 

O que nenhuma das duas poderia imaginar é que o amor iria encontrá-las pelo caminho.

“No instante em que o vi, assim que meus olhos encontraram os dele, eu soube que estaria em apuros.”

Claudia chega em Cuba com a missão de descobrir mais sobre a família Diaz e qual é o envolvimento deles com sua avó. Por um acaso do destino, ela esbarra num morador local e muda sua estadia, ela acredita que se hospedando em uma residência familiar terá mais chances de encontrar respostas e estava certa, mas Cuba teria mais que respostas. E o amor chega na vida dela através do Mateo, um charmoso cubano, chef de cozinha, que faz Claudia sentir o que não havia sentido por muitos anos: viva e amada. Mas é só um romance de férias, certo?

Em Londres, Esmeralda finalmente entende porque as meninas amavam dançar com rapazes específicos, pela primeira vez em sua vida seu coração bate em um compasse diferente, ao conhecer Christopher, simplesmente o inglês que iria intermediar o acordo comercial. Esmeralda, uma moça de família, nunca poderia ter envolvimento algum com ele, certo?

Uma história de amor e uma paixão avassaladora, Claudia e Esmeralda vão descobrir em períodos diferentes do tempo, que as consequências de seguir ou não o coração, podem ser devastadoras... 

A leitura me fez pensar em três perguntas: Qual é o seu emprego dos sonhos?  Vale a pena atender as expectativas da sua família, mesmo em detrimento daquilo que você quer? Se entregar ou não ao amor? É muito difícil respondê-las e as histórias das personagens nos fazem refletir que não há respostas certas. 

Largar um emprego pelo qual você lutou, ou um emprego que te dê muito status, mas que não é nenhum pouco saudável por um emprego que você irá conseguir ter uma vida além do trabalho? E se sua família colocasse muita expectativa em você, você é o modelo a ser seguido, mas é essa a vida que você quer? Nunca tomar uma decisão por conta própria, sempre depender dos outros? E o amor, será que é melhor se arriscar e viver ou ficar apenas nos sonhos? Ou mesmo, é possível confiar nas pessoas que você ama? Será que o amor será suficiente? 

Além da deliciosa viagem pelos cenários deslumbrantes e paradisíacos, além do mistério envolvendo a caixinha e as conexões, o livro também me fez refletir bastante sobre escolhas.

“O coração é uma coisa surpreendente. De uma forma ou de outra, ele sempre se cura” 


Confira a resenha do primeiro livro da série: 

A filha italiana

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Resenha: Três chances para o amor / Lyssa Kay Adams

    Colton e Gretchen não poderiam ser mais diferentes e as diferenças culminam no Natal, é como se ele fosse um "Quem" de Quemlândia, e ela o próprio Grinch. Mas assim como no filme de Natal, em Três Chances para o amor, vamos perceber que a maior importância dessa data comemorativa é estar rodeado de amor, amar e ser amado. 

    Para quem nunca leu nenhum livro dessa série, “Três chances para o amor” é o livro 5 do Clube do livro dos homens. Nesse clube, homens leem romances como se fossem verdadeiros manuais e assim conseguir entender melhor seus próprios sentimentos e serem pessoas melhores para quem eles amam. Cada livro é a história de amor de um dos participantes do clube, todos os livros são muito divertidos e deixam nosso coração quentinho. E em todo livro temos capítulos do livro que os caras estão lendo no clube, é como se estivéssemos lendo com eles. 

    Minha indicação é a leitura na ordem, assim vamos conhecendo cada personagem e revendo eles nas participações especiais, que ficam ainda mais legais. Nós já conhecemos ambos Colton e Gretchen de livros anteriores, ela teve inclusive um relacionamento frustrado com um dos caras do clube. 

30 milhões ou o amor da sua vida?

Para Colton Wheeler a resposta é fácil: amor, sem nem pensar duas vezes. 

Um astro da música country, ele tem muito dinheiro, muita fama, muitas mulheres fariam qualquer coisa por ele, mas ele se apaixonou logo por uma que não quer nada com ele. Apesar de todo mundo achar que a vida dele é perfeita, as coisas não estavam assim tão boas, 2 anos sem lançar músicas novas, sem inspiração e sofrendo pressão constante da gravadora, isso só vai mudar quando ele encontrar a sua musa inspiradora.

