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domingo, 17 de maio de 2026

Resenha: Vestígios / Nicholas Sparks e M. Night Shyamalan

Sparks e Night se unem para nos presentear com uma história de amor paranormal. Um nos faz chorar e o outro nos dá sustos, um combo muito inesperado, mas que funciona muito bem. "Vestígios" é sobretudo sobre dar uma chance para as possibilidades da vida.

Viver é bem diferente de apenas "estar vivo". Você já se questionou se vive de fato ou apenas vai vivendo no automático, dia após dia, sem enxergar ou mesmo sem dar chance para viver momentos extraordinários?

Ou as vezes, tem aquela situação: é muito mais fácil apenas ficar no conforto daquilo que você já conhece, explorar o novo, o que quer que seja é muito desafiador, principalmente quando se trata do amor.

Trace é um arquiteto que nunca abriu uma porta para o amor. Depois de perder a irmã e ser internado em uma clínica de reabilitação, ele finalmente retorna a viver, mas com ressalvas, não procura o amor, pelo contrário, foge dele.


“A jornada da nossa vida é nossa, mas não seria melhor trilhá-la com alguém do nosso lado?”

Isso que é o contrário da forma pela qual sua falecida irmã vivia. Ela amava viver. Sabe uma daquelas pessoas que transborda vida? Ela era assim. E sempre pediu pro irmão para pelo menos não se fechar para a vida. Ela possuía um dom, que o irmão não acreditava muito, mas sempre confiou na irmã. Ela afirmava que conseguia ver e se comunicar com pessoas que já morreram (a la a parte do Night no livro kkkkkk).

Quando, Oscar, o melhor amigo do Tate, pede que ele faça o projeto de sua nova casa de veraneio, Tate topa o desafio. E se muda para uma cidadezinha. Aluga uma charmosa casa que fora uma pousada anteriormente, os caseiros afirmam que ele é o único hóspede, e primeiro em alguns anos, já que a propriedade está passando por uma disputa judicial.

Então quando Tate vê uma mulher fazendo yoga na sala, ele fica desnorteado. Quem é ela? Como entrou? Por que está fazendo yoga como se estivesse em casa? Ela é belíssima, super atraente e mais, o deixa tão confortável que ele acaba desabafando sobre sua vida e sobre a perda da irmã, bem, o que deixa ele muito surpreso, é o fato que ao falar com os caseiros sobre a presença da mulher, eles afirmam que não tem mais ninguém hospedado e além disso, quando Tate retorna a casa, todos os vestígios de que ela estivera ali sumiram....

Um mistério, que para quem conhece os roteiros do Night é um pouco previsível, mas não para o Tate, que custou a acreditar que estava se comunicando com um espírito, a belíssima Wren.

“Existe alguém que tem a chave para derrubar todas as suas defesas e, quando você encontrar essa pessoa, ela vai mudar sua vida para sempre.”

E o pior, ele vai se apaixonar, pela primeira vez. Bem, posso afirmar que essa é a história de amor do Sparks, mais impossível que já li.

A ganância e os suspeitos, Tate fica muito intrigado com a morte da Wren e resolve investigar por conta própria, chegando a 3 suspeitos. Um ex-marido que teria muito a ganhar herdando a propriedade, um sócio, que roubou dinheiro do negócio e um admirador, casado, mas que ficava a stalkeando, pedindo uma chance, Tate tem certeza que um deles é um assassino a sangue frio. E fará o que tiver ao seu alcance para revelar a verdade, nem que isso faça com que ele perca a própria vida.

É muito bonito ler e ir conhecendo tanto o Tate quanto a Wren, perceber que a vida é uma dádiva, que enquanto estamos vivendo no automático, constantemente esquecemos disso.

Amor, mistério e algumas pitadas paranormais, fazem de "Vestígio" um daqueles livros que ficam com a gente, que fazem a gente pensar e tendo Sparks no meio, é claro que o final (e até o começo comigo dessa vez) deixa a gente com lágrimas nos olhos.

Tudo aquilo que a gente nutre volta para a gente, de alguma forma, seja amor ou ódio, e o que é nutrido, cresce. Podendo nos transformar em pessoas melhores ou piores. O que você está nutrindo na sua vida?

“Às vezes, você só precisa de uma coisa para se agarrar a memórias que não quer perder.”

