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quarta-feira, 12 de março de 2025

Resenha: Nobody's Fool / Harlan Coben

O que aconteceu com o detetive Sami Kierce depois dos acontecimentos da adaptação do ‘A Grande Ilusão’? E qual é o passado dele? O que levou ele a todas as atitudes que tomou lá? Se você ficou querendo saber mais sobre esse personagem ‘Nobody’s Fool’ é o livro certo.

É fundamental a leitura do ‘A Grande Ilusão’ e também assistir a adaptação na Netflix, já que na adaptação temos mais desenvolvimento do personagem interpretado pelo ator Adeel Akhtar, nosso Sami Kierce.

“Será que tudo deu errado no momento em que te vi?” *

Esse é o nosso pontapé inicial, no prólogo conhecemos um Sami jovem adulto, ele está fazendo um mochilão pela Europa com alguns colegas e conhece uma mulher. Anna. Ele se apaixona e depois de dias incríveis ao lado dela. Ele acorda coberto de sangue. Tem uma faca em sua mão e do lado dele, o corpo da sua namorada, a única coisa que ele faz é correr. No prólogo a gente fica sem saber o que aconteceu de fato, sabemos apenas da faca, do sangue e que ele fugiu, vamos descobrindo ao longo do livro, tudo o que aconteceu.

Vinte e dois anos se passam.

Kierce é um investigador particular, ele perdeu o cargo na polícia depois dos acontecimentos da série e está cheio de dívidas. Ele vive com seu filho Henry e sua esposa Molly, os quais ele ama muito. Para dar conta dos boletos, ele está fazendo trabalhos de vigilância de baixo nível e dando aulas a aspirantes a detetive numa escola noturna. 

Até que numa noite, ele vê um rosto conhecido lá no fundo da sala. Ela. Anna. Quem ele acreditou estar morta, ele não tem dúvidas, ele nunca esqueceu aquele rosto. E a partir daí que a jornada do Sami para entender tanto o que está acontecendo hoje, quanto o que aconteceu no passado começa, como a Anna pode estar viva? 

“Você quer a dura verdade? A vida não é sobre os erros grandes. É sobre os pequenos. Pense na linha entre a entrada e a saída de campo em um campo de futebol ou qualquer jogo. Os maiores erros  são cometidos bem perto dessa linha, bem quando alguém coloca a linha e você caminha para frente e para trás sobre ela e essa linha fica instável e agora você vê a bola passar da linha, mas talvez você consiga pegá-la a tempo, chutá-la de volta para o jogo antes que alguém veja. Esses são os erros que ficam com você. Esses, os pequenos, os que você não precisava cometer - esses são os que o assombram e mudam sua vida." *

As aulas de criminologia do Sami são momentos bem legais do livro, ele cita muito o Sherlock Holmes, o grupo de alunos é ótimo e são eles que irão ser os ‘parceiros’ dele já que ele não tem o auxílio da força policial. É uma aventura todos os momentos dos estudantes em ação.

Temos muitas referências ao harlanverse, desde o carro que o Sami comprou, a caminhos se cruzando com mafioso já conhecido por nós, assim como um instituto que resgata crianças... A família Burkett também vai ter uma participação relevante no desenrolar da história.

Outra família da alta sociedade que conhecemos no livro se trata dos Belmond. No passado Victoria Belmond foi sequestrada e sumiu sem deixar rastros, anos depois ela reapareceu, mas permanece reclusa e toda a história é envolta de mistérios. A vida do Sami vai se cruzar com os Belmond e conforme ele se envolve mais com eles, ele fica sem saber se eles querem ou não descobrir toda a verdade.

Além de tudo isso, o passado do Sami ainda está de volta com mais um momento trágico. Envolvendo a Nicole, uma ex que foi assassinada. O assassino, Wade, vai ser solto, segundo a advogada de defesa, ele foi preso injustamente. Sami não está com uma boa reputação, então estão revendo todos os seus casos, incluindo esse. Ele não concorda e acredita que é um erro colocar o Wade em liberdade, mesmo com todas as provas evidenciando que ele não teve culpa.

Muitas reviravoltas e muita aflição, mais uma vez o Harlan consegue nos enganar direitinho. O Sami vai ficar com a vida em risco em diversos momentos, assim como a sua esposa. Parece que todas as mulheres que entram na vida dele, colocam a própria vida em risco...

“E é quando vejo Anna. Paro, pisco. Sei que isso é impossível, então, por alguns momentos, não reajo. Tento deixar o momento passar. Não seria a primeira vez que vejo pessoas mortas. Ano passado, passei por uma fase em que tinha alucinações e até conversas completas com minha "outra" amante assassinada, Nicole. Sim, assassinada. Acho que não sou seguro para namorar, meninas. Piada de mau gosto." *

Se colocar no lugar dos personagens é algo que eu sempre faço lendo os livros do Harlan, o que eu faria se estivesse na mesma situação? Em diversos momentos do livro eu me perguntei o que faria. Imagina, você acorda num país estrangeiro com uma faca na mão e um corpo do seu lado? O corpo da pessoa que você ama. Imagina você ter que escolher entre duas pessoas que ama? Ou mentir para proteger? Será que vale a pena sempre saber toda a verdade? Imagina passar a vida inteira acreditando que você matou alguém e ainda fugiu? É muito difícil ter respostas ‘certas’, acho que nem existe e isso faz com que os livros do Harlan sejam sempre mais do que thrillers e sempre mais do que descobrir quem matou, são lições de vida.

"Esperança e sonhos", meu pai disse com um largo sorriso, abrindo as mãos como se estivesse se preparando para um abraço.

"O que você quer dizer?", perguntei.

Ele se abaixou para poder me olhar nos olhos. "Boa regra prática: sempre que você vir uma pessoa - rica, pobre, jovem, velha, alta, baixa, seja lá o que for - lembre-se de uma coisa: essa pessoa tem esperanças e sonhos.” *


O Harlan enviou cópias do livro para nós adms do Portal. O livro será lançado no exterior no próximo dia 25 de março, ainda sem previsão para o Brasil. Nós fomos citadas nos agradecimentos do livro, sensacional, né? E ainda cópias autografadas!! Obrigada Harlan! 





*trechos/quotes são traduções livres nossas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Resenha: Contando milagres / Nicholas Sparks

Ser feliz é algo que a gente pode esquecer de como se faz? O quão resiliente uma pessoa pode ser no meio de diversas tragédias? Até onde a fé de alguém consegue resistir? 

É quase inexplicável dizer tudo o que o Sparks faz a gente sentir durante a leitura de um de seus livros. "Contando milagres" me deixou com muitas lágrimas nos olhos em muitos momentos e por diferentes motivos. 

Os personagens são muito cativantes, a gente fica com vontade de saber mais sobre eles o tempo todo, é muito fácil se apegar e torcer por cada um deles. 

Jasper é um senhorzinho que vive recluso numa cabana na entrada da floresta ao lado do seu fiel escudeiro Arlo, um doguinho que assim como ele, já estava com a idade avançada. O passado do Jasper é repleto de tragédias e a sua própria pele conta histórias. Ao ouvir rumores de que um cervo branco foi avistado na floresta, ele acredita que é um sinal e que precisa proteger o animal dos caçadores, o que vai fazer com que ele coloque a sua própria vida em risco. 

“Eu não acredito que milagres aconteçam para pessoas como nós. Pelo menos não os verdadeiros milagres”

Tanner está acostumado com uma vida nômade, atuou pelo exército durante toda sua vida, tanto devido sua escolha profissional e a do seu avô, que também militar foi destacado para Europa quando ele era ainda um bebê. Criado pelos avôs, Tanner perdeu a mãe no parto e só conheceu ela através das lembranças compartilhadas pelos avôs. Ele volta para casa para cuidar da avó, que estava doente e surpreendentemente ela conta a ele o último paradeiro que soube do seu pai. Com essa informação Tanner embarca numa busca por suas raízes. Ele não poderia imaginar que seria uma batida de carro que mudaria toda a sua jornada.

“As traves do gol não estavam simplesmente se movendo; elas estavam, o tempo todo, sendo deslocadas para estádios inteiramente diferentes.”