“Ser famoso não é como as pessoas pensam. Quanto mais famoso, mais solitário. Todo mundo diz que o adora, mas só quer exibi-lo para os outros.”

A advogada de imigração, Gretchen não é conhecida pelo seu senso de humor, muito pelo contrário, o mal humor reina em sua vida, ela tem uma carreira bem sucedida, apesar disso não significar riqueza, ela acredita que faz algo que faz diferença no mundo. A reviravolta vai ser descobrir sobre a família dela, ela é herdeira de uma das famílias mais tradicionais, logo tem muita grana e por que será que ela não diz nada sobre isso?

“Você só precisa parar de desejar que pessoas que nunca vão te dar valor um dia acordem e implorem para você ficar.”

Logo descobrimos que a sua família nunca se esforçou para ser de fato uma família pra ela, mas quando surge uma oportunidade de conseguir algo que faria diferença com a grana da família e o único empecilho, seria contar com a ajuda do Colton, ela não pensa duas vezes antes de ir atrás dele.

E a condição do Colton é que ela aceitasse ter encontros com ele, mais especificamente encontros natalinos. É muito divertido ver o Colton se esforçando para que algum espírito de Natal apareça para a Gretchen. E enquanto isso, os dois ficam tentando fingir que não sentem nada um pelo outro.

A solidão é um dos temas presentes no livro, aquilo do estar rodeado de gente e mesmo assim ser sozinho, ter todo dinheiro possível e não ser feliz. As vezes uma fortuna pode estar escondendo muita coisa. O status social não garante integridade, um personagem vai deixar isso muito claro durante a leitura. 

O que é família pra você? O clube do livro dos homens é uma família, os caras se apoiam, mostram suas vulnerabilidades, lutam um pelo outro e dizem verdades que ninguém mais teria coragem, é muito legal ver e acompanhar cada um deles ao longo desses 5 livros. 

“Não importava que não fossem parentes. Eram uma família em todos os outros aspectos. O tipo de família que se provocava, se abraçava, trocava presentes e apertava as crianças uns dos outros. O tipo de família que comemorava o Natal junta.”

O livro da vez do clube: "Uma noite fria de inverno", um casal que se conhece quando cai uma nevasca braba e eles terão que passar dias dividindo a mesma casa, casa essa que ela quer vender, enquanto ele quer mostrar que a casa representa muita História e não pode ser simplesmente vendida pra quem paga mais.

“- Por que aquele cara, o Simon, se preocupa tanto com o que ela vai fazer com a própria casa?

- Você vai descobrir. Só continue lendo.

- Mas ele está me irritando. Se eu não descobrir logo porque o cara é tão obcecado com isso, vai ser difícil entender por que a mulher se apaixonaria por ele.

- Porque é um trope literário: Grumpy/Sunshine.

- Um o quê?

- É um tema clássico recorrente em romances. Um personagem é alegre e de bem com a vida, o outro é sério e rabugento. A única pessoa que consegue fazer o rabugento sorrir é o bem-humorado, e a única pessoa que consegue fazer o bem-humorado olhar profundamente para si mesmo é o rabugento.”

Ambos "Uma noite fria de inverno" e "Três chances para o amor" têm o mesmo trope e é bem legal e engraçado ver a Gretchen percebendo que ela é a Grumpy do rolê, enquanto ele o Sunshine. Mas descobrir isso vai criar uma série de questões para ela, será que ela é mesmo a pessoa certa para um cara tão positivo e alto astral como o Colton?

Algo que já é marca registrada de todos os livros é o momento do “grande gesto romântico”, aquele momento decisivo para o casal ficar junto, e aqui vai envolver o Vlad (um cara gigante, atleta e russo) vestido de Papai Noel, um jatinho, um disfarce e muita humilhação.

“ – Vou levar minha roupa de Papai Noel – disse Vlad.

- Hum, por quê? – perguntou Noah, hesitante.

- Porque este é um grande gesto romântico de Natal. Tem que ter alguém vestido de Papai Noel.”

