A Viúva entrega tudo aquilo que esperamos de um livro do John Grisham, tretas jurídicas, suspense, reviravoltas no tribunal e um texto eletrizante, que faz a gente torcer por alguns personagens, enquanto odeia outros. Além de nos fazer pensar: o que eu faria numa situação dessas?
E se você fosse condenado por um crime que não cometeu? Você foi pro júri no banco dos réus acreditando que não seria condenado, já que não haviam provas sólidas contra você....
Mas
estou me adiantando, vamos voltar pro início:
Simon
é um advogado que lida com casos cíveis simples, nada muito
espetacular e nada que pudesse fazer com que ele ficasse rico, os honorários
nunca foram muito bons, mas ele sempre foi honesto, apesar de ter um vício em
jogos de apostas. Em casa, as coisas não iam bem, seu casamento estava por um
fio, mas ele ama os filhos e fará tudo que estiver a seu alcance para que as
crianças não sofram.
Quando
uma viúva idosa, Eleanor, chega ao escritório do Simon querendo fazer um testamento,
alegando que o marido deixou uma fortuna e que ela não tem mais ninguém, isso
desperta o pior lado do Simon, ele vê ali a sua galinha dos ovos de ouro.
"Após dezoito anos de trabalho árduo, Simon F. Latch, advogado e consultor jurídico, estava esgotado. Exausto dos problemas alheios."
O
que ele não poderia imaginar é que ele não era o único com esse pensamento.
Ora, mas se a senhora iria morrer de qualquer forma, não havia herdeiros, qual
seria o problema dele solucionar a própria vida? Seria errado, estipular bons
honorários e administrar o fundo?
Ele começa uma missão de fazer com que a Eleanor confiasse nele, enquanto produzia o texto do testamento, longe dos olhos da sua secretária, foram almoços e jantares todos pagos pelo próprio Simon, ela nunca se dispôs a pagar nada.
Tudo
estava indo muito bem, até que Eleanor sofre um grave acidente de carro, é
internada por alguns dias, o quadro se agrava e ela acaba morrendo.
Não
haveria problema algum, mortes acontecem, não é?
Bem, uma denúncia anônima faz com que a polícia entre em cena para descobrir que a morte não foi devido uma questão de saúde, a senhora havia sido envenenada e o principal suspeito? O Simon.
E voltamos lá pra parte que comecei comentando, nós leitores confiamos que não foi o Simon, mas será mesmo? Muitos são os suspeitos que poderiam ter interesse na fortuna, herdeiros surgem, outro testamento, mas será que a fortuna existe mesmo?
John
Grisham é especialista nos thrillers jurídicos e ele nunca decepciona, só ele é
capaz de escrever cenas de tribunal eletrizantes, chega um ponto do livro que a
gente precisa saber qual vai ser o veredicto, se a justiça vai ser feita ou
não, parece que é a gente que está lá sendo julgado.
A
ganância é um dos principais pontos do livro, o dinheiro transforma as pessoas,
seja pro bem ou pro mal. Mas será que vale tudo? E as questões éticas? E a
moral? No livro, passamos por diversas situações nas quais podemos discutir
esses limites.
No
final eu queria mais páginas até, depois de uma grande jornada para que tudo
fosse desenvolvido e revelado, o final pareceu até um pouco corrido.
Um
dos pontos que acho sempre mais legais dos livros do Grisham, é o fato dele
explorar o mundo da advocacia e mostrar os bastidores, longe do glamour que
muitas pessoas acreditam existir, entre advogados honestos que lutam para
conseguir se sustentar, aqueles que apenas o dinheiro importa, os sem escrúpulo algum, ou mesmo aqueles que
não aguentam viver nesse mundo e desistem do ramo. É um verdadeiro tour pela
profissão.
Eu fiquei muito surpresa com o final, em um momento eu tinha certeza que já tinha desvendado tudo, para perceber que estava totalmente enganada.
"A verdade era que metade dos clientes nem precisava fazer um testamento, por mais simples que fosse, embora nenhum advogado na história dos Estados Unidos jamais houvesse dito isso a alguém disposto a pagar. Também era verdade que honorários de 250 dólares eram um roubo, pois a internet estava repleta de modelos de testamento-padrão gratuitos e igualmente válidos."


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