Kaitlyn é uma médica que ama a sua profissão, divorciada e com dois filhos, Casey e Mitch, ela ainda consegue horário para fazer visitas domiciliares aos pacientes que não podem se locomover facilmente. É uma vida repleta de desafios, tanto no consultório quanto com os filhos, a Casey, adolescente dedicada e um pouco rebelde, como é normal pra idade e Mitch um menininho bastante curioso e interessado por animais.

“Enterrando o rosto no travesseiro, ela começou a chorar, sabendo que estava tudo acabado antes mesmo de ter a chance de começar.”

A vida da Kaitlyn e do Tanner se cruzam quando a Casey bate no carro dele. E o que seria um contato burocrático para resolver um problema, desperta segunda intenções tanto na Kaitlyn quanto no Tanner.

O fato é que ela não estava em busca de uma relação, fazia muito tempo desde a última vez que ela tentou e nem tinha tempo para isso. Enquanto ele estava ali de passagem, um romance estava longe dos seus planos. A atração que um sente pelo outro é palpável, mas será que vale a pena arriscar uma aventura?

Os capítulos são alternados entre Tanner, Kaitlyn e Jasper, ao longo do livro vamos acompanhando o que o destino reserva para cada um deles. Tem alguns momentos que dá vontade de pular um capítulo só para ler o que vai acontecer em seguida com o outro personagem.

É um livro muito inspirador e tocante, tem diversas citações bíblicas, já que ao embarcarmos no passado do Jasper descobrimos que o seu pai fora um pastor e com isso, as lições bíblicas eram uma constante na vida dele. É muito bonito ler sobre a fé que o pai dele tinha e que de certa forma passou para o filho. 

A maior lição que eu posso tirar desse livro é me perguntar: quais milagres eu estou contando? Quais milagres a gente decide contar? A vida em si já é um milagre né, mas é muito mais fácil a gente contar só as coisas ruins, seja contado aos amigos em um desabafo ou mesmo fazendo nossos saldos pessoais. Sparks com esse livro nos incentiva a contar os milagres seja se apaixonar, reencontrar o seu próprio passado, ser salvo por um desconhecido ou até mesmo avistar um cervo branco. 

“Então, eu me lembro que ter um coração partido também quer dizer que houve um tempo em que ele não estava partido, quando meu coração era leve e completo. Amar trouxe alegria e significado à minha vida, e eu não teria trocado esse amor por nada no mundo.” 


Confira resenhas de outros livros do Sparks: 

No seu olhar 

O Milagre 

Noites de tormenta 

Almas gêmeas 

O desejo 

O retorno 

Primavera dos sonhos 

Dois a dois

terça-feira, 14 de maio de 2024

Resenha: Think Twice / Harlan Coben

 Essa resenha vai ser mais uma espécie de react do livro. ‘Think Twice’ é adrenalina pura, em diversos momentos do livro eu fiquei em choque, de pensar: ‘não, isso não pode estar acontecendo’ e correr para ler e entender tudo. E como de costume o Harlan não economiza nas reviravoltas e dessa vez lidando com os corações dos leitores. Chega num ponto do livro que é impossível parar de ler.

Nós conhecemos esses personagens faz muito tempo, eles são como velhos amigos. O ‘Volta para casa’, livro 11 da série foi publicado em 2016, o primeiro da série, 'Quebra de confiança', em 1995. É uma vida ao lado desses personagens. É tão bom estar com eles novamente ao mesmo tempo que a gente corre pra ler, a gente já fica com saudades de estar com eles em um livro inédito.

É impossível não chorar no final. Preciso começar a falar sobre esse livro dizendo que é muito, mas muito emocionante. São diversos momentos que fazem a gente ficar com lágrimas nos olhos e muitos outros que me fizeram ter palpitações, juro que minhas mãos ficaram suando de nervoso. Então assim, já dá para perceber que as vidas dos nossos amados personagens vão ficar em risco, né?

Numa parte eu fiquei com a mão na boca, não acreditando no que estava acontecendo.

Nossos heróis não são invencíveis e eles também envelhecem. A dinâmica do Myron e Win sempre me encantou pelo fato deles serem muito humanos e cheios de erros, enquanto o Myron pensa em questões morais e éticas o Win é mais prático, isso que ao longo dos livros foi mudando e cada vez mais o Myron entende o fato da vida ser sempre nos tons de cinza, nunca só preto ou branco, esse é um dos maiores ensinamentos que a série Myron Bolitar me deu.

A idade é um dos temas do livro, tanto o Myron como Win não são mais tão jovens, além do casal AL-EL, os pais do Myron, que também estão sofrendo algumas consequências da idade avançada. E vamos bem sutilmente percebendo novas limitações de todos eles, junto com o Myron, e é difícil constatar como a vida sempre chega a um fim.

Temos capítulos narrados pelo Myron, óbvio, mas também temos capítulos do ponto de vista do assassino, além de uma grata surpresa nos capítulos finais. Foi muito interessante estar na cabeça do assassino, que é um serial-killer. A alternância de capítulos, com do nada um capítulo narrado pelo assassino deixa o livro super eletrizante.

"Myron sentiu aquela vibração quando as peças começaram a cair na mesa. Ele não tinha ideia de como elas se encaixavam. Nenhuma pista. Mas as peças estavam caindo e eram importantes e isso foi um começo. Agite a caixa. Tire as peças e coloque-as na mesa. Então você pode começar a juntá-las."

Como um homem que está morto pode se o principal suspeito de um assassinato? Esse é o pontapé inicial do livro 12 do Myron Bolitar.

E não é um morto qualquer, mas ninguém menos que Greg Downing, um personagem já bem conhecido no harlanverse. Nos tempos da escola e faculdade, ele e o Myron eram os maiores adversários nas quadras de basquete, ambos jogadores excelentes. Até que Myron sofre o acidente que o tira das quadras, enquanto Greg se torna um jogador profissional na NBA. A vida dos dois é entrelaçada diversas vezes, já que Greg teve culpa pelo acidente e Myron é o pai biológico do filho que o Greg criou. Bem, fatos esses que são explorados em livros anteriores: Sem deixar rastros e O medo mais profundo. 

Mas agora já faz alguns anos que o Greg morreu, então como o DNA dele foi encontrado numa cena de crime? E mais, por que o FBI está envolvido? E por que foi atrás do Myron com perguntas? Essa última posso responder: o Myron estava representando o Greg antes dele morrer. 

Então, é, o Myron está de volta com seu escritório de representação, perdeu sua antiga sala como já sabemos pelo livro do Win, mas é aquilo do "cair pra cima" e literalmente nesse caso, porque agora ele tem uma vista incrível no seu novo andar, no topo do edifício Lock-Horne. É lógico que ele não poderia voltar sem ter a recepcionista mais icônica de todas, não é mesmo? Nossa querida Big Cindy está prontíssima para dar os melhores abraços com os looks mais inusitados possíveis.  

Quanto a outra parte dessa equipe, certa Esperanza Diaz, a novidade sobre ela, é que está trabalhando em um escritório de advocacia que conhecemos em outro livro, mas é claro que ela não vai deixar o seu melhor amigo na mão e vai ser fundamental, como sempre, nas investigações.

Sim! Temos cenas do trio Myron, Win e Esperanza e como é maravilhoso vê-los trabalhando juntos novamente depois de tanto tempo. 

"Você sabe como isso funciona, Win. Batemos nas portas, mexemos a panela, sujamos as coisas e esperamos que algo venha à tona."
"Nosso plano usual cuidadosamente elaborado, então."
"Correto."

O Myron se envolve numa trama muito complexa quando vai tentar entender como que o DNA do Greg estava numa cena de crime, será que o Greg está vivo ou morto? Não irei contar, mas só adianto que a gente descobre logo nas primeiras cento e poucas páginas e com essa informação tudo vai se complicando mais. Envolvendo outros assassinatos e a máfia de Las Vegas. Entender o que está rolando conforme fui lendo e juntando as peças com o Myron foi muito legal, então por isso não irei explorar mais aqui na resenha. 