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Resenha: Contando milagres / Nicholas Sparks

Ser feliz é algo que a gente pode esquecer de como se faz? O quão resiliente uma pessoa pode ser no meio de diversas tragédias? Até onde a fé de alguém consegue resistir? 

É quase inexplicável dizer tudo o que o Sparks faz a gente sentir durante a leitura de um de seus livros. "Contando milagres" me deixou com muitas lágrimas nos olhos em muitos momentos e por diferentes motivos. 

Os personagens são muito cativantes, a gente fica com vontade de saber mais sobre eles o tempo todo, é muito fácil se apegar e torcer por cada um deles. 

Jasper é um senhorzinho que vive recluso numa cabana na entrada da floresta ao lado do seu fiel escudeiro Arlo, um doguinho que assim como ele, já estava com a idade avançada. O passado do Jasper é repleto de tragédias e a sua própria pele conta histórias. Ao ouvir rumores de que um cervo branco foi avistado na floresta, ele acredita que é um sinal e que precisa proteger o animal dos caçadores, o que vai fazer com que ele coloque a sua própria vida em risco. 

“Eu não acredito que milagres aconteçam para pessoas como nós. Pelo menos não os verdadeiros milagres”

Tanner está acostumado com uma vida nômade, atuou pelo exército durante toda sua vida, tanto devido sua escolha profissional e a do seu avô, que também militar foi destacado para Europa quando ele era ainda um bebê. Criado pelos avôs, Tanner perdeu a mãe no parto e só conheceu ela através das lembranças compartilhadas pelos avôs. Ele volta para casa para cuidar da avó, que estava doente e surpreendentemente ela conta a ele o último paradeiro que soube do seu pai. Com essa informação Tanner embarca numa busca por suas raízes. Ele não poderia imaginar que seria uma batida de carro que mudaria toda a sua jornada.

“As traves do gol não estavam simplesmente se movendo; elas estavam, o tempo todo, sendo deslocadas para estádios inteiramente diferentes.”

Kaitlyn é uma médica que ama a sua profissão, divorciada e com dois filhos, Casey e Mitch, ela ainda consegue horário para fazer visitas domiciliares aos pacientes que não podem se locomover facilmente. É uma vida repleta de desafios, tanto no consultório quanto com os filhos, a Casey, adolescente dedicada e um pouco rebelde, como é normal pra idade e Mitch um menininho bastante curioso e interessado por animais.

“Enterrando o rosto no travesseiro, ela começou a chorar, sabendo que estava tudo acabado antes mesmo de ter a chance de começar.”

A vida da Kaitlyn e do Tanner se cruzam quando a Casey bate no carro dele. E o que seria um contato burocrático para resolver um problema, desperta segunda intenções tanto na Kaitlyn quanto no Tanner.

O fato é que ela não estava em busca de uma relação, fazia muito tempo desde a última vez que ela tentou e nem tinha tempo para isso. Enquanto ele estava ali de passagem, um romance estava longe dos seus planos. A atração que um sente pelo outro é palpável, mas será que vale a pena arriscar uma aventura?

Os capítulos são alternados entre Tanner, Kaitlyn e Jasper, ao longo do livro vamos acompanhando o que o destino reserva para cada um deles. Tem alguns momentos que dá vontade de pular um capítulo só para ler o que vai acontecer em seguida com o outro personagem.

É um livro muito inspirador e tocante, tem diversas citações bíblicas, já que ao embarcarmos no passado do Jasper descobrimos que o seu pai fora um pastor e com isso, as lições bíblicas eram uma constante na vida dele. É muito bonito ler sobre a fé que o pai dele tinha e que de certa forma passou para o filho. 

A maior lição que eu posso tirar desse livro é me perguntar: quais milagres eu estou contando? Quais milagres a gente decide contar? A vida em si já é um milagre né, mas é muito mais fácil a gente contar só as coisas ruins, seja contado aos amigos em um desabafo ou mesmo fazendo nossos saldos pessoais. Sparks com esse livro nos incentiva a contar os milagres seja se apaixonar, reencontrar o seu próprio passado, ser salvo por um desconhecido ou até mesmo avistar um cervo branco. 

“Então, eu me lembro que ter um coração partido também quer dizer que houve um tempo em que ele não estava partido, quando meu coração era leve e completo. Amar trouxe alegria e significado à minha vida, e eu não teria trocado esse amor por nada no mundo.” 


