quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Review Custe o que custar


O nosso review, como sempre temos feito, é para comentar os episódios, sem spoilers, apenas com nossas impressões sobre a série. E de antemão já revelamos: curtimos demais a adaptação, é bem fechadinha, tudo é conectado e também está muito fiel ao livro, já já publicamos o livro vs série com esses comentários e spoilers. 

A sinopse da série em uma frase é: Em busca da filha que fugiu, um pai desesperado acaba envolvido em um caso de assassinato e descobre segredos que podem destruir sua família de vez.

Personagens

Simon e a família Greene 

Simon (James Nesbitt) é o nosso protagonista, que logo no primeiro episódio, tentando proteger a sua filha, se envolve numa briga que o torna uma espécie de webcelebridade. Ao longo de toda a série, ele vai sofrendo mais e mais, com segredos que vão sendo revelados e na sua luta para trazer sua filha de volta para casa.  O James Nesbitt entrega muito na atuação, a gente consegue se conectar com ele muito rápido. Ingrid (Minnie Driver) é a mãe que fará tudo que estiver ao seu alcance para proteger os filhos.

Anya (Ellie Henry), a filha mais nova, a atriz tem uma síndrome chamada Ehlers-Danlos e usa cadeira de rodas para se locomover. Isto que gerou uma confusão para quem estava assistindo, nós também tivemos essa estranheza, a questão de saúde da atriz foi divulgada recentemente nas redes sociais. Sam (Adrian Greensmith) é o filho do meio, e a Paige (Ellie de Lange), a filha mais velha, que se envolve com drogas. 



Elena Ravenscroft (Ruth Jones)

A detetive particular que nos deixa intrigado com suas investigações, ora trabalhando ora para benefício próprio. Ela é quem começa a puxar o fio que vai desvendar o motivo pelo qual muitas mortes estão acontecendo. Ainda vive o luto pela perda do seu marido. E trabalha com a Lou (Annette Badland), que além de ser seu braço direito nas investigações, também é sua sogra. A Elena é muito carismática, é impossível não torcer pra ela.


Ash e Dee Dee

A dupla que nos dá medo, uma lista de alvos que os dois vão assassinando, aos poucos descobrimos que além de grana, há também o envolvimento de uma seita. Os atores Jon Pointing e Maeve Courtier-Lilley mandaram muito bem, a gente fica com medo dos dois. Observar as atitudes dos dois e descobrir seus passados, faz com que a gente entenda um pouco melhor as atitudes deles no presente.


Os detetives Isaac Fagbenle e Ruby Todd

Interpretados por Alfred Enoch e Amy Gledhill, a dupla que investiga e secretamente vive um romance. Nem sempre concordando com todas as atitudes um do outro, mas sempre com muitos flertes, os dois vão seguindo uma trilha de pistas.


A primeira cena já mostra a Paige junto com um homem mascarado, quem é ele? Logo depois somos apresentados a família Greene, uma família que parece perfeita, até que a Paige, se envolve com drogas. Os pais culpam o namorado da filha, Aaron, por ter apresentado a ela as drogas.

Em outro núcleo, conhecemos a Elena, ela recebe uma ligação para um trabalho, localizar Henry, o filho de Sebastian Thorpe. O episódio termina com a Ingrid sendo baleada, depois de ao lado do Simon, ter ido fazer perguntas ao traficante Rocco, para quem Aaron trabalhava. 

Quando o Aaron aparece morto, Simon se torna um dos principais suspeitos.

A dupla Ash e Dee Dee tem uma média de praticamente uma vítima por episódio, a todo tempo ficamos nos perguntando qual é o objetivo deles e tudo vai sendo desvendado aos poucos.

Ao lado da detetive Elena, vamos identificando relações entre as vítimas, que envolve um site de DNA, mas tudo fica muito nebuloso para que a gente entenda a motivação.

O drama segue com a família Greene, com a filha desaparecida, a esposa internada depois de ser baleada, Simon não vê outra opção senão tentar localizar a filha e para isso ele busca informações com parentes do namorado da filha e também com traficantes.

Quando uma pista da Elena faz com que achem uma conexão entre o caso que ela está investigando e a Paige, a gente começa e ver que tudo está conectado, mas não de uma forma que a gente poderia imaginar.