Falar sobre o Greg também envolve falar sobre a Emily e o Jeremy. Emily foi a primeira mulher por quem Myron se apaixonou e Jeremy é o filho dos dois que foi criado pelo Greg. Ambos Emily e Jeremy estão no livro, os momentos com a Emily podem nos irritar um pouquinho e os com o Jeremy nos emocionam, mas todo mundo está escondendo segredos, viu? Será que o Myron pode confiar neles?

Confiança é um dos temas bem explorados no livro. Myron debate com o Win, por ele fazer escolhas antes de consultar o Myron, mas quem é a pessoa que o Myron pode confiar de olhos fechados? O Win. E ele vai salvar a vida do Myron, mais de uma vez. E mesmo assim, o Win não é indestrutível...

O Myron sempre sonhou em ter uma família grande e viver numa casa do subúrbio, assim como os seus pais, mas ‘o homem planeja, Deus ri’, as coisas não seguiram o caminho dos seus sonhos, mas ele coloca sempre sua família em uma posição de extrema importância. Sabemos que ele está muito bem casado com a Terese, ele a ama demais, mas ela fica tendo inseguranças pelo fato de não poder engravidar, livros que Terese aparece antes e entendemos mais sobre ela: Detalhe Final e Quando ela se foi.

O amor sempre é um tema que está presente nos livros do Myron, ele é muito sentimental e em ‘Think Twice’ tendo a presença do seu filho, pode apostar que tem muitas cenas que vão levar lágrimas aos olhos do nosso Myron e mais que isso, a vida das pessoas que ele mais ama vai ficar muito, mas muito em risco, além de sua própria vida, o que faz com que nós leitores fiquemos com lágrimas nos olhos e não vou dizer se é por tristeza, felicidade ou alívio.

"Maneira perigosa de pensar", disse Myron
“Então você provavelmente não quer saber quantas vidas eu sacrificaria para salvá-lo”, disse Win. "Ou talvez você saiba."

Agora se segura que vou listar todos os personagens do harlanverse que aparecem ou são citados: Al-El Bolitar, Brad Bolitar, Shira Bolitar, Ema, Hester Chrimstein, Brenda Slaughter, Chaz Landreaux, PT, Mee. 

O Harlan superou muito as minhas expectativas, eu fiquei de verdade com meu coração na mão durante a leitura. O Myron é o personagem literário que está há mais tempo na minha vida, como é bom ter ele de volta ao mesmo tempo que fico com um medo gigante de perde-lo, e nesse livro tudo pode acontecer. 

É preciso ler toda a série para entender? Não. O livro pode ser lido como individual sem problemas, mas quem já leu os livros anteriores irá pegar referências e conhecer certos personagens de antemão. A ordem de leitura completa é: ler do livro 1 ao 10 do Myron, depois ler os 3 livros do Mickey Bolitar, ler o livro 11 do Myron, ‘Volta para casa’ e depois o ler ‘Win’, dessa forma irá entender todos os contextos possíveis para o ‘Think Twice’. 


🔼Ordem da Série Myron Bolitar 

1-Quebra de confiança, 2-Jogada Mortal, 3-Sem deixar rastros,  4-O preço da vitória 5-Um passo em falso, 6-Detalhe Final, 7-O medo mais profundo, 8-A promessa, 9-Quando ela se foi, 10-Alta tensão, 11-Volta para casa e 12-Think Twice.

🔼Ordem da série Mickey Bolitar

1-Refúgio, 2-Uma questão de segundos e 3-A toda prova

Todos os livros do Harlan já publicados no Brasil: confira aqui.

‘Think Twice’ ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

🎵Fizemos uma playlist com todas as músicas mencionadas no livro, quem quiser conferir e sentir um pouco da vibe do livro:

Spotify | Youtube Music

Leia aqui os dois primeiros capítulos, em inglês. 

E por último, mas super importante queremos deixar registrado nosso agradecimento ao Harlan tanto por ter nos enviado cópias do livro, quanto e principalmente por ter colocado nossos nomes nos agradecimentos do livro. Nós ficamos tão felizes com esse reconhecimento e gostaríamos de compartilhar com todos vocês. É algo que nunca nem ousamos sonhar e achamos que mostra o quanto o Harlan reconhece os fãs, especialmente nós #harlanlovers brasileiros, muito orgulho, né?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Resenha: I Will Find You / Harlan Coben

     Amor. É o que move todos os personagens desse livro. Um dos sentimentos mais buscados por todos nós, todo mundo quer amar e ser amado. Mas o amor tem um custo? Você faria qualquer coisa por amor? Ou para salvar quem você ama? Todas as ações dos personagens foram por amor e cada uma delas é uma parte de um grande quebra cabeça que vamos desvendando durante a leitura. Todos os personagens têm um papel importante, por menor que seja, tudo colaborou para que nosso protagonista fosse preso. 

Nós do PHCBR tivemos o privilégio de receber cópias antecipadas do próximo lançamento do Harlan. ‘I will find you’ chega nas livrarias gringas no próximo dia 14 de março, está em pré-venda por lá, confira aqui. Infelizmente não temos prazo para quando o livro chegará ao Brasil, mas vamos falar um pouco dele aqui para matar a curiosidade de vocês, sem spoilers! Já havia sido divulgado antes o primeiro capítulo do livro, nós traduzimos aqui no blog. 

O que sabemos de antemão sobre o livro é: Um pai, David Burroughs está preso por assassinar o seu próprio filho, mas o fato é, ele não cometeu esse crime. Esse é o pontapé inicial, que já está na contracapa e nas primeiras páginas do livro.

“A memória é muitas vezes o nosso contador de histórias mais criativo.”

David amava muito o seu filho. Para ele sua vida não fazia mais sentido se não tivesse o seu Matthew nela. Resignado, ele nem protestou quando foi acusado de assassinar brutalmente o seu próprio filho. Haviam provas contra ele, foi proferida a sentença e em nenhum momento ele tentou lutar contra isso. 

Ele foi aconselhado a alegar insanidade, mas não quis. Para ele não havia motivo para lutar. E no fundo, por mais que ele soubesse que não tinha cometido aquele crime, ele ficava se questionando, será que ele teve um blackout? Será que ele foi capaz de fazer aquilo com seu próprio filho? Não foram muitas pessoas que ficaram do seu lado, todo mundo acreditava que ele tivesse tido um surto ou algo do tipo, já que ele já teve episódios de sonambulismo antes. Então ele já estava lá adaptado a sua rotina no presídio.

Tudo muda quando ele recebe uma visita. Rachel aparece e mostra uma foto que muda a vida do David. Lá no cantinho da imagem estava o Matthew. Era ele, David teve certeza no momento em que viu a foto. Mas como isso é possível? Ele enterrou o próprio filho. Será que ele estava vendo o que queria ver e não a realidade? 

“Mentiras assim, ficam na sala. Elas nunca vão embora. Elas lentamente te apodrecem por dentro.”

A partir desse momento, David decide que vai fazer qualquer coisa para descobrir o paradeiro do seu filho, e para isso, imaginem, ele vai precisar fugir de uma prisão federal. Não vou dizer a forma que isso vai acontecer, mas é, temos uma fuga, até porque não daria para ele ir atrás de respostas estando preso. Todos os planos vão dando errado e a gente fica muito aflito lendo, será que vai dar certo? E o principal, será que de fato o Matthew está vivo? A gente quer muito, mas é difícil não achar que as vezes o David está delirando, porque é muita viagem! Mas quando tudo se resolve e a gente entende o que aconteceu, é muito chocante. 

“E a ideia me vem. Não é uma ideia perfeita de forma alguma, mas meu pai, um policial de ronda, que se preocupava com minha necessidade obsessiva de perfeição, costumava citar Voltaire para mim: 'Não deixe o perfeito ser inimigo do bom'. Nem tenho certeza se essa ideia se qualificaria como boa, mas é tudo o que tenho.”

Vou apresentar alguns dos principais personagens para vocês:

Cheryl: é ex-esposa do David. Ela é cirurgiã. Ela e David se conheceram muito jovens, ela acredita que David cometeu o crime, mas ela tem um grande segredo, que pode mudar tudo.