Confira resenhas de outros livros do Sparks: 

No seu olhar 

O Milagre 

Noites de tormenta 

Almas gêmeas 

O desejo 

O retorno 

Primavera dos sonhos 

Dois a dois

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Resenha: Primavera dos sonhos / Nicholas Sparks

 "O amor e o sofrimento são dois lados da mesma moeda."

Eletrizante. Em alguns momentos do livro a gente até prende a respiração com a expectativa do que virá pela frente. Parece que os capítulos vão se encurtando enquanto a gente só quer saber o que vai acontecer e como tudo vai se conectar.

Duas narrativas totalmente diferentes e aparentemente desconectadas.

De um lado temos o Colby, ele é um jovem fazendeiro, apesar de nunca ter sonhando trabalhar na roça, como ele mesmo diz, a vida acabou o levando nessa direção. Sua paixão é a música, ele se perde e se reconecta consigo mesmo através de suas composições. Pela primeira vez, desde muito tempo, ele consegue tirar uns dias de férias e o que ele não poderia imaginar é que encontraria o amor.

“Desde o momento que nos conhecemos, foi como se... a gente se encaixa de alguma forma... como quando você coloca o número certo no cadeado.”

Do outro temos a Beverly, ela está fugindo. De um marido abusivo e de uma vida de mentiras, ela foge da casa "perfeita" e “confortável” com seu pequeno filho, o Tommie. A todo momento ela acredita que de alguma forma o marido irá aparecer para tirar o filho dela. Dá muito nervoso ler e pensar o que vai acontecer com ela se o marido a encontrar.

“Olhando para trás, ela sabia que deveria ter ido embora naquele instante. Deveria ter compreendido que Gary era um cameleão, um homem que aprendera a esconder seu verdadeiro eu. Ela não era ingênua; tinha assistido a reportagens de TV e lido matérias em revistas sobre homens abusivos. Mas o desejo de acreditar e confiar havia sobrepujado seu bom senso.”

As histórias vão se aprofundando, as partes do Colby são narradas em primeira pessoa, enquanto as da Beverly em terceira. E ao final de cada parte dá aquela vontade de dar uma espiada na próxima, já que são intercaladas entre os dois.

Ao mesmo tempo que vamos suspirando com o Colby se apaixonando, vivendo dias como se fossem um sonho, regados a muita música. Vamos prendendo a respiração a cada relato da Beverly, um pesadelo, com muita correria, medo e falta de grana. 

A forma pela qual tudo se conectou me pegou de surpresa, mesmo tendo diversas pistas ao longo do livro, eu só fui perceber quando tudo foi desvendado.

Um problema de saúde mental é trabalhado pelo Sparks no livro, não direi qual e nem qual personagem terá que passar por esse desafio, vou dizer apenas que toda a situação e vivenciar essa doença nos deixa com o coração na mão e com muita empatia.

 “– Eu odeio ser defeituosa. Odeio não conseguir controlar nem mesmo o que eu penso.

- Você não é defeituosa. Foram apenas alguns dias ruins que bagunçaram o esquema. Todos temos dias ruins.”

Outro ponto que eu achei muito interessante no livro e é algo que com certeza ficará comigo, foi o conceito de ‘dias nublados’, sabe aqueles dias que a gente só tem vontade de chorar, que não importa o que a gente faça, o que a gente veja ou quem apareça, as coisas só estão “nubladas” e essas nuvens metafóricas podem ser mais densas ou não, mais escuras ou não, acho que todo mundo já teve um dia “nublado”, o que é normal, o desafio, assim como do personagem do livro, é não torná-los constantes em nossas vidas. 

Os livros do Sparks sempre me fazem questionar o que é o amor e me dão choque de realidade sobre como a vida pode ser ou se tornar complicada e como a gente não controla nada, a não ser os nossos sonhos.

A quote que usei para iniciar a resenha é o que rege todo o livro, amor e sofrimento. Apesar de um não significar o outro, esses dois sentimentos estão quase sempre conectados, e nem apenas quando se trata do amor romântico, qualquer tipo de amor nos deixa totalmente vulneráveis, querendo ver quem a gente ama bem e quando as coisas fogem do controle, que é o que acontece quase sempre, vem o sofrimento. E nem por isso, amar deixa de ser algo fundamental nas nossas vidas.

Preciso dizer que ele conseguiu mais uma vez, terminei de ler com lágrimas nos olhos e a garganta apertada, mas com o coração totalmente quentinho, obrigada Sparks! 


