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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Resenha: Fique Comigo / Harlan Coben

 Fique Comigo é um daqueles livros que o Harlan Coben faz com que a gente questione nossas próprias convicções, moral e ética, ao final do livro já estamos torcendo por personagens contraditórios enquanto somos enganados pelas reviravoltas. Fica muito claro do por que a Netflix ter escolhido esse livro para ser a próxima adaptação, que estreia amanhã, dia 31/12.

O livro foi relançado em 2021 pela Editora Arqueiro com a nova identidade visual. É um livro individual, mas o Harlan colocou algumas participações especiais que os leitores mais assíduos irão identificar. E dessa vez ele nos leva por um tour em Atlantic City. 

Megan Pierce conquistou o seu “american dream”, tem a casa perfeita, o marido perfeito, um casal de filhos, apesar de amar essa sua vida de mãe-dona-de-casa e ser grata, ela tem muitos conflitos internos sobre o que seria sua vida ideal. O seu passado esconde segredos, uma vida completamente diferente, que o seu marido não faz ideia, e ao revisitar lugares do seu passado, depois de 17 anos, ela acaba trazendo tudo à tona e não terá outra opção a não ser enfrentar os fantasmas do passado, colocando a sua própria vida em risco.


“Você me ama?

- Amo.

- De verdade?

- Claro que eu te amo de verdade. 

- Então o que mais importa, certo? Todos temos um passado. Todos temos segredos.”

Ray Levine é um fotógrafo fracassado, mas ele não é um fotógrafo ruim, longe disso, é um excelente profissional, mas ele nunca conseguiu se livrar de questões do seu passado, como o desaparecido de sua namorada, a única mulher que ele já amou. E pelos últimos 17 anos, a sua vida se resume a trabalhos precários e bebedeira para afogar as mágoas. A gente fica com pena da situação dele, ao mesmo tempo em que grita para ele reagir e ainda pensamos: mas o que será que ele esconde, que o destruiu dessa forma?

Broome é um detetive que tem um caso que por 17 anos não conseguiu finalizar. Um pai de família desapareceu sem deixar rastros, não foi encontrado corpo, não foi movimentado nenhum dinheiro na conta, o seu nome Stewart Green, mas o fato é que ele não era um pai de família comum, ele frequentava clubes de dançarinas/Stripes e tinha uma fama de ser violento com elas, quando ele desapareceu, sua acompanhante também desapareceu. Na época a polícia deu o caso como encerrado, mas não o Broome, que fará qualquer coisa para descobrir o que aconteceu.

Lorraine trabalha no bar do clube/boate La Crème, ela entra em contato com a Megan revelando que alguém do passado, que ela achava que estava morto, reapareceu, o que faz a vida da Megan sair dos eixos e com que a gente descubra que ela viveu outra vida com o nome “Cassie”. 

Quando Carlton Flynn desaparece e o último lugar onde ele foi visto é também o último lugar onde Stewart Green foi avistado, os 17 anos retornam com a força toda, fazendo com que Broome ao lado de sua ex-esposa e parceira Erin comecem a buscar conexões e acreditar que estamos diante de um serial killer, será? 

Além disso, um casal peculiar está observando nossos personagens, são extremamente perigosos, matam por prazer e dinheiro acreditando ser um propósito divino.

“Talvez esta fosse a parte mais perturbadora – a facilidade com que tudo ao seu redor, tudo o que ele considerava garantido, poderia mudar.”

O Harlan coloca o tal do “american dream” em cheque, ora é o sonho de toda mulher ter uma casa, marido e filhos? A vida deve se resumir a isso? Não podem querer outros tipos de emoções? E quando as mulheres batem de frente com homens abusivos, o que elas fazem? Será que a vida tem mesmo que se resumir em ou isso ou aquilo? Há limites éticos para um policial quando está ajudando uma família? E um pai, que vê seu filho desaparecido, há limites? Ou vale fazer qualquer coisa para trazer seu filho de volta para casa? É genial como o Harlan através de seus personagens nos faz viajar por uma série de questionamentos e conflitos morais e sociais. 

Todos os fios soltos que nos bombardeiam nos primeiros capítulos vão se conectando ao longo do livro. Uma foto tirada sem querer. Um mal entendido. Justiceiros. Violência contra a mulher. Doença mental. Amor. Corrupção. Problema de não resolver todas as suas questões do passado. Esses são alguns dos temas que o Harlan explora nesse livro. É impossível não sentir na pele a adrenalina dos personagens, será que ele vai morrer? Meu Deus, eu não percebi isso! E vamos lendo “só mais um capítulo”, para enfim chegar ao final e dar aquele suspiro por tudo ter sido revelado. 