Rachel: é uma jornalista investigativa, irmã da Cheryl, mas foi ‘cancelada’ por um motivo muito pesado. Estava bem difícil de conseguir empregos depois do tal acontecido. A questão é: será que ela está usando o David para conseguir uma volta por cima? Ela tem um segredo que envolve o David e um episódio muito traumático no seu passado.

Agentes do FBI: Max e Sarah, são muito competentes. Uma dupla infalível super em sintonia e nosso sentimento com eles é uma montanha-russa, do ódio ao amor. 

Gertude Payne aka Pixie: é a matriarca da família Payne, são muito ricos, ela tem uma conexão com um personagem muito conhecido pelos #harlanlovers. 

Hayden: é o neto da Pixie e conhece a Rachel da época da faculdade. Ele sempre está disposto a ajudar.

Warden Philip: é o guardião do presídio onde David está e tem uma conexão com ele.

Adam Mackenzie: é o melhor amigo do David, um dos poucos que acredita que ele não cometeu o crime.

Nicky Fischer: um mafioso que busca uma espécie de vingança. 

Hilde: uma testemunha ocular fundamental.

Ross Summer: está no mesmo presídio do David, é super rico e serial killer.

Ted Weston aka Curly: é um carcereiro que vai acabar muito enrolado. E terá que fazer escolhas de vida ou morte.

O livro é dividido em 3 grandes partes. A narrativa é alternada entre primeira pessoa, nos capítulos do David e terceira pessoa quando são capítulos centralizados em outros personagens. São 325 páginas na versão dos EUA. Temos a participação especial da querida Hester Crimstein. Há algumas referências muito legais a cultura pop. É um livro muito cinematográfico. A gente consegue facilmente ‘ver’ todas as cenas descritas e ficar na torcida pelos personagens, prepare-se para ficar com ranço do FBI! 

Teve um momento do livro que eu fiquei gelada, as ações de um personagem são inacreditáveis e totalmente cruéis, e esse personagem ainda acredita que está fazendo o “certo”. O final é muito emocionante, duas partes específicas deixaram meu coração na mão, e não digo se foi para um ‘final feliz’ ou não, porque isso só lendo pra descobrir desculpaê! Haha 

O Harlan nunca erra né, chega um ponto do livro que é impossível largar, de verdade, a gente precisa saber, nada mais importa. Além disso, conforme falei lá no início, sobre o amor, os livros do Harlan sempre deixam a gente meio reflexivo, pensando o que faria naquela mesma situação, são muitas as questões morais e sabe aquele ditado de que a diferença entre o veneno e o antídoto é a dose, pois é. Todos os personagens puxam a corda pra lá e pra cá e alguns acabam de fato se envenenando na sua própria busca pelo amor.

“Nós, é claro, nunca apreciamos o que temos. Isso é o que dizem. Mas realmente não é isso. É apenas condicionamento. Tomamos como certo o que nos acostumamos. Natureza humana.”

Um agradecimento especial ao Harlan é claro e a Grand Central Pub, por ter nos enviado cópias para leitura antecipada e ainda com o card autografado. É o poder dos #harlanlovers brasileiros, né não? 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Resenha: Primavera dos sonhos / Nicholas Sparks

 "O amor e o sofrimento são dois lados da mesma moeda."

Eletrizante. Em alguns momentos do livro a gente até prende a respiração com a expectativa do que virá pela frente. Parece que os capítulos vão se encurtando enquanto a gente só quer saber o que vai acontecer e como tudo vai se conectar.

Duas narrativas totalmente diferentes e aparentemente desconectadas.

De um lado temos o Colby, ele é um jovem fazendeiro, apesar de nunca ter sonhando trabalhar na roça, como ele mesmo diz, a vida acabou o levando nessa direção. Sua paixão é a música, ele se perde e se reconecta consigo mesmo através de suas composições. Pela primeira vez, desde muito tempo, ele consegue tirar uns dias de férias e o que ele não poderia imaginar é que encontraria o amor.

“Desde o momento que nos conhecemos, foi como se... a gente se encaixa de alguma forma... como quando você coloca o número certo no cadeado.”

Do outro temos a Beverly, ela está fugindo. De um marido abusivo e de uma vida de mentiras, ela foge da casa "perfeita" e “confortável” com seu pequeno filho, o Tommie. A todo momento ela acredita que de alguma forma o marido irá aparecer para tirar o filho dela. Dá muito nervoso ler e pensar o que vai acontecer com ela se o marido a encontrar.

“Olhando para trás, ela sabia que deveria ter ido embora naquele instante. Deveria ter compreendido que Gary era um cameleão, um homem que aprendera a esconder seu verdadeiro eu. Ela não era ingênua; tinha assistido a reportagens de TV e lido matérias em revistas sobre homens abusivos. Mas o desejo de acreditar e confiar havia sobrepujado seu bom senso.”

As histórias vão se aprofundando, as partes do Colby são narradas em primeira pessoa, enquanto as da Beverly em terceira. E ao final de cada parte dá aquela vontade de dar uma espiada na próxima, já que são intercaladas entre os dois.

Ao mesmo tempo que vamos suspirando com o Colby se apaixonando, vivendo dias como se fossem um sonho, regados a muita música. Vamos prendendo a respiração a cada relato da Beverly, um pesadelo, com muita correria, medo e falta de grana. 

A forma pela qual tudo se conectou me pegou de surpresa, mesmo tendo diversas pistas ao longo do livro, eu só fui perceber quando tudo foi desvendado.

Um problema de saúde mental é trabalhado pelo Sparks no livro, não direi qual e nem qual personagem terá que passar por esse desafio, vou dizer apenas que toda a situação e vivenciar essa doença nos deixa com o coração na mão e com muita empatia.

 “– Eu odeio ser defeituosa. Odeio não conseguir controlar nem mesmo o que eu penso.

- Você não é defeituosa. Foram apenas alguns dias ruins que bagunçaram o esquema. Todos temos dias ruins.”

Outro ponto que eu achei muito interessante no livro e é algo que com certeza ficará comigo, foi o conceito de ‘dias nublados’, sabe aqueles dias que a gente só tem vontade de chorar, que não importa o que a gente faça, o que a gente veja ou quem apareça, as coisas só estão “nubladas” e essas nuvens metafóricas podem ser mais densas ou não, mais escuras ou não, acho que todo mundo já teve um dia “nublado”, o que é normal, o desafio, assim como do personagem do livro, é não torná-los constantes em nossas vidas. 

Os livros do Sparks sempre me fazem questionar o que é o amor e me dão choque de realidade sobre como a vida pode ser ou se tornar complicada e como a gente não controla nada, a não ser os nossos sonhos.

A quote que usei para iniciar a resenha é o que rege todo o livro, amor e sofrimento. Apesar de um não significar o outro, esses dois sentimentos estão quase sempre conectados, e nem apenas quando se trata do amor romântico, qualquer tipo de amor nos deixa totalmente vulneráveis, querendo ver quem a gente ama bem e quando as coisas fogem do controle, que é o que acontece quase sempre, vem o sofrimento. E nem por isso, amar deixa de ser algo fundamental nas nossas vidas.

Preciso dizer que ele conseguiu mais uma vez, terminei de ler com lágrimas nos olhos e a garganta apertada, mas com o coração totalmente quentinho, obrigada Sparks! 


Confira outras resenhas do Sparks: 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Resenha - Morte No Internato - Lucinda Riley


O cenário do livro é a escola particular para meninos na Inglaterra, a morte repentina de um aluno na  Escola St. Stephen, é um evento chocante que o diretor faz questão de chamar de trágico acidente.



Trazendo a cena a talentosa Detetive Jazsmine “Jazz” Hunter para o campus. Jazz está de licença há sete meses – questionando suas escolhas de carreira – após um divórcio amargo. E o pedido de retorno para verificar a natureza acidental dessa morte é um esforço velado de seu supervisor para que ela volte ao trabalho.


Naturalmente, quanto mais  Jazz investiga, mais questões surgem. Para piorar as coisas, e literalmente confirmando a intenção criminosa, não muito tempo depois do início da investigação, outro estudante desaparece e um homem mais velho comete suicídio.