Confira outras resenhas do Sparks: 

domingo, 9 de janeiro de 2022

Resenha: O desejo / Nicholas Sparks

 Garganta seca. Lágrimas nos olhos. Coração apertado. Vontade de abraçar o livro... pelos sintomas o diagnóstico foi determinado: mais um livro do Sparks finalizado! E ele conseguiu de novo! "O desejo" é aquele livro que vai nos envolvendo devagarzinho, entre o passado e o presente conhecemos Maggie e com ela aprendemos a lição: o amor deve sempre ser mais forte que o medo.

Sparks é um mestre em nos fazer chorar e dessa vez não foi diferente, “O desejo” é sobre amor, reconciliação e sobre a vida. Nunca nada é simples ou fácil, já que a gente não pode controlar o futuro e as vezes acontecem tantas coisas ao mesmo tempo que somos obrigados a apenas seguir o fluxo. 

Maggie é uma fotógrafa excepcional, viveu uma vida fotografando lugares pelo mundo e agora descobriu um câncer terminal, o que vamos descobrindo ao longo do livro é que na sua adolescência ela viveu outra vida e viveu um amor verdadeiro ao lado do maravilhoso Bryce.

Ela criou um canal no youtube para contar sobre a doença e todos os desafios e com o sucesso do canal, suas fotos ficaram mais famosas, fazendo com que a galeria que ela dividia com outro artista atraísse mais gente e com isso precisou contratar um novo funcionário.

E é através desse funcionário, o Mark, que vamos sabendo mais sobre o passado dela. Aos poucos eles ficam amigos e ela se sente confortável de contar sua história a ele, tal como se estivesse escrevendo num diário. O mais legal é que quando ela termina uma parte da história ficamos igual ao Mark querendo saber mais e cheio de perguntas. 

“Enquanto me virava e revirava na cama, me dei conta de que o amor era a mais poderosa das emoções, porque tornava a pessoa vulnerável à possibilidade de perder tudo o que realmente importava.”

E no passado conhecemos Ocracoke, uma cidadezinha da Carolina do Norte onde Maggie vai morar por um período de sua adolescência e lá conhecemos o Bryce, que no começo era apenas o seu professor particular, mas a relação entre eles vai evoluindo de uma forma que nenhum dos dois esperava. E eles acabam vivendo uma linda história de amor. Esse farol abaixo é de lá e tem uma super importância na história, enquanto no presente passeamos por Nova York no período de Natal. 





“Sempre levamos nós mesmos para onde formos.”

Tal como em nossas próprias vidas o "e se" faz parte da vida da Maggie, ela me ensinou que o amor é o sentimento que nos faz viver a vida de verdade, seja o amor de qualquer forma: pelos nossos familiares, pelos amigos, e ou amor romântico. 

Apesar de já conseguir deduzir o final, o livro não é sobre ser surpreendido por uma reviravolta, mas sim nos dar uma série de lições sobre a vida e o quão preciosa e fugaz ela pode ser. Não posso dizer que não fui surpreendida em um dos pontos da história da Maggie, afinal, por mais que a gente leia vários livros do Sparks e já espere pelo drama, um lado nosso sempre se apega aos personagens e fica torcendo por um final feliz, mas ler Sparks nos faz ressignificar os finais felizes que estamos acostumados. 

A gente tem prazo de validade e sempre esquece disso né. Toda vez que leio Sparks fico reflexiva sobre minha vida, minhas escolhas e como o tempo que nós dedicamos àqueles que amamos é o melhor presente que podemos dar a alguém.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Resenha: O Retorno / Nicholas Sparks

Nicholas Sparks é o mestre em fazer a gente sentir. Seja com um drama pesado, seja com acidentes, doenças, vidas trágicas e principalmente com o amor. ‘O Retorno’ mostra que por mais difícil que seja a vida, por mais escuro que seja o caminho, sempre vai ter espaço para o amor. Não tem um tempo certo ou um momento calculado, ele pode aparecer sem que a gente nem perceba, Sparks diz apenas: se agarre no amor.

Trevor estava passando por um período bem complicado, ele é médico cirurgião ortopedista, mas após servir à Marinha foi vítima de um atentado, que além de deixar sequelas físicas, também fez com que ele tivesse que mudar de profissão e ter que lidar com o estresse pós-traumático. Quando ele é avisado que seu avô sofreu um ataque cardíaco durante uma viagem e estava no hospital, ele não pensa duas vezes e vai ao encontro de seu avô. 