Com 8 episódios, duração média de 50 minutos, “Custe o que custar” entrega drama, suspense e uma reviravolta que faz a gente se questionar o que faria no lugar do protagonista. Uma pegada que já é comum nas séries britânicas do Harlan, é que ao final de cada episódio temos uma série de pistas e ganchos, o que faz com que a gente fique muito curioso para descobrir tudo. É uma ótima maratona para iniciar o ano, porque chega num momento que é impossível parar de assistir até obter todas as respostas, e se prepare, porque dessa vez, nenhum personagem está a salvo. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Resenha: Até que o Natal nos separe / Catherine Walsh

Ho, ho ho, o Natal chegou e se você ainda não está no clima, "Até que o Natal nos separe" é a pedida certa. Esse livro me fez rir, deixou meu coração quentinho e me fez querer viajar para Dublin. Natal em família pode ser um sonho para alguns, mas o maior pesadelo para outros. Megan e Christian estão no segundo grupo e a partir de uma aliança para tornar dos dias natalinos mais fáceis, eles vão acabar se apaixonando.

Megan vive o auge da sua vida em quase todos os aspectos, está feliz e realizada. Se não fosse o seu passado, ela teria toda a vontade do mundo para voltar para casa, rever amigos e passar o Natal em família. Mas todo mundo na cidadezinha tem ranço dela e o motivo: ela deixou o noivo no altar. Ter uma companhia para enfrentar tudo isso é algo que ela gostaria muito, mas ela tem zero expectativas de encontrar alguém.

Christian está muito cansado de ser o único solteiro da família. Todo mundo já encontrou o amor da vida, mas ele tá sozinho, sempre sozinho. Não que ele se sinta só, mas ter uma namorada o ajudaria demais, pelo menos evitaria a tonelada de perguntas.

Quando Megan e Christian se esbarram aleatoriamente num pub, ele tem a ideia genial: um namoro de mentira. Os dois se conhecem desde a infância, estudaram juntos, apesar de serem de grupinhos diferentes, eles se conhecem a vida toda. Depois de relutar um pouco, Megan topa. Até porque não seria muito difícil fingir ser namorada do gatíssimo Christian Fitzpatrick.

Para quem já leu “Com o coração nas nuvens”, o Christian é o irmão do Andrew, então temos Andrew e Molly presentes com novidades sobre o relacionamento dos dois. Não é necessária a leitura do primeiro livro, para entender esse, mas com certeza quem ainda não conhece a história do Andrew e Molly vai querer descobrir.

Expor vulnerabilidades nunca é fácil, se abrir e confiar no outro, por mais arriscado que possa ser, também permite que se viva coisas extraordinárias. Além do romance, ambos os protagonistas têm questões a serem resolvidas com os pais, por falta de comunicação, o Christian nunca se entendeu com o pai, ele sente que o pai nunca sente orgulho dele, enquanto a Megan prefere nunca contradizer ou questionar a mãe, com isso a mãe não sabe direito os gostos e interesses da própria filha. 

“Você precisa dizer mais a verdade para ela, senão ela nunca vai saber como você se sente de verdade.”

Megan guarda um segredo, ela escolheu não revelar os seus motivos por ter fugido do casamento, todo mundo tem milhares de julgamentos, sem saber o que de fato aconteceu. Ao longo da leitura a gente vai tendo pistas, até tudo ser revelado, é um dos momentos mais tensos do livro, mas que coloca em pauta uma questão muito relevante e que nunca deve ser tolerada: relacionamentos abusivos. A forma como a Catherine Walsh trouxe a temática foi excelente, trazendo pistas aos poucos e mostrando como podem ser prejudiciais e nunca devem ser tolerados. 

Com o acordo em vigor e diversas regras do que é permitido ou não, Megan e Christian engatam no namoro de mentira para sobreviver ao Natal em família, mas conforme os dias passam, ambos começam a se questionar o que mentira e o que eles de fato sentem, mas será que é recíproco? 

Se eu tivesse que definir o livro em uma palavra seria delicioso. Foi uma delícia ler, conhecer a Megan e o Christian e vê-los se apaixonando um pelo outro. O livro é muito divertido, eu ri demais durante a leitura, fui me apegando aos personagens e posso dizer que já me sinto parte da família. 