Confira o trailer da série:

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Resenha: Volta para Casa / Harlan Coben

 Se tem um livro do Harlan que pode te tirar lágrimas dos olhos, esse livro é o Volta Para Casa. Livro 11 da série Myron Bolitar, mas que assim como os outros 10 livros pode ser lido individualmente sem problemas. Esse foi o primeiro livro em que o Win, melhor amigo do Myron, narrou alguns capítulos e é sensacional.

Primeiro ponto: por que eu digo que uma série de 11 livros não tem a necessidade de ser lida na ordem? O Harlan escreveu cada trama com um final em cada livro, não é como se a gente ficasse em stand-by aguardando o final. A trama principal vai ser resolvida no final do livro. O que muda para quem já leu outros livros, ou irá ler na ordem são os easter eggs, há algumas referências a casos anteriores e podemos ver como e por que algum personagem mudou ao longo do tempo. Mas o fato é que se algo foi citado num livro, a gente pode sempre ler o livro anterior depois, sem problemas. Alguns exemplos: se é citado que um personagem tem um filho e isso te pega de surpresa, caso você queira saber mais é só buscar em qual livro esse rolê foi desenvolvido. Tem uma dica de leitura sobre a leitura da série do Myron aqui e você pode conferir a ordem da série aqui.

Volta Para Casa chegou nesse mês de outubro de 2021 com a nova identidade visual, então não é um livro inédito, essa pode ser a chance para quem ainda não leu, vamos ao livro.

Tudo começa muito esquisito, até que a gente entende que o narrador não é o Myron e sim o Win, sim! O primeiro capítulo e alguns outros somado ao epílogo são narrados pelo Win, é um preview do que vamos encontrar no primeiro livro solo do personagem.

Win recebeu um e-mail no qual lhe informavam o paradeiro de dois adolescentes. No passado houve uma tragédia, dois meninos foram sequestrados e sumiram misteriosamente. Um deles, o Rhys, filho da prima do Win, a Brooke. Então o Win sente que precisa ajudar a prima a resolver esse mistério, mas logo no início ele se envolve numa furada e precisa da ajuda de seu melhor amigo.

Piririm, piririm, piririm, alguém ligou pra mim, pois é, Myron estava vivendo momentos felizes ao lado da Terese, estava sem falar com o Win fazia um ano, mas quando o telefone toca, ele não pensa duas vezes e viaja para Londres para ajudar o amigo (como se fosse difícil ter uma limosine e um jatinho a disposição né, as vantagens de ter um bff ricaço).

“Myron ainda descia do jatinho quando a porta traseira do carro se abriu e Win saiu por ela. Com os olhos molhados, Myron apertou o passo, parou a poucos metros do amigo e abriu um sorriso.

- Win.

Win suspirou.

- Não vai fazer drama, vai?

- O que seria da vida sem um pouco de drama?

- Tem razão.

O dois deram um abraço forte e demorado, como se encontrassem um no outro a segurança de um salva-vidas.”

Win havia localizado o Patrick, um dos meninos que havia sido sequestrado, mas parece que ele se envolveu com drogas e prostituição então com a ajuda do Myron, eles vão se envolver com desde tráfico de crianças até criptomoeda.

“Myron não sabia ao certo o que esperava descobrir naquela visita, mas tiros no escuro eram um componente importante das suas ‘investigações’. Seu método não era procurar obstinadamente pela agulha no palheiro, mas jogar-se nu e descalço em diversos palheiros, depois chapinhar neles feito um maluco até ser espetado por algo.” 

Mas será que o Patrick é mesmo o Patrick? Uma criança muda muito na adolescência... E onde está o Rhys, o motivo principal pelo qual Win e Myron se envolveram nessa história toda? E para descobrir o que está acontecendo, eles irão precisar voltar ao passado, reconstituir o que de fato aconteceu, conversar com os envolvidos e cada novidade, cada segredo revelado poderá ser ainda mais destruidor.

Duas famílias foram destroçadas pelo sequestro e quando tudo volta à tona, não tem jeito, é como se fosse uma granada e todos recebem estilhaços, os pais, os irmãos, ainda mais pelo fato de que apenas uma família tem um “final feliz” com o retorno do filho, que a princípio a gente nem sabe se ele é de fato o filho, as perguntas se acumulam até um final muito emocionante.

O Harlan poderia criar um conto só com o epílogo desse livro de tão gostoso e emocionante que é ler, é uma verdadeira virada de página ou um ponto final em um ciclo. 