“Quem fica realmente curado quando se trata de saúde mental ou emocional? A vida tem reviravoltas radicais, e esperanças e sonhos mudam à medida que as pessoas entram em fases diferentes da vida.”

Seu avô era a sua única família, e após lhe dizer palavras confusas no leito do hospital, o deixa sozinho. Ele tem então que cuidar da casa do avô em New Bern, uma cidadezinha da Carolina do Norte e também de suas abelhas, já que seu avô era um famoso apicultor daquela região, com uma produção totalmente artesanal. Trevor tem boas memórias de sua infância e dos dias que passou com seu avô, nos quais ele lhe ensinou toda a importância das abelhas para a sobrevivência dos ecossistemas.

“Ao longo dos anos, comecei a acreditar que família é como sombra em dia de sol, sempre lá, nas costas, seguindo-nos em espírito, não importa onde nos encontremos ou que estejamos fazendo. Está sempre conosco.”

Trevor conhece Natalie Materson, uma policial, que ao fazer uma ronda de rotina descobre que Trevor está na casa do avô, ele sente uma atração inexplicável pela policial, e não perde tempo em tentar se aproximar dela. 

Natalie guarda um segredo, ela não se abre muito, deixa sempre Trevor falar. O que será que ela esconde? Será que ela sente o mesmo que ele sente por ela? Ao mesmo tempo em que se aproximam, em que vamos vendo o atração de Trevor virar amor, não sabemos se Natalie vai embarcar junto com ele nesse relacionamento.

Trevor está empenhado em descobrir por que seu avô estava fazendo uma viagem tão distante de casa, qual era o objetivo dele? Quem pode dar uma luz a ele é a Callie, uma adolescente muito arisca que esconde um segredo, ela era amiga do avô de Trevor, será que ela sabia onde ele havia ido naquele fatídico dia? Mas sempre que Trevor tenta se aproximar dela, dá tudo errado. São algumas reviravoltas bem chocantes envolvendo a Callie. 

Qual será o segredo do avô do Trevor? Qual o segredo da Natalie? E qual o segredo da Callie? Trevor está nesse emaranhado de perguntas, sem saber muito bem o que fazer, como descobrir o que seu avô foi fazer? Será que a Natalie o ama como ele a ama? Trevor quer mergulhar nesse amor, sem pensar em consequências, mesmo ele não tendo planos de ficar em New Bern, mesmo ele não sabendo quase nada sobre a Natalie, o que ele sabe é que está apaixonado.

Durante a leitura, me questionei várias vezes: O que eu faria nessa situação? E a verdade é que eu não sei responder, todos os personagens passam por batalhas muito intensas em suas vidas, com escolhas extremamente difíceis. Mas nenhum deles perdeu a vontade de viver, acho que essa é a principal mensagem do livro, aquele velho ditado de que a vida só acaba quando termina, é verdade. 

“Perdoar não quer dizer que você esqueceu ou que parou de querer mudar o passado. Quer dizer que você aceita a ideia de que não é perfeito, porque todos cometemos erros. E coisas terríveis podem acontecer com qualquer um.”

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Resenha: Dois a dois / Nicholas Sparks


Sparks tem o dom que escrever livros que nos tocam das mais diferentes formas, ele é conhecido por fazer os leitores chorarem, por nos irritar com certos acontecimentos e ficarmos nos perguntando: “Por que nos faz sofrer, Sparks? Por que?” , mas a verdade e o motivo dele conseguir nos tirar lágrimas dos olhos e fazer com que fiquemos com nossos corações apertados é que ele escreve sobre a vida, que não controlamos, não sabemos o que pode acontecer amanhã, no próximo ano, ou no próximo instante. O dom do Sparks é fazer com que a gente enxergue que a vida é um presente e devemos aproveita-la, mesmo não sendo nada perfeita e mesmo tendo que chorar, sofrer, sorrir, amar, porque a vida não vale a pena sem sentimentos.

Russ era um cara que acreditava ter uma vida perfeita, uma esposa que amava, uma filhinha, um emprego bem-sucedido em seu ramo de marketing, uma família acolhedora, o que mais ele poderia querer? Sua vida começa a sair dos trilhos quando ele é demitido e em sua casa os papéis se invertem, ele agora seria a “dona de casa” enquanto sua esposa iria trabalhar, tudo bem, né, casal moderno, vai dar tudo certo, mas não foi bem assim.