“Passei a vida inteira procurando alguma coisa, e nada nunca encaixou. E acho que é porque estava procurando você.” 

Confira a resenha do primeiro livro: 

Com o coração nas nuvens

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Resenha: Gone Before Goodbye / Harlan Coben e Reese Witherspoon

Dubai, Paris, Rússia, Nova York, apertem os cintos e se preparem para uma viagem que envolve o universo médico, com cirurgias plásticas e o luxo que envolve multimilionários, a Maggie vai colocar a própria vida em risco na busca por quem partiu sem se despedir. 

O livro é uma colaboração do Harlan com a atriz Reese Witherspoon, a primeira colaboração na carreira do Harlan. Esse fato já aguça a nossa curiosidade, né? Um livro coescrito, o que será que iremos encontrar, o Harlan que conhecemos? Algo diferente? Vamos gostar?

E para dar um gostinho de como é a leitura, tenho esse exemplo: Eu estava lendo o livro no idioma original e quando li o que aconteceu, eu peguei o tradutor para ver se eu tinha entendido certo, porque caramba, não era possível que o que eu entendi fosse real, mas adivinha? Era. Bem, esse é o nível da reviravolta do livro. 

Ocorre muitas manipulações, não dá para confiar em nenhum personagem. É aquilo de contar uma mentira para proteger alguém que você ama e a partir do momento que uma mentira é contada, outras se multiplicam e daí, é só ladeira abaixo, mas sempre tudo com uma justificativa pessoal. Que caberá a cada leitor fazer julgamentos e escolher quem é mocinho e quem é vilão nessa história.

Antes de começar a comentar, preciso relembrar que a Editora Arqueiro confirmou que adquiriu os direitos do livro e que será publicado no Brasil em 2026, essa resenha é apenas um aquecimento. Queremos também deixar registrado o agradecimento ao Harlan por ter nos enviado exemplares autografados.

“Parte da condição humana é que todos nós pensamos que somos seres singularmente complexos – ninguém sabe o que realmente pensamos, do que somos capazes – e, no entanto, estamos convencidos de que podemos ler os outros. Pensamos que sabemos o que se passa dentro dos outros, o que eles realmente sentem, vivenciam ou pensam, mas eles não podem nos dizer o mesmo. Isso é obviamente impossível.”*

A definição para o livro é um thriller médico. Temos muitas cenas envolvendo cirurgias. Nossa protagonista, Maggie McCable, é uma médica cirurgiã exemplar, ama o que faz e é muito competente. 

Ela trabalhava com o marido Marc e o melhor amigo dos dois, Trace, numa espécie de médicos sem fronteiras, eles viajavam para lugares perigosos apenas para ajudar as pessoas. Os três criaram uma fundação chamada WorldCures Alliance, além de ajudar necessitados, eles também realizavam pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias. Incrível né?

Bem, até que tudo sai dos eixos: Maggie perde sua licença médica, Marc sofre um atentado e o Trace desaparece misteriosamente...

O livro não entrega nada disso de maneira fácil, vamos descobrindo aos poucos tudo que está acontecendo, no começo eu fiquei um pouco perdida, até conseguir me localizar no que estava rolando. Assumo que demorei a me conectar com a personagem principal, algumas coisas não estavam fazendo sentido algum, até que chega um momento específico que tudo faz sentido e a partir desse ponto, não consegui mais largar o livro até terminar.

A questão ética é uma das principais temáticas do livro. Tanto no que tange mentiras, quanto a ética profissional, mesmo que você esteja criando um procedimento revolucionário que poderá salvar vidas, vale qualquer coisa para atingir o objetivo? 

Há também, um tema muito atual: o uso da inteligência artificial, os chatbots, será que o uso ajuda ou prejudica a saúde das pessoas? Um uso sem limites pode ser muito perigoso. Sharon, irmã da protagonista, tem uma mente brilhante para a tecnologia e criou uma ferramenta que ela pensou que poderia ajudar a irmã.

A Maggie recebe uma proposta de trabalho, que a faz viajar para Rússia, e é a partir desse ponto que ela entra num mundo do luxo, envolvendo multimilionários, que acreditam que por ter muito dinheiro podem comprar tudo, inclusive a imortalidade...