🏯A trama do crime foi excelente – bem trabalhada, sinuosa e surpreendente. Era um mistério de assassinato no estilo Agatha Christie Também tinha uma sensação gótica assustadora que  adorei. Além disso, gosto de como Lucinda usou uma tempestade de neve para parar a investigação e separar os personagens. Feito para uma leitura tensa, sabendo que o assassino provavelmente atacaria novamente com todos distraídos.

A protagonista, Jazz Hunter é uma personagem fascinante e intrigante. Ela está em uma encruzilhada em sua vida. Depois de deixar a Polícia Metropolitana de Londres após seu divórcio com um colega detetive. St. Stephen é um novo começo, ela quer uma vida tranquila onde possa pintar e viver  em um ritmo mais lento e tranquilo. Como detetive, ela é respeitada por seus colegas e seus superiores, e  por isso é convidada a liderar a investigação do assassinato no internato. Eu gostei de ver e conhecer todos os lados de Jazz, sua técnica de investigação analítica e metódica, sua vulnerabilidade após o divórcio e seu amor e cuidado para com seus pais. A mesma atenção é dada ao elenco de personagens coadjuvantes que abrem a história e muitos dos quais eu senti verdadeira empatia, é claro que existem alguns que são muito desagradáveis ​​para dizer o mínimo.

O tema do bullying, dependência do álcool, o suicídio e suas consequências potencialmente trágicas perduram por toda parte. Porém sem gatilhos, ao me ver foram retratados de forma e leve. 

Há muitos personagens para acompanhar. O diretor e sua secretária, o mestre do dormitório e a matrona, pais de vários alunos e os próprios alunos. Assim como outros investigadores da polícia. 

O ímpeto do “quem fez isso” cresce ao longo do livro e o ritmo do último terço é bastante envolvente. A solução para esse mistério, o  leitor provavelmente descobrirá nas últimas páginas. Existem muitas conexões ocultas entre os personagens que não conhecemos até o final do livro.

É uma leitura bastante agradável.  Para você que é fã ou não de Lucinda Riley esse Thriller vai de surpreender. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

News: Harlan no Today Show / Trecho do livro 'I will find you'

O Harlan participou hoje, do Today Show para indicar leituras e também foi divulgado no site do programa um trecho especial do seu próximo livro “I will find you”, com previsão de lançamento, no exterior, para março/2023. Ainda sem previsão para o Brasil.

Nós traduzimos o trecho disponibilizado para vocês, trata-se de uma tradução livre. 

Podem conferir o texto integral em inglês aqui. 

“Estou cumprindo o quinto ano de prisão perpétua por assassinar meu próprio filho.

Alerta spoiler: eu não fiz isso.

Meu filho Matthew tinha três anos na época de seu assassinato brutal. Ele foi a melhor coisa da minha vida, e depois se foi, e desde então estou cumprindo uma sentença de prisão perpétua. Não metaforicamente. Ou devo dizer, não apenas metaforicamente. Esta seria uma sentença de prisão perpétua, não importa o motivo, mesmo se eu não tivesse sido preso, julgado e condenado.

Mas no meu caso, neste caso, minha sentença de prisão perpétua é metafórica e literal.

Como, você se pergunta, posso ser inocente?

Eu apenas sou.

Mas não lutei e protestei minha inocência com cada fibra do meu ser?

Não, na verdade não. Isso remonta, eu acho, à frase metafórica. Eu realmente não me importava muito em ser considerado culpado. Eu sei que parece chocante, mas não é. Meu filho está morto. Esse é o ponto aqui. Esse é o ponto e a manchete e as letras maiúsculas. Meu filho está morto e enterrado, e esse fato não teria mudado se a chefe do júri me tivesse declarado culpado ou inocente. Culpado ou inocente, eu havia falhado com meu filho. De qualquer jeito. Matthew não estaria menos morto se o júri tivesse visto a verdade e me libertado. O trabalho de um pai é proteger seu filho. Essa é sua prioridade número um. Então, mesmo que eu não empunhasse a arma que esmagou o belo ser do meu filho na bagunça mutilada que encontrei naquela noite horrível cinco anos atrás, também não evitei. Eu não fiz meu trabalho como pai dele. Eu não o protegi.

Culpado ou inocente do assassinato real, é minha culpa e, portanto, minha sentença.

Então, eu mal reagi quando a chefe do júri leu o veredicto. Os observadores concluíram, é claro, que devo ser sociopata ou psicopata ou perturbado ou danificado. Eu não conseguia sentir, afirmou a mídia. Eu não tinha um gene de empatia, não podia sentir remorso, tinha olhos mortos, qualquer outra terminologia que me levasse ao campo dos assassinos. Nada disso era verdade. Eu simplesmente não vi o ponto. Eu estava recebendo um golpe devastador quando encontrei meu filho Matthew em seu pijama com tema de heróis da Marvel naquela noite. Aquele golpe me deixou de joelhos, e eu não conseguia me levantar. Não naquele momento. Não agora. Nunca.

A sentença de prisão perpétua metafórica havia começado.

Se você acha que este será um conto sobre um homem injustiçado provando sua inocência, não é. Porque isso não seria uma história. No final, não faria diferença. Ser libertado desse inferno de cela não levaria à redenção. Meu filho ainda estaria morto.

O resgate não é possível neste caso.

Ou, pelo menos, era nisso que eu acreditava até o momento em que o guarda, um caso particularmente excêntrico que chamamos de Curly, chega à minha cela e diz: “Visitante”.

Eu não me movo porque eu não acho que ele está falando comigo. Estou aqui há cinco anos e não recebi visitas durante todo esse tempo. Durante o primeiro ano, meu pai tentou visitar. Assim como um punhado de parentes e amigos próximos e parentes que me acreditavam inocente ou, pelo menos, não realmente culpado. Eu não os deixei entrar. A mãe de Matthew, Cheryl, minha então esposa (ela é agora, não surpreendentemente, minha ex-esposa) também tentou, embora sem entusiasmo, mas eu não a deixei me ver. Deixei claro: sem visitas. Eu não estava tendo autopiedade ou qualquer tipo de piedade. Visitar não ajuda nem o visitante nem o visitado. Eu não liberei e não vejo o ponto.

Um ano se passou. Então dois. Então todo mundo desistiu de tentar visitar. Agora, pela primeira vez em muito tempo, alguém está aqui na Penitenciária Briggs para me ver.

“Baskin,” Curly retruca, “Vamos lá. Você tem uma visita.”

Eu faço uma cara. "Quem?"

“Eu pareço sua secretária social?”

"Essa foi boa."

"O que?"

“A piada da secretaria social. Foi muito engraçado."

"Você está sendo um espertinho comigo?"

"Não tenho interesse em visitantes", digo a ele. “Por favor, mande-os embora.”

Curly suspira. “Baskin.”

"O que?"

“Levante sua bunda. Você não preencheu os formulários.”

“Que formulários?”

“Há formulários para preencher”, diz Curly, “se você não quiser visitas”.

“Eu pensei que as pessoas tinham que estar na minha lista de convidados.”

“Lista de convidados,” Curly repetiu com um aceno de cabeça. “Isso parece um hotel para você?”

“Os hotéis têm listas de hóspedes?” eu o contesto. “De qualquer forma, preenchi algo que não quero receber visitas.”

“Quando você chegou aqui.”

"Certo."

Curly suspira novamente. “Você tem que renovar isso todo ano.”

“O que?"

“Você preencheu um formulário este ano dizendo que não queria visitas?”

"Não."

Curly abriu as mãos. "Ai está. Agora levante-se.”

"Você não pode simplesmente dizer ao visitante para ir para casa?"

“Não, Baskin, não posso, e vou lhe dizer por que. Isso daria mais trabalho para mim do que arrastar sua bunda até os visitantes. Veja, se eu fizer isso, vou ter que explicar por que você não está lá e seu visitante pode me fazer perguntas e então provavelmente terei que preencher um formulário eu mesmo e odeio isso e então você terá que preencher um formulário e eu vou ter que andar de um lado para o outro e, olhe, eu não preciso do aborrecimento, você não precisa do aborrecimento. Então, eis o que vai acontecer: você vai comigo agora e pode simplesmente sentar lá e não dizer nada que eu me importo e então você pode preencher os formulários corretos e nenhum de nós terá que passar por isso novamente. Você me entende?"