O fato é que a vida do Russ estava fora dos trilhos muito antes de perder seu emprego, ele trabalhava demais para dar tudo de melhor para sua família, sua esposa comprava mais do que o necessário, alegando que parou de trabalhar para cuidar da casa e da pequena London e as compras era o mínimo que Russ poderia lhe dar, ele também não conseguia acompanhar o crescimento da filha.
Com a inversão de papéis, Russ percebe o quão difícil era manter uma casa arrumada, fazer comida e cuidar de uma criança, com as mil atividades que a London tinha e o pior mesmo fazendo tudo certo todo dia, apenas um errinho, seja uma comida que deu errado, ou um atraso na hora da aula de balé, já servia para gerar uma briga com sua esposa, parece que o jogo virou não é mesmo?

Aos poucos Russ vai conseguindo se adaptar a rotina e até mesmo conciliar seu trabalho autônomo, mas ao mesmo tempo que percebe que está se tornando um pai ideal a sua relação com a esposa se deteriora cada vez mais, chegando em um ponto insuportável.

Russ é um romântico incurável, desde de pequeno era viciado por filmes românticos que assistia com sua irmã mais velha, ele faz de tudo para manter uma relação, que lendo o livro podemos perceber que nem deveria ter se iniciado, quando não parece ter luz no final do túnel, Russ reencontra um antigo amor, que perdeu por um erro egoísta, e ao mesmo tempo que seu trabalho autônomo começa a gerar frutos, ele se surpreende com as atitudes de sua esposa, e para somar recebe uma notícia familiar que o tira dos trilhos. 

No início de cada capítulo tem um acontecimento do passado, narrado pelo Russ que terá alguma relação com o conteúdo do capítulo, assim vamos descobrindo pouco a pouco como as coisas chegaram ao ponto que estão, o que achei engraçado é que nós leitores, como estamos de fora, fica muito claro perceber que algumas vezes Russ está fazendo algo que não deveria, que com certeza aquilo não vai dar certo, mas ele tão concentrado em ter a vida perfeita, não consegue enxergar o custo de tê-la.

A vida é essa montanha russa, uma hora estamos lá no topo e no instante seguinte lá no fundo do poço, é muito difícil manter o equilíbrio e não surtar com cada novo acontecimento que não podemos controlar, a gente procura culpados, ficamos nos perguntando por que temos que passar por certa situação, mas a verdade é que é isso mesmo, a vida é assim, a vida de todo mundo é assim. Eu gosto muito de ler o Sparks por ele fazer com que eu reflita sobre minha própria vida, será que estou me esforçando o suficiente em busca dos meus objetivos? Será que dou atenção suficiente para minha família? Será que estou dando muito de mim por alguém que não vale a pena? Será? Acredito que o primeiro passo é a gente aceitar que nunca nada vai ser perfeito, estamos em constante mudança, a vida pode acabar a qualquer instante e o que podemos fazer é dar nosso melhor impulso para fazer com que os dias no topo sejam mais constantes que os dias no fundo do poço.


“Muita gente acha que suprimir ou evitar as emoções é saudável. E às vezes pode até ser, principalmente depois que o tempo passa. Mas logo depois de um acontecimento traumático costuma ser melhor simplesmente deixar os sentimentos aflorarem e experimentá-los de forma plena, sem esquecer que o sentimento vai passar. Lembre que você não é suas emoções”

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha: Almas Gêmeas / Nicholas Sparks


Existe uma espécie de lenda entre os leitores de que os livros do Nicholas Sparks são todos iguais, “sempre alguém morre”, diz alguém ou “é sempre igual, muito previsível”, mas a meu ver quem diz coisas assim não enxerga toda a mensagem que o Sparks deseja nos passar, ler qualquer um de seus livros é voltar a acreditar no amor, acreditar nos sonhos e sim chorar, com o coração apertado desejando poder viver algo minimamente parecido na vida real.

“Almas Gêmeas” é especial por diversos sentidos, ele teve lançamento mundial, então podemos ter o prazer de ler junto com o resto do mundo, algo que é muito difícil de acontecer, já que muitas vezes os lançamentos demoram muito para chegar em nossas mãos, segundo ponto que quero destacar de antemão é o fato de que essa história é baseada em fatos reais, logo no início do livro tem uma cartinha do Sparks pro leitor, nos contando como descobriu a história que irá nos arrebatar nas próximas páginas.