Inseguranças, traumas, medos, tudo isso é do ser humano né, mas as vezes a gente esquece e quer se cobrar como se ter uma insegurança não fosse algo normal. Em uma das passagens, a que eu achei mais emocionante do livro, ambos protagonistas, jogam suas inseguranças em cima um do outro, e esse vai ser aquele momento desafiador: será que o amor deles é tão forte assim? E preciso assumir que bate uma aflição porque o livro está quase no fim #LyssaQueroMeuFinalFeliz, será que veio ai pro Colton e a Gretchen?


Confira as resenhas dos outros livros da série

Clube do Livro dos Homens

Missão Romance

Estupidamente apaixonados

Absolutamente romântico

Três chances para o amor

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Resenha: A filha italiana / Soraya Lane

 Itália, vinhos, avelãs e destino. Uma viagem entrelaçando presente e passado. Duas mulheres. Dois sonhos e dois amores. Soraya Lane nos presenteia com a Lily e a Estee em um romance que nos faz suspirar, ficar com o coração apertado tanto de felicidade quanto de dor, num cenário deslumbrante. Separa um chocolate e um lencinho para embarcar nessa leitura onde o único perigo é se apaixonar. 

    ‘A filha italiana’ é o primeiro livro da série ‘As filhas perdidas’, que promete nos levar para viajar para diversos lugares do mundo. Unindo presente, passado, segredos e amor. Partiu Itália?

No prólogo, em 1946 somos apresentados a um casal, Felix e Estee, eles estão em um impasse, se amam, mas parece que tem uma outra mulher envolvida, é um prólogo de apenas uma página que nos dá muitas perguntas e curiosidade.

Nos dias atuais, em Londres, conhecemos a Lily, ela está de volta em casa depois de uma viagem de trabalho na Nova Zelândia, ela trabalha como vinicultora, tem muita experiência e acabou de receber uma proposta para trabalhar como assistente durante a colheita numa vinícola na Itália, então foi em casa só de passagem mesmo.

Mas eis que o destino tinha outros planos...

Ela vê uma carta direcionada à sua falecida avó, e curiosa, acaba indo numa reunião em um escritório de advocacia, lá ela descobre que sua avó fora adotada, ela recebe uma caixinha que havia ficado na instituição privada ‘Hope’s House’ para mulheres solteiras e seus bebês, então já podemos deduzir que os próximos livros serão das outras herdeiras das caixinhas. Na caixinha direcionada a sua avó, Lily encontra duas folhas de papel, uma com letras datilografadas e referência ao Teatro ala Scalla e outra com um texto escrito à mão. E com essas pistas sobre o seu próprio passado, Lily embarca para a Itália. Será que ela vai conseguir desvendar esse mistério?

“Ela nunca havia acreditado em destino, mas talvez existisse algo assim, afinal”

Voltamos ao passado, e conhecemos a jovem Estee, ela sonha em ser bailarina, sua mãe exige muito dela, ela não tem tempo de lazer e por vezes tem até mesmo que passar fome para manter o peso “certo”. Então, quando os caminhos dela se cruzam com os do adorável Felix, ela finalmente consegue ter uma espécie de refresco em sua vida. Dançar sempre foi sua paixão e foco, através da dança ela poderia mudar seu destino e a vida de sua família, todos contavam com ela, é um peso bem grande para uma criança carregar. E com o Felix, ela poderia ser uma criança, uma menina descobrindo o amor, além dele sempre levar doces para ela. Mas o destino novamente irá agir e tinha outros planos para os dois... e eles se afastam.

Enquanto isso no presente Lily chega à Itália e conhece uma vinícola incrível, da família Martinelli, todos são muito acolhedores e a tratam como se ela fosse da família, e ela conhece também o Antonio, o filho mais velho e gatíssimo do seu empregador Sr. Roberto, ele mostrando todos os lugares a ela, a faz pensar no conselho que sua mãe a havia dado, para aproveitar a vida, mas ela nunca gostou de misturar o trabalho com amor, e se der errado? Mas o que custa aproveitar um pouco? Que indecisão, e quanto mais ela conhece Antonio, mais percebe que eles combinam em diversos aspectos.

