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sábado, 25 de setembro de 2021

Resenha: 100 pedaços de mim / Lucy Dillon

Terminei de ler com um sorriso e lágrimas nos olhos. Percebi até que estava prendendo o ar e na última página dei aquele suspiro forte, sabe? Foi muito inspirador esse livro. Ele foi me conquistando aos poucos, a cada novo capítulo entre o presente e o passado da Gina, nós conseguimos montar a tapeçaria da vida dela e ao lado dela vivenciar uma jornada de aprendizados.

Imagina que você precisa manter apenas 100 coisas dentre tudo o que você possui, quais itens você manteria? Você conseguiria se desapegar de tudo? Essa premissa foi o que me deu vontade de ler o livro, já fiquei imaginando quais táticas a personagem principal iria utilizar para escolher quais itens e também fiquei pensando no motivo que ela teve para ter que tomar uma decisão tão drástica e minimalista.

“Seria possível se livrar de tanta coisa e manter alguma parte de si mesma? Ou era esse o objetivo – focar em ser você mesma, em vez de depender de coisas que expliquem quem você é?”

A vida da Gina virou ao avesso, ela está se separando do cara que todos dizem ser o parceiro perfeito, o Stuart, e está se mudando para um apartamento pequeno junto com milhões de caixas com todos os objetos que adquiriu ao longo da vida, ela decide que só irá manter 100 pertences, mas não vai ser fácil decidir quais e nem relembrar todas as memórias que cada item traz à tona.

Cada capítulo é iniciado por um item, e a partir dele sabemos o que aconteceu no passado envolvendo esse item e o que a Gina vai fazer com ele no presente. Ela viveu muitos momentos traumáticos em sua vida, e se culpa muito por algumas de suas ações, carrega um verdadeiro peso nas costas, o que ela não enxerga em si mesma é que é uma mulher incrível que abriu a própria empresa e está passando por uma separação onde não vai precisar ficar pedindo esmola pro ex. 

No momento, ela está envolvida em um projeto de restauro de uma casa tombada, ela ama descobrir cada segredo por traz de uma janela ou um corrimão, mesmo que os proprietários não saibam se irão mesmo viver naquela casa. 

Quando ela vê a própria vida encaixotada no seu novo e pequeno apartamento, ela percebe que precisa colocar um ponto final em várias questões do passado, dentre elas: o passado nebuloso do pai, de quem a sua mãe nunca falou muito abertamente, mesmo Gina sempre perguntando, a sua relação com padrasto, quem de fato criou Gina, o seu primeiro amor, o Kit, de quem Gina não consegue esquecer de verdade e além disso, Gina teve um grave problema de saúde, que também é um peso do passado nas suas costas. 

“Sabe quando você tropeça e vai cambaleando para recuperar o equilíbrio, fingindo que aquele movimento esquisito é normal pro caso de alguém estar vendo? É exatamente como sinto que vivi minha vida. Como não consegui a vida que teria, eu venho só cambaleando pra frente, mas... não de uma forma muito bonita.”

E ao longo das páginas vamos percebendo que viver a sua própria vida nos moldes da felicidade que você imagina é a melhor coisa, na verdade, o que é a felicidade? Cada um tem uma resposta diferente e não adianta nos comprarmos com o vizinho, com amigos, isso é perda de tempo. Um tempo que a gente não sabe a duração, já que nossas vidas não vêm com um prazo de validade definido, então por que não apenas viver e estar presente? Presente de verdade mesmo para ver um por do sol, para abraçar um amigo, para sorrir como se não houvesse amanhã. Ao lado da Gina a gente vê que cada um desses momentos são pedaços de nós, e são eles que fazem nós sermos quem somos. 

Por fim, preciso aclamar o personagem mais legal do livro, desculpa Gina, o Buzz, um doguinho que é a coisa mar linda e que também nos dá uma bela lição. E falando em doguinhos, eles são a marca registrada da Lucy, são de fato personagens nos livros e nos fazem querem sair de casa e adotar um. 

“As vezes alguém entra na sua vida em épocas estranhas e você não sabe bem o motivo. Mas depois acaba que é exatamente a pessoa certa para aquele momento. Você não acha?”


