sábado, 4 de julho de 2026

Resenha: Nosso final feliz / Ashley Poston

    Sabe a sua série de livros favorita? Os personagens, cenários, imagina se um dia, sem querer, depois de se perder com o gps e muita chuva envolvida, você simplesmente entrar na cidadezinha, que você tanto pensou e passou seu tempo nos últimos anos. É como viver um sonho. Você conhece as pessoas, os lugares e todos os detalhes.... será que isso é possível? ‘Nosso final feliz” nos leva para Eloraton, onde tudo é possível.

“Às vezes, um livro pode mudar nossa vida. É difícil explicar para alguém que não lê, ou que nunca sentiu o coração se envolver com força com uma história a ponto de praticamente se partir ao meio. Alguns livros são um consolo, outros, um alívio, outros são férias, lição, coração partido.”

Duas amigas e um vício: livros de romance. As duas não poderiam ser mais diferentes, mas desde crianças foram vivendo todas as etapas da vida juntas, se apoiando e tendo os livros como seus escudeiros. Prudence e Eileen acreditavam muito no amor e principalmente, amavam ler sobre o amor. E uma série de livros é a favorita das duas, ambientada numa cidadezinha pitoresca chamada Eloraton.

Elas participam de um clube do livro de romances, e anualmente tem uma reunião presencial. A vida da Eileen estava um caos e esse ano tudo o que ela precisava era um dia com seus amigos, tão fãs de romances quanto ela, ela ansiava por isso, e quando todo mundo tem imprevistos e ela é a única que com disponibilidade, ela decide ir sozinha. Pegar o carro e ir, pronto.

“A minha história não era interessante mesmo. Uma leitura de três estrelas no máximo.”

O que ela não poderia imaginar é que o gps seria tão difícil de entender e ela acabaria em uma cidadezinha que apenas nos seus sonhos mais doidos ela poderia conhecer.

Sim, ela chega na cidade fictícia, e estão todos ali, os queridos personagens por quem ela tanto torceu, ela está encontrando todos pela primeira vez, mas já os conhece há muito tempo.

Como isso pode ser real? Ela está na fictícia Eloraton.

E depois de um quase atropelamento, o carro dela fica com um problema, o que faz com que ela tenha que permanecer por lá. Em um primeiro momento, ela acha que é uma pegadinha, ou sei lá, será que ela morreu? Ou é tudo um sonho?

“Se aquilo era piada, era muito elaborada, até o ponto de as pessoas se parecerem com os personagens sobre quem eu tinha lido dezenas e dezenas de vezes, até as lombadas racharem.”

É o Anders que faz com ela perceba que o que está vivendo é real, pelos motivos: 1- ele não é um personagem dos livros, 2- ele é muito rabugento, tem uma energia que não combina em nada com Eloraton e 3- além de ser gatíssimo, também é dono de uma livraria. O que nem o Anders, nem a Eileen poderiam imaginar é que teriam tanto em comum e o principal, amavam a mesma série de livros.

“Toda a noção de que aquilo era errado, de que era proibido, de que no dia seguinte eu iria embora... sumiu da minha cabeça em um instante. Eu não estava nem aí. Toda leitora que conheço sempre quis cair nos braços de um namorado de livro, de um Darcy fictício, de um mocinho com um toque byroniano que fosse todo seu. E foi o que eu fiz.”

Eileen percebe que suas atitudes têm consequência para os personagens, mas que ali, são pessoas de verdade, será que a presença dela poderia estragar todos os finais felizes que ela já leu?

Como é possível errar o caminho e acabar perdida numa cidade fictícia? No começo da leitura fiquei me perguntando e ansiando por uma explicação, numa pegada meio ficção científica, fiquei pensamento que estar em Eloraton poderia ter uma explicação mais ‘técnica’, mas a verdade é que se perder em Eloraton é uma grande metáfora, se perder por lá é necessário para que Eileen se reencontre, depois de tudo que aconteceu com ela (que, acredite, foi dureza passar).

Além do romance e de conhecer personagens bem interessantes, esse livro é um presente para quem gosta de ler, é um livro sobre livros.

A identidade é uma grande questão no livro, não adianta se perder de si mesmo para agradar outra ou outras pessoas, certamente, um final feliz não será possível, já que não tem como viver sendo um personagem, viver dias repetidos, sem se arriscar e sem impor suas próprias vontades.

Romances são seguros, o final feliz sempre é garantido. Às vezes é mais fácil escolher viver através das páginas do que arriscar na vida real, mas ‘O nosso final feliz’ nos mostra que até mesmo um coração partido é melhor do que não viver nada.

E o amor, não é apenas romântico. Ele está presente em todas as relações, o amor por um amigo, amor pela família, por uma cidade, por uma série de livros. Você já arriscou ler um romance? Cuidado. Você pode acabar se apaixonando. 


Confira a resenha de outro livro da Ashley Poston: 

Sete anos entre nós

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