“Para mim, produzir vinho não é um trabalho, é um estilo de vida”

O fato é que Lily sempre foi muito focada no seu trabalho, em sua vida não havia espaço para ninguém, já que ela deveria seguir seu sonho profissional, mas será que esse sonho era dela mesmo? Depois que seu pai faleceu, ela prometeu honrar sua memória, mas será que acabou perdendo a si mesma nesse processo? Conhecer mais o Antonio e conviver com os Martinelli faz com que ela se questione. E é apenas quando ela descobrir toda a história do passado de sua família e que ela irá conseguir seguir o seu coração.

No passado, os caminhos de Estee e Felix cismam em se cruzar, será o destino? E após a Segunda Guerra Mundial, eles voltam a se encontrar, ele afirma que fará qualquer coisa por ela, a família dele não a aprova, ele é prometido a outra, e Estee não aceita ser uma amante, será que o amor vai ser suficiente? Será que vale a pena Estee largar sua carreira? O destino não será muito bondoso com os dois, ambos terão perdas dolorosas, e será que irão conseguir enfim ficar juntos?

“Por mais que ela continuasse a dizer para si mesma que deveria esquecê-lo, isso era impossível.”

Fica bem óbvio que a história da Estee e da Lily se conectam em algum ponto, durante a leitura eu fiz várias teorias e chutei bem errado até entender qual era a conexão. Teve momentos que meu coração ficou muito apertado, teve momentos muito agridoce, que faz a gente ter vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo. 

Dois pontos que quero destacar: o livro é de fato uma viagem muito gostosa, conhecemos vários lugares da Itália, que inclusive fui dando um Google ao ler e foi bem legal ler vendo os lugares, e também gostei que não tem cenas hot, não é sobre isso sabe? A Soraya Lane consegue nos mostrar que ‘ei, eles tiveram uma noite de amor’, sem precisar de páginas e páginas de descrição, o que pra mim foi super positivo.  

Sonhos, realizações e amor, será que é possível termos tudo isso? Estee e Lily nos mostram que por mais planejada que nossa vida esteja, tudo pode sair dos eixos e com isso, a gente possa encontrar um caminho ainda melhor que o planejado. ‘A filha italiana’ faz a gente ter vontade de viver, por mais difícil que alguns dias possam ser, viver de verdade, sempre vale a pena. 

“Não podemos deixar que ninguém leve embora os nossos sonhos. Às vezes temos que tomar nossas próprias decisões, mesmo que não sejam as que os outros tomariam por nós.”

terça-feira, 6 de junho de 2023

Resenha: Odeio te amar / Ali Hazelwood

 ‘Odeio te amar’ é um livro com 3 contos, são 3 amigas: Mara, Hannah e Sadie, elas se conheceram na pós-graduação e se tornaram inseparáveis. Cada conto é narrado por uma delas, mas as histórias se conectam e elas estão em contato o tempo todo, então é como se nós leitores fossemos um quarto membro nesse trio de amigas e elas estão nos contando como se apaixonaram. 

A passagem do tempo é uma característica presente em todos os contos começam com o presente, que é o clímax da história, nosso casal protagonista está lá a segundos de se entregarem um pro outro, assumindo o que sentem, mas então voltamos ao passado para entender como eles chegaram naquele ponto.

Temos um monte de referências nerds, situações e problemas envolvendo ciência, de questões ambientais à exploração de Marte. Vou contar um pouquinho sobre cada conto, ah e é possível adquirir o e-book de cada um deles individualmente, é uma ótima forma para conhecer a autora Ali Hazelwood, mas ‘Odeio te amar’ tem o bônus do capítulo extra, que é um presente da Ali e narrado pelo Liam, Erik e Ian, os pares das nossas protagonistas.


Sob o mesmo teto - Mara e Liam

Ela é cientista ambiental. Ele advogado de uma corporação de combustíveis fósseis. Eles são forçados a dividir uma casa. É divertido esperar quem vai ceder primeiro.


É possível encontrar o seu próprio lar em uma outra pessoa? Mara e Liam mostram que sim. Eles foram forçados a vier na mesma casa e a princípio não conseguiram se entender sobre nenhum assunto, até que começam de fato a se conhecer e descobrem que têm mais em comum do que poderiam imaginar. 