Você já se apaixonou? Às vezes nos apaixonamos a primeira vista, outras por alguém que admiramos; muitas vezes não somos correspondidos. Amar em tempos de modernidade líquida (alô Bauman) é um salto no escuro e algo precioso até, por isso que deixo a pergunta: até onde você iria para deixar esse amor vivo? Por quanto tempo você esperaria por alguém que você tem certeza que é sua alma gêmea?

“O sofrimento é o preço que pagamos pelo amor”

Tru Walls leva uma vida sem amarras, ele é guia em um safari na África, nativo do Zimbábue, tem uma forte conexão com a floresta e com os animais, é somente na África que ele se sente completo. Sua história de vida guarda muitos segredos, reviravoltas e tragédias, nascido em uma família rica dona de muitas terras, ele nunca se identificou com nenhuma dessas riquezas, por isso que em sua primeira oportunidade fugiu para viver uma vida simples, seu violão e objetos para pintar lhe bastavam, quando ele recebe uma correspondência de seu pai biológico, que ele nunca conhecera, junto com uma passagem para os EUA, pedindo que Tru fosse ao encontro do pai, ele decide embarcar nessa jornada para entender melhor o seu passado.

Hope Anderson tem uma vida boa, um emprego que sempre sonhou, seu apartamento próprio e namora um cara dos sonhos de qualquer mulher, mas ela não está satisfeita, sente que aos 36 anos de vida já deveria estar com sua família, ela sonha em ter filhos e o prazo do relógio biológico fica martelando na sua cabeça. Ela e seu namorado Josh, vivem um relacionamento de muitos anos, mas vira e volta se desentendem e ficam um tempo separados, dessa vez brigaram em um momento horrível, na véspera do casamento de uma das melhores amigas de Hope, Josh decidiu ir para Las Vegas com os amigos. Hope resolve então passar alguns dias na casa de praia de sua família para tentar colocar os pensamentos no lugar.

É numa praia paradisíaca da Carolina do Norte que os caminhos de Tru e Hope se cruzam, ambos buscando coisas diferentes acabam encontrando um no outro respostas para perguntas que nunca nem chegaram a fazer a si mesmos. E devo colocar a culpa desse encontro no pequeno Scottie, o cãozinho agitado de Hope que corre como se não houvesse amanhã por toda a praia e quando ele é resgatado por Tru em um quase acidente, ele sente uma conexão imediata por ela.

Um encontro por acaso na praia, seguido de um encontro sem querer no bistrô, seguido de um café despretensioso, até que Hope indica a Tru o Almas Gêmeas (sim, é um lugar), uma caixa de correio que só é possível acessar com a maré correta, nela têm diversas cartas de amor, de pessoas desconhecidas, que jogam para o universo o desejo de encontrar novamente o amor, ou que compartilham suas histórias, mostrando que o amor ainda existe.

Ambos percebem que há algo entre eles, mas quem será o primeiro a expor o sentimento? O convívio dos dois tem prazo, já que terão que seguir com suas vidas em continentes e com objetivos diferentes e apesar da conexão que sentem, são desconhecidos um para o outro, não dá para arriscar a vida por um amor, que você nem sabe se é real ou apenas uma ilusão momentânea, né? Ou será que sim?

“Hope, eu não consigo imaginar uma vida sem você. Nem quero essa vida. Eu quero você, só você, para sempre. Você conseguiria mesmo desistir do que existe entre nós sem se arrepender?”

“Queria respirar o cheiro de Tru, sentir a textura áspera da sua barba por fazer, fitar o rosto do homem que intuitivamente a havia compreendido de um jeito que ninguém o fizera. Queria estar com o home que havia lhe roubado o coração.”

Não vou contar os próximos acontecimentos da história de Tru e Hope porque já os considero spolier, omiti também alguns fatos da vida dos dois, cada pequena descoberta durante a leitura foi especial para entender os personagens e o porquê de suas escolhas, só digo que o amor deles é algo muito forte que irá superar todos os obstáculos, porque quando você está com quem você ama, 1 dia pode parecer vários anos e até mesmo 1s irá valer a pena se vocês estiverem juntos, a mensagem que ficou para mim é: lute por quem você ama, dê valor a quem te ama e nunca desista de amar, porque o amor sempre vale a pena.