“Se eu não amasse você, não teria medo de perde-lo. Quem quer viver o amor tem que estar disposto a sofrer. Uma coisa não existe sem a outra. Feito as gargalhadas e as lágrimas.”

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Resenha: Desaparecido para sempre / Harlan Coben

Se eu tivesse que escolher apenas um livro do Harlan como o melhor de todos seria ‘Desaparecido para sempre’. Sabe aquela história de que não devemos confiar em ninguém, ou que devemos desconfiar até da própria sombra? Pois é. Nesse livro nada é o que parece ser, o leitor é enganado até a última página. Um final com uma montanha russa de emoções, muitas reviravoltas que fazem valer cada página, do jeito que se espera de um livro do mestre das noites em claro.

Você pode até tentar ler esse livro devagar, mas confie em mim que vai chegar um momento em que você não precisará mais de nada além de respostas.

Desaparecido para sempre foi lançado no Brasil pela primeira vez em 2002, pela editora ARX, posteriormente foi lançado pela Sextante, depois já com o selo da Arqueiro com uma nova capa e esse ano foi relançado com a nova identidade visual, um projeto da Editora Arqueiro para trazer mais leitores ao Harlan Coben.

O livro se inicia com Will Klein passando um drama, sua mãe está internada, seu irmão desaparecido faz 11 anos, ninguém sabe o que realmente aconteceu com ele, se está vivo ou morto, mas no leito de sua morte, a mãe de Will afirma que seu irmão, Ken, está vivo.

Isso tira Will dos eixos, como sua mãe tinha tanta certeza? Seria um delírio? Quando Will está vendo as coisas antigas de sua mãe descobre uma fotografia escondia que o faz ter mais perguntas sem respostas.

E por fim e não menos importante, Sheila, o amor de Will desaparece deixando a ele apenas um bilhete, dizendo que o amaria para sempre. Nesse momento nos unimos ao Will para perguntar, o que está acontecendo?

Para ter respostas precisamos voltar ao passado. Quando Ken desapareceu, ele foi acusado de assassinar Julie Miller, que era ninguém menos que o primeiro amor de Will, ele nunca acreditou que o irmão fosse o assassino, ele conhecia o irmão, que sempre o protegeu de tudo, devia haver outra explicação.

“Sempre fui um fracote. A vida inteira procurei evitar confrontos físicos. Alguns diziam que era por eu ser prudente e maduro. Mas não é verdade. A verdade é que sou um fracote. Tenho um medo mortal de violência. Talvez seja normal – um instinto de sobrevivência e tudo mais -, porém isso ainda me enche de vergonha.”

Junto com isso conhecemos o John Asselta, também conhecido como Fantasma, um matador de aluguel, letal em todas as suas missões. Ele voltou para o país por uma missão ao chefão do crime Philip McGuane, ocorre que, a missão era: encontrar Ken.

Tudo se complica mais ainda quando descobrimos que Asselta, McGuane e Ken estudaram juntos na escola e Ken trabalhou para McGuane durante um tempo, além disso o FBI está na cola porque também querem encontrar o Ken.

E tanto o fantasma quanto o FBI vão atrás da única pessoa que Ken poderia pedir ajudar: Will. Ele então se alia ao seu melhor amigo e guru de yoga, Squires, com quem tem um abrigo para menores chamado Covenant House e começa a busca por respostas, mas nem todas serão agradáveis de ouvir.

“No fim, a mais desagradável das verdades é preferível à mais bela mentira. Meu mundo agora era mais escuro, mas havia voltado aos eixos.”


A novidade é que a Netflix já confirmou a adaptação!

Será uma série de cinco episódios, estrelada por Finnegan Oldfield, Nicolas Duvauchelle, Guillaume Gouix e Garance Marillier. A direção é de Juan Carlos Medina, e Harlan Coben é produtor executivo. 

Sinopse: Em seus 30 e poucos anos, Guillaume Lucchesi (Finnegan Oldfield) acreditava que tinha conseguido superar uma tragédia na qual perdeu duas das pessoas que mais amava: seu irmão, Fred (Nicolas Duvauchelle), e seu primeiro amor, Sonia (Garance Marillier). Dez anos depois, Judith (Nailia Harzoune), o novo amor de Guillaume, desaparece durante o funeral da mãe do rapaz. Para encontrá-la, Guillaume terá de encarar verdades ocultadas por sua família, amigos e outras pessoas do passado.

Na série haverá mudança nos nomes dos personagens: Will Klein será Guillaume; Ken será Fred; Julie Miller será Sonia e Sheila será Judith.