Esse livro faz parte da coleção Romances de hoje da Editora Arqueiro. São romances onde a personagem principal feminina busca a felicidade pelas mais diversas formas, o romance amoroso está presente, porém não é o foco. Costumo dizer que são histórias inspiradoras e no final de cada livro a gente fica com vontade de dar um abraço nele. Você pode conferir a resenha do outro livro da Lucy Dillon já lançado no Brasil, "Lições inesperadas sobre o amor", aqui.

domingo, 28 de março de 2021

Resenha: Lições inesperadas sobre o amor / Lucy Dillon

Estamos diariamente aprendendo sobre o amor, suas formas e possibilidades. O amor as vezes pode nos enganar, nos deixar cego, fazer com que a gente queira ser uma pessoa melhor. Lucy Dillon em 'Lições inesperadas sobre o amor' nos mostra que a maior lição que podemos aprender é que o amor nunca é estático, para dar certo precisa sempre se ajustar.

'Lições inesperadas sobre o amor' faz parte da coleção 'Romances de hoje' da Editora Arqueiro, são livros que exploram dramas e desafios de mulheres contemporâneas, não são livros sobre romances, apesar de sempre ter um romance, mas sobre a superação desses desafios que podem acontecer na vida de qualquer um, seja coração partido, amizade tóxica, desemprego, qualquer coisa que dê aquela chacoalhada na vida para colocar de volta aos eixos. Os romances de hoje são muito gostosos de ler e nos dão um ânimo de colocar um gás nas nossas próprias vidas. Todos os livros da coleção são individuais, então é só pegar um e se jogar. 

Jeannie se apaixonou por Dan e quando se viu estava se encaminhando para a cerimônia de casamento. Já vestida de noiva ela se sente errada, tudo parecia errado, desde o vestido que estava muito apertado ao noivo, ela o amava de verdade? Ela o conhecia de verdade? O que ela estava fazendo?

Depois de conhecer o Dan através de um aplicativo de namoro e ter um ano espetacular ao seu lado, com viagens explorando lugares incríveis. O pedido em Nova York, Jeannie mergulhou no noivado sem saber de fato quem era o seu noivo.

“Uma sensação de vazio cresceu dentro dela. Como poderia prometer aquilo a Dan? Não o conhecia o suficiente. Com essa percepção, Jeannie de repente sentiu como se a cabeça fosse se soltar do corpo e sair voando. Mas como desistir de algo assim agora, a minutos da cerimônia? Ela não poderia fazer isso. Havia muitas pessoas envolvidas. E Dan! Como poderia fazer isso com Dan?”

Quando ela decide ligar para ele e cancelar o casamento, a ligação cai na caixa postal e ela deixa uma mensagem. O que ela iria fazer? Não podia se casar, certo? Por que ela não pensou em tudo isso antes? Ela se sente perdida.

Quando o seu celular toca ela acha que é o Dan, mas na verdade é o padrinho Owen com uma notícia que joga tudo pelos ares: Dan sofreu um acidente.

E a partir desse momento Jeannie já começa a se achar culpada, será que ele ouviu a mensagem? Será que ele vai ficar bem? O que ela faria agora? Bem pelo menos não teria mais casamento, certo? Isso é muito cruel em se pensar? Ela não sabia.

Enquanto a vida ao lado de Dan fica em suspenso, Jeannie vai morar na casa que seria deles, um chalé ao lado de um canil beneficente, ela começa a fazer amizade na cidade de Longhampton e a se encantar pelos doguinhos. E por falar neles, o doguinho da capa não é meramente ilustrativo, tem uma conscientização sobre a importância da adoção e em como eles podem ajudar a superar os obstáculos da vida e serem grandes parceiros.

Com algumas reviravoltas e muitos segredos, Lucy Dillon me fez criar teorias doidas sobre o que aconteceria no final (que é lindo). A verdade é que o amor só acontece se os dois querem, seja o amor familiar, a amizade ou o amor romântico, não existe amor unilateral, o encaixe é necessário.

A leitura do livro nos faz pensar sobre nossa vida, sobre as relações que construímos e em como podemos perder tempo seja num romance ou numa amizade que não nos acrescenta em nada, mas que sempre damos mais uma chance, a vida passa tão rápido que a lição principal é sempre colocar os próprios sentimentos em primeiro lugar, independente de qualquer coisa, estar confortável, ter uma parceria de verdade é o que vale a pena.

“Ela se obrigou a respirar devagar, guardando aquele momento no coração. Pequenas faíscas atravessaram a ponta de seus dedos e correram até seu punho. Jeannie sentiu a mão dele pressionar a sua, experimentando a mesma coisa que ela: o encaixe, a exatidão. A certeza de que poderia ser muito mais.”