“Não hesite. Essa é a chave. Maggie aprendeu isso no treinamento militar. Muitas coisas fazem um grande lutador — tamanho, habilidade, atletismo, rapidez, adaptabilidade, experiência, coragem — mas uma coisa muitas vezes supera tudo isso: o fator surpresa.”*

O trabalho da Maggie, que envolvia uma quantia muito generosa e irrecusável, se tratava de duas cirurgias, dois procedimentos bem diferentes, quando Maggie descobre que o atual empregador tinha conexões com o financiamento da sua antiga fundação WorldCures Alliance, ela percebe que ou pode ter colocado a sua própria vida em risco ou poderá descobrir toda a verdade que envolve o seu marido e o Trace ou todos estão mentindo sobre tudo. É muito difícil ela saber em quem pode confiar.

Os leitores habituais do Harlan já sabem como ele consegue conectar todas as pontas soltas de forma brilhante e aos harlanlovers, temos muitos eastereggs. Não vou citar para ser uma surpresa durante a leitura.

A combinação do Harlan com a Reese gerou um suspense emocionante, que nos leva a ter diversas reflexões sobre o mundo em que vivemos e qual futuro estamos construindo. 

“Um filósofo americano. Ele tem uma citação que eu adoro: "Toda grande causa começa como um movimento, torna-se um negócio e, eventualmente, se degenera em uma máfia."*

É uma verdadeira tortura mental que parece nunca ter uma resposta clara: nunca seja provocativa demais, mas nunca seja formal demais... Ah, mas tenha senso de estilo e esteja sempre por dentro das tendências para não parecer, pasmem, antiquada – sempre tentando encontrar o equilíbrio certo entre o feminino e o prático. Completamente exaustivo.”*


*quotes com tradução livre nossa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Resenha : O filho perfeito; Freida McFadden

O "Filho Perfeito" conta a história da família Cass. O foco principal é Erika, cujo filho, Liam, tem um histórico de comportamento perturbador desde muito pequeno. 



Agora, ele é um adolescente e Erika faz tudo ao seu alcance para proteger as pessoas da sua vida. Quando uma garota da sua turma desaparece, Erika teme o pior.

Erika Cass, uma mulher suburbana cuja vida vira de cabeça para baixo quando dois policiais batem à sua porta e seu filho, Liam, se torna suspeito em um caso de desaparecimento aterrorizante. Ambientada em Long Island, a história explora a dinâmica de uma família perfeita assolada por segredos sinistros.

O início deste livro me prendeu imediatamente. O dilema que Erika enfrentou com seu filho potencialmente perigoso, tentando protegê-lo de si mesmo e impedi-lo de se tornar uma ameaça para os outros, foi interessante de ler, e as medidas que ela tomou começaram a beirar o implausível, enquanto o pai, Janson, tratava tudo de maneira supérflua, mas a história foi envolvente. 

Confesso que os personagens dos livros da Freida costumam me irritar, porém neste não havia nenhum personagem estúpido ou irritante, mas nenhum em particular me chamou a atenção. A construção dos personagens foi bem decente na minha opinião. 

Um cenário que é um personagem por si só. McFadden captura perfeitamente aquela sensação de perfeição da casa com cerca branca, escondendo algo podre por baixo. Os vizinhos intrometidos, as mães julgadoras da associação de pais e mestres — tudo parece Sufocante e real. 

"O Filho Perfeito" é uma história que desafia nossas suposições sobre família, moralidade e os limites do amor. Enquanto explora as profundezas da experiência humana em várias nuances. Freida McFadden certamente conseguiu isso com este thriller.  

domingo, 23 de novembro de 2025

Resenha: Minha querida Paris / Lucy Diamond

Lucy Diamond assim como o nome já dá uma pista, escreve verdadeiras joias. Todo livro que leio dela me faz refletir sobre a minha vida, sobre a vida em geral e me inspira a viver. Esse não foi diferente, “Minha querida Paris” nos leva para cenários incríveis, mas a principal é viagem é para entender os próprios sentimentos.

“Nesta cidade tudo é possível. E o amor é sempre a resposta, eu acho.”