"Eu entendo você."

"Legal. Vamos lá."

Eu conheço o ritual, é claro. Deixei Curly colocar as algemas, seguido pela corrente da barriga para que minhas mãos pudessem ser algemadas na minha cintura. Ele pulou as algemas das pernas, principalmente porque elas são uma dor de colocar e tirar. A caminhada é bastante longa da unidade de PC (proteção de custódia, para quem não sabe) da Penitenciária de Briggs até a área de visitação. Dezoito de nós estão atualmente alojados em PC – sete molestadores de crianças, quatro estupradores, dois serial killers canibais, dois serial killers “regulares”, dois assassinos de policiais e, claro, um ex-policial que matou o filho, professor de inglês (moi). Belo círculo.

Curly me lança um olhar duro, o que é incomum. A maioria dos guardas são aspirantes a policiais entediados e/ou cabeças musculosas que olhavam para nós presos com uma apatia impressionante. Eu quero perguntar a ele o que é, mas eu sei quando ficar quieto. Você aprende isso aqui. Sinto minhas pernas tremerem um pouco enquanto ando. Estou estranhamente nervoso. A verdade é que eu me instalei aqui. É horrível – pior do que você imagina – mas ainda assim me acostumei com esse tipo particular de horrível. Este visitante, quem quer que seja depois de todo o tempo, está aqui para entregar notícias que vão sacudir o meu mundo.

Eu não aceito bem isso.

Lembro-me do sangue – o sangue do meu filho – daquela noite. Eu penso muito no sangue. Eu sonho com isso também. Não sei com que frequência. No começo, era todas as noites. Agora eu diria que é mais uma coisa de uma vez por semana, mas eu não conto. O tempo não passa normalmente na prisão. Ele para e começa e engasga e ziguezagueia. Senti o cheiro do sangue naquela noite. Isso é o que eu mais lembro – piscando acordado na cama que eu dividia com minha esposa Cheryl, e aquele odor escuro, úmido e enferrujado me dominando. Você pensaria que aquele cheiro teria me feito pular e ficar de pé. Não. Demorou para eu acordar. Fiquei na minha cama, meu cérebro preso naquele estranho momento entre dormir e acordar, flutuando sempre para cima em direção à consciência.

Em algum momento, eu finalmente me sentei. Olhei para minhas mãos como se pertencessem a outra pessoa.

Sangue, claro. Muito sangue.

Era mais vermelho do que eu imaginava – fresco e brilhante vermelho Crayola-Crayon, espalhafatoso e zombeteiro como o batom de um palhaço contra o lençol branco.

Pulei da cama e chamei o nome de Matthew. Não verifiquei a hora, mas para quem faz anotações em casa, eram quatro da manhã. Eu ainda estava com minhas roupas. Eu desajeitadamente corri para o quarto dele, batendo com força no batente da porta. Havia sangue no corredor. Chamei seu nome novamente. Nenhuma resposta. Corri para o quarto dele e encontrei... você não pode chamar de corpo. Não mais. Caí de joelhos e tentei embalar a forma imóvel, mas não havia nada lá, apenas polpa, mais poça do que humano.

Não me lembro de mais nada. Disseram-me que comecei a gritar. Foi assim que a polícia me encontrou. Ainda gritando. Os gritos se tornaram cacos de vidro atravessando cada parte de mim. Eu parei de gritar em algum momento, eu acho. Também não me lembro disso. Talvez minhas cordas vocais tenham quebrado, não sei. Mas o eco desses gritos nunca me deixou. Esses cacos ainda me rasgam, destroem e destroem.

"Apresse-se, Baskin", diz Curly. “Ela está esperando por você.”

Ela.

Ele disse “ela”. Por um momento, imagino que seja Cheryl, e meu coração acelera. Mas não, ela não virá, e eu não gostaria que ela viesse. Fomos casados por oito anos. Felizmente, pensei. Não muito tempo depois da minha condenação, assinei uma papelada concedendo-lhe divórcio. Isso é tudo que eu sei. Eu não tenho ideia de onde Cheryl está agora, se ela ainda está de luto ou se ela fez uma nova vida para si mesma. Acho melhor assim.

Por que não prestei mais atenção em Matthew naquela noite?

Não estou dizendo que fui um mau pai. Eu não acho que eu era. Mas naquela noite, eu simplesmente não estava com vontade. Crianças de três anos podem ser difíceis. E chato. Todos nós sabemos disso. Os pais tentam fingir que cada momento com seu filho é uma felicidade. Não é. Ou pelo menos foi o que pensei naquela noite. Eu não li uma história de ninar para Matthew porque eu simplesmente não queria me incomodar. Terrível, certo? Acabei mandando meu filho para a cama porque estava obcecado e chateado com um problema estúpido de trabalho. Eu esperava ser promovido a chefe do departamento de inglês do Wathmouth Community College. Eu tinha trabalhado duro para a promoção. Foi-me dito que estava chegando. Consegui a promoção – mas não sozinho. Eu era “copresidente” com uma jovem chamada Belinda Edwards, e não estava feliz em compartilhar aquele holofote pateticamente fraco. Estúpido. Tão estúpido. Somos todos tão luxuriosamente estúpidos quando as coisas vão bem em nossa vida.

Cheryl, que acabara de terminar sua residência em cirurgia geral, trabalhava à noite na sala de emergência infantil do Boston General. Eu estava sozinho com Matthew. Comecei a beber. Eu não sou um grande bebedor e não lido bem com bebidas espirituosas e então as bebidas me atingiram forte e rápido. Resumindo, eu bebi demais e quase desmaiei, então ao invés de vigiar meu filho, ao invés de proteger meu filho, ao invés de ter certeza de que as portas estavam trancadas (não estavam) ou escutar um intruso ou diabo, ao invés de ouvir uma criança gritar de terror e/ou agonia, eu estava em um estado que o promotor chamou zombeteiramente de “soneca da bebida”.

Não me lembro de mais nada até, é claro, aquele cheiro.

Eu sei o que você está pensando: talvez ele (que significa “eu”) fez isso. Afinal, as provas contra mim eram bastante esmagadoras. Entendi. É justo. Às vezes me pergunto isso também. Você teria que ser realmente cego ou delirante para não considerar essa possibilidade, então deixe-me contar uma história rápida que eu acho que se relaciona a isso: uma vez eu chutei minha então esposa Cheryl com força enquanto dormíamos. Eu estava tendo um pesadelo em que um guaxinim gigante estava atacando nosso cachorrinho Laszlo, então, em pânico durante o sono, chutei o guaxinim o mais forte que pude e acabei chutando Cheryl na canela. Foi estranhamente engraçado, vê-la tentar manter uma cara séria enquanto eu defendia minhas ações (“Você gostaria que eu deixasse Laszlo ser comido por um guaxinim?”), mas minha maravilhosa esposa cirurgiã, a mulher mais gentil que você eu sempre gostaríamos de conhecer, uma mulher que amava Laszlo e todos os cães, ainda fervilhando:

"Talvez", Cheryl me disse, "subconscientemente, você queria me machucar."

Ela disse isso com um sorriso e então ela não quis dizer isso. Pelo menos, eu não acho que ela queria. Esquecemos imediatamente e tivemos um ótimo dia juntos. Mas agora penso muito nisso. Eu estava dormindo e sonhando naquela noite também. Um chute não é um assassinato, mas quem sabe, certo? A arma do crime era um taco de beisebol. Tinha minhas impressões digitais nele. Isso foi, desculpe o trocadilho, uma tacada. Aliás, minha vizinha a Sra. Winslow, que morava na casa atrás do nosso bosque há quarenta anos, me viu enterrar aquele morcego. Esse era a outra tacada, embora eu me perguntasse sobre isso, sobre eu ser supostamente inteligente o suficiente para tentar me livrar da arma do crime (embora muito perto do local do crime), mas burro o suficiente para deixar suas impressões digitais nela. Eu me pergunto sobre um monte de coisas assim. Por exemplo, eu tinha adormecido depois de uma ou duas bebidas a mais, uma ou duas vezes antes – quem não adormeceu? – mas nunca assim. Talvez eu tivesse sido drogado, mas no momento em que eu era um suspeito viável, era tarde demais para testar isso. A polícia local, muitos dos quais reverenciavam meu pai, apoiaram no início. Eles investigaram algumas pessoas más que ele havia afastado, mas isso não parecia certo, nem mesmo para mim. Papai tinha feito inimigos, claro, mas isso foi há muito tempo. Por que alguém mataria um menino de três anos por esse tipo de vingança? Não fazia sentido. A autópsia também não mostrou sinais de agressão sexual, então podemos descartar isso também como motivo. Então, realmente, quando você soma tudo, resta apenas um suspeito real.