Obs: Só um ponto do livro que achei muito legal, tem capítulos narrados pela Hope, pelo Tru, por um narrador onisciente e no final tem uma surpresa com um capítulo narrado pelo Sparks como personagem da história, foi uma ótima surpresa.

“Não deixara uma marca permanente no mundo nem jamais viria a deixar, mas se o amor era tudo que realmente importava, compreendia que fora particularmente abençoada.”

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Resenha da Semana: No seu olhar / Nicholas Sparks

Sparks tem o dom de escrever romances que nos envolvem até a última página, ‘No seu olhar’ não é diferente, mas com uma grande pitada de suspense, ele nos presenteia com uma história cheia de reviravoltas.

Nicholas Sparks é conhecido pelos seus romances melosos, quem nunca leu um livro dele, ou viu um filme baseado em um de seus romances, em que tem um casal apaixonado e um deles tem uma doença ou sofre um acidente? A certeza quando a gente pega um livro dele é: ‘vou chorar lendo’ ou ‘algum personagem querido vai morrer’. Apesar de saber disso tudo, a gente continua lendo ele, mas ‘No seu olhar’ é totalmente diferente.

Logo no prólogo descobrimos que alguém está espionando uma família, com más intenções e com um objetivo de vingança, e ficamos nos perguntando quem será essa pessoa, quem é essa família e o principal, o porquê da necessidade de vingança.

Nos capítulos iniciais somos apresentados ao Colin Hancock, e ficamos, no primeiro momento, suspeitando dele, porque ele é um daqueles bad-boys na aparência. Durante toda a sua vida ele sofreu por não se encaixar nos padrões de sua família, por isso, foi excluído, identificado com uma daquelas doenças relacionadas a hiperatividade e raiva, ele passou por diversos colégios, nunca tendo amigos de verdade e o principal: nunca sendo amado.

Após uma luta, Colin lutava como amador uma vez ou outra, com o rosto todo inchado somado a uma aparência de dar medo a primeira vista, ele para numa estrada durante uma noite chuvosa, para ajudar uma mulher que ficou atolada com o pneu furado do carro. Essa mulher ficou morrendo de medo dele, não sabia muito como agir, ele apenas a ajudou e foi embora e ela nem ao menos disse obrigado.

Essa mulher era ninguém menos que Maria Sanchez, uma advogada certinha, muito bonita e filha de imigrantes, que voltou para sua cidade natal após um trauma no seu antigo trabalho. Ela trabalhava agora em um escritório de respeito, mas sempre ficava além de sua carga horária e nunca era muito bem reconhecida. Além do fato de ser assediada por um de seus chefes, resolução: a vida dela não estava nem um pouco como ela havia planejado. Seu único hobbie era passear de stand-up paddle.

Colin e Maria voltam a se encontrar devido a algumas coincidências e ao poucos eles vão identificando um no outro coisas que os atraem e começam um relacionamento que em um primeiro momento era improvável. Mas será que eles vão conseguir esquecer o passado para construírem um futuro juntos, ou melhor, será que terão coragem de compartilhar os seus passados, para que de uma vez por todas deixem essas questões para traz?

Quando o passado de Maria a suga para uma emaranhado de questões obscuras, envolvendo pessoas psicóticas, que não aceitaram uma decisão do tribunal que Maria participou, ela vê a sua vida e a de seus familiares em risco, e a única pessoa com a qual ela pode contar é o Colin.

Esse foi o livro com personagens mais verossímeis do Sparks, gente que erra igual a gente, que sofre para conquistar alguma coisa e que se pergunta a todo momento se o que está fazendo é o que realmente quer. Colin e Maria tão diferentes, ele uma criança-problema, ela uma criança-prodígio, ambos chegam a fase adulta com perspectivas totalmente diferentes, mas acabam encontrando um no outro um porto seguro.

E por fim, preciso dizer que esse livro me surpreendeu muito, tem um ritmo muito rápido, fui lendo com uma necessidade absurda de saber o que vai acontecer no próximo capítulo. É uma história de amor, mas envolvida em um trilher de tirar o fôlego, já que durante todo o livro nos perguntamos quem era a tal pessoa espionando a família da Maria lá no prólogo, e sim, Sparks sabe fazer reviravoltas, já que apenas na última página a gente pode descansar e saber o final feliz. (porque tem final feliz sim!)