Como é morar no lugar onde todo mundo vai passear? Um lugar que é a viagem dos sonhos de todo mundo? Por um lado, pode ser um pesadelo, turistas para todo lado, tudo lotado o ano inteiro, preços superfaturados, mas por outro, há uma certa magia em morar num lugar que é o sonho realizado de muitas pessoas. Tudo depende do ponto de vista.

E ponto de vista é um tema bem recorrente no livro, nós habitualmente percebemos, pensamos ou presumimos de acordo o nosso ponto de vista, mas e se estivermos errados? E se a gente não olhou da forma correta, ou presumiu errado? 

Nossas protagonistas, Adelaide e Jess não poderiam ser mais diferentes. Jess é carinhosa, atenciosa, ama ajudar a resolver os problemas de todo mundo, Adelaide é amargurada, gosta de dar ordens e não se importa com os sentimentos dos outros. Aos poucos, vamos entendendo os motivos por cada uma ser dessa forma. 

Jess é uma jornalista de meia idade que sempre gosta de ajudar a todos, ela acolhe quem ela pode. Sendo mãe de três meninas, ela fizera um acordo com o marido, de que ela ficaria com as crianças ainda bebês, mas no futuro ele ajudaria mais.... bem, não é o que acontece. A carreira do marido deslancha, enquanto Jess está em casa desgastada por cuidar de tudo sozinha, quando as meninas, já estão mais crescidinhas, Jess pensa que enfim, o marido vai ajudar mais, e ela vai poder construir uma carreira, bem, não é bem o que acontece, ele tem um caso que é o estopim para o final desse casório. E ela se vê mais uma vez sozinha com as filhas. 

Quando chega uma proposta para que ela seja uma ghost-writer de uma biografia de uma artista famosa, ela não pensa duas vezes e aceita o desafio, que a leva para Paris.

Adelaide Fox, um nome que toda pessoa que é no mínimo admiradora de arte, já ouviu falar. Uma senhora, ela viveu muitas aventuras durante sua vida, mas agora está reclusa, suas obras estão num arquivo bagunçado (se é que se pode falar arquivo). Muitas pessoas ficam com medo dela, já que está longe de ser uma pessoa amigável, mas é muito admirada por todos que conhecem a sua história na arte.

No começo as duas não se dão bem, ocorre um grande mal entendido, mas aos poucos tudo vai se encaixando. Quando Adelaide começa a contar sua história para Jess, ela passa a olhar sua própria vida pelos olhos da Jess, o que é um tanto quanto transformador, mas para melhor ou pior? Durante a leitura, a todo momento ficamos preocupados, se essa parceira vai longe ou não. O objetivo de escrever uma biografia para Adelaide não é a mesma ideia de livro que a Jess está pensando...

Jess, quando mais jovem trabalhou em Paris com uma amiga, que sumiu misteriosamente. Ela também tivera uma paixão. Então, vai aproveitar suas folgas para tentar descobrir o que aconteceu com a amiga e reviver essa paixão, e descobrir a duras penas que as vezes é melhor deixar o passado no passado. 

O sobrinho da Adelaide, Luc, está cuidando do arquivo e acabou de terminar um relacionamento, nós rapidamente percebemos que rola um clima entre ele e a Jess, mas quando se trata do coração, só um clima nunca é suficiente. É divertido acompanhar os dois. 

As filhas da Jess têm pequenas participações, mas que são muito legais, a Jess se desdobra para ser a mãe que cada uma delas precisa, os problemas que ocorrem são muito reais, é muito um ‘quem nunca?’ a todo momento.

Viajar no tempo e descobrir o passado da Adelaide é emocionante, dos momentos felizes a tragédias, alguns trechos são difíceis de ler, e a gente vai entendendo porque ela ficou da forma que está, e olha, é muita coisa.  O que levo como lições são: 1 - Aceitar que o passado já passou; 2- Resolver mal entendidos (se valer a pena) e 3- Sorrir para vida.

A vida nada mais é do que um amontoado de dias, se a gente deixar, passam meses, anos e puft, o que você fez com a sua vida? Seja fazer uma viagem dos sonhos, comer um croissant, testar uma nova habilidade, assistir um por do sol, são esses momentos que fazem os dias valerem a pena. Se você fosse contar a sua história para uma biografia, você se lembraria do passado, com qual sentimento? Honrar a si mesmo, é o maior desafio dessa vida, viver de uma forma que a gente dê orgulho a nós mesmos. 