Eu.

Então, talvez algo como meu sonho de chute de guaxinim aconteceu aqui. Não é impossível. Meu advogado Abe Tansmore queria fazer um argumento como esse. Minha família, alguns deles pelo menos, acreditavam que eu deveria seguir esse caminho também. Havia minha “história de doença mental”, eles me lembraram. Eu poderia usar isso.

Mas não, eu não confessaria porque, apesar desses raciocínios, não fiz isso. Eu não matei meu filho. Eu sei que não. Eu sei. E sim, eu sei que todo criminoso diz isso.

Curly e eu fazemos a curva final. A Penitenciária de Briggs está  no Early American Asphalt. Tudo era um cinza desbotado, uma estrada desbotada depois de uma tempestade. Eu tinha saído de uma casa colonial de três quartos, dois banheiros e meio, salpicado de amarelo-sol com persianas verdes, decorado em tons de terra e antiguidades de pinho, bem situada em um terreno de três quartos de acres em uma rua sem saída. - para isso. Não importa. Os arredores são irrelevantes. Exteriores, você aprende, são ilusões e, portanto, sem sentido.

Há um zumbido, e então Curly abre a porta. Muitas prisões atualizaram as áreas de visitação. Os reclusos de menor risco podem sentar-se à mesa com o seu visitante ou visitantes sem divisórias ou barreiras. Não posso. Aqui na Briggs ainda temos vidros à prova de balas. Sento-me em um banquinho de metal que está parafusado no chão. Minha corrente da barriga está solta para que eu possa segurar o telefone. É assim que os visitantes se comunicam – por telefone e vidros.

A visitante não é minha ex-mulher Cheryl, embora ela se pareça com Cheryl. É sua irmã Rachel.

Rachel está sentada do outro lado, mas eu vejo seus olhos se arregalarem quando ela me observa. Eu quase sorrio com a reação dela. Eu, seu outrora amado cunhado, o ex-prodígio literário, o homem com o senso de humor excêntrico e o sorriso despreocupado, certamente havia mudado nos últimos cinco anos. Eu me pergunto o que ela percebe primeiro. A perda de peso de trinta quilos, talvez. Ou talvez os ossos faciais quebrados que não se curaram adequadamente. Pode ser minha pele pálida, a queda dos ombros outrora atléticos, o ralo e o grisalho do meu cabelo.

Sento-me e olho para ela através do acrílico. Pego o telefone e gesticulo para que ela faça o mesmo. Quando Rachel leva o telefone ao ouvido, eu falo.

"Por que você está aqui?"

Rachel quase consegue dar um sorriso. Sempre fomos próximos, Rachel e eu. Ela era uma tia maravilhosa para o Matthew. "Não é muito bom com gentilezas, eu diria."

"Você está aqui para trocar gentilezas, Rachel?"

Qualquer indício de sorriso que havia desaparece. Ela balança a cabeça. "Não."

Eu espero. Rachel parece desgastada, mas ainda bonita. Seu cabelo ainda era o mesmo loiro acinzentado de Cheryl, seus olhos do mesmo verde escuro. Eu me mexo no meu banco e olho para o ângulo dela porque dói olhar diretamente para ela.

Rachel pisca para conter as lágrimas e balança a cabeça. “Isso é muito louco.”

Ela abaixa o olhar e, por um momento, vejo a garota de dezoito anos que conheci quando Cheryl me trouxe para sua casa de Amherst College em Nova Jersey durante nosso primeiro ano. Os pais de Cheryl e Rachel realmente não me aprovaram. Eu era um pequeno colarinho azul para eles, com o pai policial da batida e a educação em uma casa geminada. Rachel, por outro lado, tinha gostado de mim imediatamente, e eu passei a amá-la como a coisa mais próxima que eu teria de uma irmãzinha. Eu me importava com ela. Eu me senti protetor com ela. Um ano depois, eu a levei de carro e a ajudei a se mudar para Dartmouth como estudante de graduação e, mais tarde, para Columbia, onde ela estudou jornalismo.

"Faz muito tempo,” Rachel diz.

Eu concordo. Eu quero que ela vá embora. Dói olhar para ela. Eu espero. Ela não fala. Eu finalmente digo algo porque parece que Rachel precisa de uma tábua de salvação e então não posso me conter.

"Como está Sam?" Eu pergunto.

"Tudo bem", diz Rachel. "Ele trabalha para a Merton Farmacêutica agora. Em vendas. Ele se tornou gerente, viaja muito." Então ela dá de ombros e acrescenta: “Estamos divorciados”.

"Oh," eu digo. "Desculpe."

Ela dá de ombros. Eu realmente não sinto muito em ouvir isso. Eu nunca pensei que Sam fosse bom o suficiente para ela, mas eu me sentia assim com a maioria de seus namorados.

“Você ainda está escrevendo para o Globe?” Eu pergunto.

“Não,” ela diz em uma voz que bate a porta nesse assunto.

Ficamos em silêncio por mais alguns segundos. Então eu tento novamente.

“É sobre Cheryl?”

"Não. Na verdade, não."

Eu engulo. "Como ela está?"

Rachel começa a torcer as mãos. Ela olha para todos os lugares, menos para mim. “Ela se casou novamente.”

As palavras me atingiram como um soco no estômago, mas eu as tomo sem sequer vacilar. Isso, penso comigo mesmo. É por isso que não quero visitas.

“Ela nunca culpou você, você sabe. Nenhum de nós fez.”

"Rachel?"

"O que?"

"Por que diabos você está aqui?"

Voltamos ao silêncio. Atrás dela, vejo outro guarda, que não conheço, olhando para nós. Há três outros presos aqui agora. não conheço nenhum deles. Brigg é um lugar grande, e eu tento me manter na minha. Estou tentado a me levantar e ir embora quando Rachel finalmente fala.

"Sam tem um amigo", diz ela.

Eu espero.

“Não é realmente um amigo. Um colega de trabalho. Ele está do lado do marketing. Na gestão também. Na Merton Farmacêutica. Seu nome é Tom Longley. Ele tem uma esposa e dois filhos. Família legal. Costumávamos nos reunir às vezes. Para churrascos da empresa, coisas assim. O nome de sua esposa é Irma. Eu gosto dela. Irma é muito engraçada.”

Rachel para e balança a cabeça.

“Eu não estou dizendo isso direito.”

"Não, não", eu digo. “É uma ótima história até agora.”

Rachel sorri, sorri de verdade, com meu sarcasmo. "Uma dica do velho David", diz ela.

Ficamos quietos novamente. Quando Rachel começa a falar, suas palavras saem mais lentas, mais medidas.

“Os Longleys fizeram uma viagem da empresa há dois meses para um parque de diversões em Springfield. Six Flags, acho que se chama. Levou seus dois meninos. Irma e eu continuamos amigas, mesmo depois do divórcio, então ela me convidou para almoçar outro dia. Ela falou sobre a viagem – um pouco fofoqueira porque acho que Sam trouxe sua nova namorada. Como se eu me importasse. Mas isso não é importante.”

Eu mordo a resposta sarcástica e olho para ela. Ela segura meu olhar.

“E então Irma me mostrou um monte de fotos.”

Rachel para aqui. Não tenho a menor ideia de onde ela quer chegar com isso, mas quase posso ouvir algum tipo de trilha sonora de mau presságio na minha cabeça. Rachel pega um envelope pardo. Oito por dez tamanho, eu acho. Ela o coloca no parapeito à sua frente. Ela o encara por muito tempo, como se estivesse debatendo seu próximo passo. Então, de uma só vez, ela enfia a mão no envelope, pega algo e o pressiona contra o vidro.