Finnegan Oldfield, Nicolas Duvauchelle, Garance Marillier e Nailia Harzoune

domingo, 8 de março de 2020

Resenha: Não há segunda chance / Harlan Coben


Até onde você iria para preservar sua família, vale qualquer coisa? Harlan Coben em ‘Não há segunda chance’ nos apresenta uma história na qual o amor pela família fica sempre em primeiro lugar, não importando nada mais.

Antes de começarmos a falar sobre o livro, vamos deixar o nosso agradecimento à Editora Arqueiro pelo relançamento do livro que já havia sido lançado no Brasil pela extinta Editora Arx e ficou esgotado sendo vendido por valores surreais por muito tempo, mas agora todos podemos ter nosso exemplar e ainda com a nova identidade visual, salve Editora Arqueiro! (spolier: eles vão relançar todos).

Dr. Marc Seidman é um médico exemplar, cirurgião plástico que cuida da reconstituição de rostos de crianças, não se importando em ficar rico com a sua profissão. Tem uma melhor amiga e sócia Zia, com a qual faz viagens pelo mundo ajudando crianças. Ele casado com a mulher dos seus sonhos, a perfeita Mônica, ambos tiveram há 6 meses o nascimento de sua Tara, uma bebê pela qual ambos dariam suas vidas, tudo era perfeito, ou será que não?

“Amava-a de um jeito que a maioria nunca conseguiria imaginar. Mataria por ela. Morreria por ela. É claro que muitos dizem isso a respeito daqueles que amam – mas quantos estariam dispostos a se colocar à prova?”

Numa manhã quando Marc está tomando o café, seu mundo desaba. Ele leva um tiro, quase mortal, que o deixa em coma por diversos dias e quando acorda, descobre que sua esposa havia sido assassinada e que a pequena Tara havia sumido.

E nós, leitores começamos a perceber que a tal vida perfeita do Marc não existia.  E após uma tentativa frustrada de resgate, Marc se vê sem opções a não ser seguir com sua vida.

Quando dezoito meses depois ele recebe um novo pedido de resgaste, com a condição de não entrar em contato com a polícia e com o aviso: ‘Não há segunda chance’. Ele decide fazer tudo diferente e recorre a um antigo amor, Rachel, o seu amor da faculdade, que agora estava aposentada do FBI, fazia 20 anos que eles não se viam, mas eles confiavam um no outro de olhos fechados. Será mesmo? Vinte anos é muita coisa.

Marc recebe uma visita intrigante que o faz questionar a sanidade de sua falecida esposa e o tipo de marido que ele era, quando ele descobre segredos e percebe que talvez tenha se feito de cego e a relação dos dois não era assim tão perfeita, ele começa a se questionar que tipo de homem ele é, não foi um bom marido e agora ele estava colocando a vida de sua filha nas mãos de uma mulher que ele não conhecia de verdade, quais segredos Rachel escondia?

“A gente escorrega para o mal, pensou. Atravessa a linha um minutinho só. Atravessa de volta: sente-se salvo. Muda as coisas, acredita que para melhor. A linha ainda está lá. Ainda está intacta. Tudo bem, talvez haja um borradinho ali agora, mas ainda dá para ver com clareza. E da próxima vez que a gente atravessa, talvez a linha fique um pouquinho mais borrada. Mas a gente não se perde. Não importa o que aconteça com aquela linha, a gente se lembra de onde ela está. Não é?”

Ao receber dos sequestradores uma prova de vida de Tara e constatar que ela ainda está viva. Marc ao lado de Rachel colocam suas vidas em risco e acabam se envolvendo numa máfia internacional e percebem que tudo era mais complicado do que imaginaram.

E com muitas reviravoltas, percebemos que tudo começou com uma boa intenção, boas intenções que viraram tudo de cabeça para baixo.

Harlan Coben neste livro nos mostra que nunca há limites para proteger quem você ama, é aquela velha história se só tem mais um colete salva-vidas sobrando para quem você o entregaria? Marc vivia uma vida de sonhos, mas apenas na aparência e por isso muito frágil, com certeza ele não daria o colete para sua falecida esposa, então por que ficou com ela? Era cômodo e por isso também ele ficou cego, achando que estava tudo bem. Bem, foi apenas quando ele viu sua vida desmoronar, e passou por situações de quase-morte, ele conseguiu ser feliz de verdade. Harlan avisa: não há segunda chance, só há uma vida.

Lembrando que a série foi adaptada para as telinhas, chegou no Brasil com o nome ‘Sem Retorno’ e está disponível no Globosat Play/Mais Globosat, fizemos um duelo discutindo o livro e série aqui.