A Mara não tem raízes e imaginava que a casa poderia significar algo mais pra sua vida, Liam via na casa um lugar de memórias e reconforto. O fato é que uma casa é só um monte de tijolos, são as pessoas que a transformam num lar. E eles vão descobrir que podem construir um, juntos.

“Olho para ele, noto a maneira como esse homem praticamente preenche o batente da porta e ordeno ao meu coração que não dispare. Ele o faz mesmo assim, e dá até uma aceleradinha extra só para me mostrar quem é que manda por aqui. Meu coração é um babaca” 


Presa com você - Sadie e Erik

Uma queda de luz e você fica presa no elevador com a única pessoa que você não queria ver nem pintado de ouro.

Você se considera uma pessoa supersticiosa? Se existir uma carteirinha do clube de pessoas supersticiosas, com certeza a Sadie com certeza ganharia uma. E é a sua superstição que faz com que os caminhos dela e do Erik se cruzem. 

E tudo começa com um croissant. Bem, na verdade O croissant, já que Sadie acreditava que suas reuniões importantes só davam certo se ela comesse tal salgado, ocorre que Erik compra o último e como nem é tão gostoso assim, ele cede pra ela.

Conversa vai, conversa vem, e é match atrás de match, eles descobrem que combinam em diversas coisas, mas um mal entendido corporativo coloca tudo em risco.

Será que eles vão ceder um pro outro e arriscar dizer o que sentem? Se colocar nessa posição de vulnerabilidade nunca é fácil.

“Depois de semanas de raiva intensa, às vezes assassina, com frequência melancólica, eu finalmente disse a Erik que preferia correr o risco de cair em um poço de elevador – estilo imperador Palpatine em O retorno de Jedi – a passar mais um minuto com ele. E, pela forma como seus lábios se contraíram, ele realmente detestou ouvir isso.”


Abaixo de zero - Hannah e Ian

O início literalmente debaixo do gelo com a queda da Hannah numa espécie de fenda, e ao longo do conto nos perguntamos o que vai acontecer com ela.

E voltamos 5 anos atrás. O Ian é um parente distante da Mara, ele trabalha na NASA. Onde Hannah sempre sonhou em trabalhar e ela precisava entregar um trabalho que consistia numa espécie de entrevista. O Mara faz a ponte e os dois ficam atraídos um pelo outro, por diversos motivos.

Mas Hannah não está em busca de relacionamentos, quer apenas algo causal e quando ele a convida para jantar, ela declina. Ela acha que é mais fácil não se envolver com ninguém, ela não se sente suficiente pra ninguém, pensa que se a conhecerem melhor, vão logo desistir dela.

Vão passar 5 anos e a superação de um belo de mal entendido para enfim eles conseguirem perceber que se amam.

“Eu quero transar com você. É óbvio. Sempre quis. Eu só não quero transar com você uma vez. Quero várias vezes. Por muito tempo. Quero que você recorra a mim pra isso, mas também quando precisar de ajuda com o imposto de renda e pra trocar os móveis de lugar. Quero que transar seja apenas uma das milhões de coisas que faço por você” (O Ian arrasou nessa declaração, né?)

Livros de romance sempre são previsíveis, a gente sabe desde o início que o casal vai ficar junto. Sim, os livros da Ali têm finais felizes pros casais, mas as jornadas deles são muito interessantes, além de divertidas. Mulheres independentes, cientistas bem sucedidas, que não estavam procurando amor, não precisam de amor para ‘completá-las’, mas o amor faz com que a vida delas seja melhor ainda, mais feliz e é essa a função do amor, né?

Em ‘Odeio te amar’ ainda temos a amizade das meninas que torna o livro, apesar de ser dividido em 3 contos, contínuo. Já que as personagens são citadas lá e cá e vamos descobrindo mais sobre elas, entendendo mais, torcendo e rindo com elas. E quando todos os personagens se encontram parece quase uma festa de final de ano com nossos melhores amigos. 

Confira resenhas dos outros livros da Ali:

A hipótese do amor

A razão do amor