É, como anunciado, uma foto.

Não sei o que fazer com isso. A fotografia realmente parece ter sido tirada em um parque de diversões. Uma mulher – eu me pergunto se isso é a muito engraçada Irma – sorri timidamente para a câmera. Dois meninos, provavelmente os Langleys, estão em cada quadril, nenhum dos dois olhando para a câmera. Alguém com uma fantasia de Pernalonga está à direita; alguém vestido como Batman está à esquerda. Irma parece um pouco chateada - mas de uma maneira divertida. Quase posso imaginar a cena. O bom e velho Marketing Farmacêutico Tom alegremente incitando a Irma muito engraçada a posar, Irma muita engraçada não realmente de bom humor, mas sendo uma boa atividade, os dois garotos não tendo nada disso, todos nós estamos lá. Há uma gigante montanha-russa vermelha ao fundo. O sol está brilhando nos rostos da família Langley, o que explica por que eles estão apertando os olhos e se virando levemente.

Rachel está de olho em mim.

Eu levanto meus olhos para ela. Ela continua pressionando a fotografia contra o vidro.

“Olhe mais de perto, David.”

Eu a encaro por mais um ou dois segundos e então deixo meu olhar vagar de volta para a fotografia. Desta vez eu vejo imediatamente. Uma garra de aço atinge meu peito e aperta meu coração. não consigo respirar.

Há um menino.

Ele está ao fundo, na borda direita do quadro, quase fora da imagem. Seu rosto está em perfil perfeito, como se ele estivesse posando para estar em uma moeda. O menino aparenta ter uns oito anos. Alguém, talvez um homem adulto, segura a mão do menino. O menino olha para o que eu suponho ser as costas do homem, mas o homem está fora do quadro.

Eu sinto as lágrimas empurrarem meus olhos e estendo os dedos hesitantes. Acaricio a imagem do menino através do vidro. É impossível, claro. Um homem desesperado vê o que quer ver e vamos encarar isso – nenhum morador do deserto, sedento e enlouquecido pelo calor e faminto que já conjurou uma miragem jamais esteve tão desesperado. Matthew ainda não tinha completado três anos quando foi assassinado. Ninguém, nem mesmo um pai amoroso, poderia adivinhar como ele seria com cinco anos de idade. Não com certeza. Há uma semelhança, só isso. O menino se parece com o Matthew. Parece. É uma semelhança. Nada mais. Uma semelhança.

Um soluço rasga através de mim. Eu coloco meu punho em minha boca e mordo. Demora alguns segundos antes que eu seja capaz de falar. Quando o faço, minhas palavras são simples.

“É o Matthew.” 


SOS!!!! E ai, empolgados? A gente está bem assim, querendo saber mais:

sábado, 17 de julho de 2021

Resenha: Projeto Duquesa / Sabrina Jeffries

Quem é leitor assíduo de romances de época sabe que duques são peças raras e cobiçadas no meio da alta sociedade. Sabrina Jeffries quebra os padrões ao nos apresentar a uma família que não tem apenas um, mas três duques aptos e disponíveis ao casamento, porém com pouco interesse em se comprometer com um matrimônio, já dá para imaginar que é uma família que dá o que falar nos círculos sociais, né?

Então vamos conhecer um pouco dessa família?

A matriarca: Lydia Fletcher ou “aquela que perdeu o terceiro marido”, é a mãe dos duques e fará de tudo para vê-los felizes, mas será que tem alguma espécie de maldição envolvendo os seus maridos, imagina ficar viúva três vezes? Para lidar com o luto, ela decide se envolver em certo projeto.

O duque mais velho: Fetcher Pryde, o quinto duque de Greycourt, também conhecido apenas como Grey, é um daqueles duques famosos pela libertinagem, os jornais amam compartilhar suas aventuras envolvendo até mesmo uma rede secreta de libertinos solteiros, apesar da fofoca ser quente, muitas pessoas não acreditam, já que Grey é super ligado aos negócios e tem uma fortuna sendo constantemente multiplicada por sua sagacidade. 

O duque do meio: Marlowe Drake, terceiro duque de Thornstock, também conhecido como Thorn, é aquele que uma fofoca sobre ter uma rede de libertinagem não assustaria ninguém. Ele tem uma irmã gêmea, a Gwyn, que tem a missão de enfrentar a sua primeira temporada na sociedade londrina, e é muito divertida, prepare-se para saber como evitar um cavalheiro num baile. 

O duque mais novo: Sheridan Wolfe, quinto duque de Armitage, quem acabou de receber o título depois da súbita morte de seu pai. E está tentando desvendar um mistério.

E por último mais não menos importante:

O projeto da Lydia: uma senhorita chamada Beatrice Wolfe, com um passado trágico, ela é prima de Sheridan e sua tia Lydia prometeu ajuda-la a conseguir um bom marido. 

Se perdeu em quem é quem? Quem é irmão de quem? Não se preocupe que o livro tem uma árvore genealógica para você se localizar até conhecer todo mundo.

Com o falecimento do seu padrastro, Grey é convocado a se reunir com sua família em Armitage Hall, ele é informado por sua prima favorita, Vanessa, que é quase uma irmã para ele. Grey não tinha uma relação muito amorosa com sua mãe e era distante dos irmãos. No passado ele foi obrigado a se separar de sua família.

Beatrice Wolfe vivia com seu irmão, que é um pouco ausente, os dois tem um passado complicado, que os colocou numa posição de quase como viver de favor no ducado de Armitage. Tudo que Beatrice almeja é realizar um casamento com alguém que possa conceder a ela e ao irmão alguma segurança, já que ambos viviam com medo de serem jogados na rua. 

A segunda parte do projeto da Lydia, envolve o Grey, já que não havia pessoa melhor para ensinar a Beatrice, as danças, modos e tudo mais que seja necessário do cotidiano da alta sociedade londrina. 

E o que num primeiro momento é motivo de repulsa, Grey e Beatrice não poderiam ser mais diferentes, ela vivia sem todas as regras através das quais ele acreditava serem o modo de vida correto, mas conforme eles se conhecem de verdade e retiram todas as máscaras, percebem que são mais parecidos do que imaginavam.

Mas não se engane, esse amor não é fácil, ambos, por motivos diferentes, relutam em se entregar, em contar seus segredos, será que se soubessem todos os segredos um do outro poderiam ficar juntos? Quais são esses segredos que eles escondem? O legal é que os capítulos são narrados intercaladamente entre os dois, então dá para o leitor saber o que se passa na cabeça de cada um. 

“Não era a mulher certa para ele, por vários motivos. Enquanto o coração dela era de ouro, ele sequer tinha um. Beatrice falava o que lhe passava pela cabeça, ao passo que ele escondia qualquer pensamento.”

“Ela era uma boba por ter acreditado que Grey a desejava. Provavelmente tinha imaginado aquele desejo, perdida nas emoções que sentia”

E por falar em segredos, temos um mistério envolvendo a Lydia, que para descobrir você precisará ler. 

Se você curte romances de época que as famílias irreverentes tem um papel importante, essa é a pedida certa. Os personagens pensam muito na família, ou têm traumas provocados pela família, que as vezes pode ser uma aliada ou o seu pior inimigo. A Sabrina Jeffries mostra que o amor, seja o familiar, ou o romântico deve partir de um mesmo pressuposto: a confiança. Seja para mergulhar em um relacionamento, seja para ter alguém com quem contar nos momentos difíceis. E que o amor sempre vale a pena.

“Quando amamos alguém, corremos o risco de sofrer. E eu sempre tive muito medo do sofrer por amor”


Importante: essa série é legal ler na ordem, já que um mistério irá se desenrolar ao longo dos outros livros. A dinastia dos duques é composta por:

1- Projeto Duquesa

2- O duque solteiro

3- Quem quer casar com um duque?

4- Um duque à paisana

Extra: A Editora Arqueiro disponibilizou gratuitamente o conto "Um par perfeito" que se passa após o Projeto Duquesa, seria o número 1.5 na série, mas pode ser uma forma de conhecer esses personagens também, pode baixar aqui.