Esse é o terrível endurecimento por que todos temos que passar quando se trata do amor, as surpresas desagradáveis que podem nos surpreender quando menos esperamos.” 

Confira as resenhas de outros livros da Lucy: 

O café da praia 

Os segredos da felicidade 

Uma noite na Itália 

A casa dos novos começos

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Resenha: O Burnout / Sophie Kinsella

Sophie Kinsella é a rainha das comédias românticas, pegar um de seus livros é ter a certeza de que você vai se identificar em algum aspecto com a personagem principal, vai rir demais com situações muito inusitadas e também vai ficar com o coração quentinho com o romance, ‘O Burnout’ tem tudo isso e se tornou um dos meus favoritos da Sophie.   

Burnout é um tema que está em discussão nos ambientes de trabalho, segundo o google a definição é: “um fenômeno exclusivamente ocupacional, resultante do estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente gerenciado”. E a Sasha está passando por essa situação, mas ainda não percebeu. A vida dela é o trabalho. Ela vive apenas para trabalhar, se afastou dos amigos, o último relacionamento que teve não deu certo e faz tempo que ela não tem interesse em ter outro, além de ter zero tesão, ela nem lembra que isso existe. Se alimenta mal e está muito sobrecarregada no trabalho.  

Ela trabalha em uma empresa que, em tese, era o seu sonho, mas a realidade é que é um pesadelo. Não tem funcionários suficiente, ela trabalha muito além do que deveria, sua caixa de e-mails é um caos e parece que ninguém se comunica corretamente, seu chefe direto não se importa com as demandas e quando ela comunica algum problema pedem que ela escreva no mural online ou participe de algum problema de bem-estar, que só vai fazer com que ela perca tempo, já que tem milhares de demandas com prazos e se ela não fizer ninguém vai e só de escrever tudo isso já fiquei ansiosa por ela.

“- Não sei. Sou bem avessa a riscos. Se tem uma coisa que não quero mesmo é fracassar.

- Então você acha melhor viver pela metade do que correr o risco de fracassar?”

A cereja no topo do bolo para que Sasha exploda foi descobrir por e-mail que uma pessoa pediu demissão, e assim ela teria ainda mais demanda. Sasha tem uma crise que envolve fugir para um convento, acredite se quiser e ainda bater de cara com uma parede, numa sequência que faz a gente rir, mesmo sendo super tenso.

A Sophie conseguiu explorar esse problema de saúde de uma forma muito leve, todo mundo sabe que é um perigo e que pode fazer com que a pessoa tenha crises e problemas de saúde gravíssimos e a Sophie deixa esse alerta nos mostrando os caminhos que podem nos levar a doença e para que fiquemos atentos aos nossos limites, que são necessários.

Bem, depois de todo um caos, a Sasha resolve viajar para a praia, um lugar que ela frequentava quando criança e além disso seguir passos de um aplicativo de bem-estar. E começamos a segunda parte do livro que envolve situações muito muito engraçadas, me diverti demais. Não vou dar spoilers, mas a maioria das situações que ocorrem na praia, desde o hotel onde ela se hospeda até ela tentando seguir os passos do aplicativo (que envolvem agachamentos, yoga e suco verde), são todos bons demais e a gente vai percebendo que ela está se reconectando consigo mesma. 

E por fim, quando um hóspede, Finn, chega ao mesmo hotel e eles tem que dividir a praia, a princípio os dois viram inimigos, parecem que são completamente opostos, mas aos poucos vão se entendendo e percebem que podem ter muito mais em comum do que imaginavam. 

A praia ainda guarda mistérios, envolvendo mensagens enigmáticas escritas na areia e também uma obra de arte, o passado da Sasha e do Finn se conecta sem que eles pudessem imaginar e eles percebem que ser o que precisam um para o outro, mas será que a vida fora da praia vai permitir essa conexão? 

Um professor de surfe, muito experiente, que é um personagem bem relevante no livro tem o seguinte lema: “o lance é viver o momento”, é essa é a maior lição desse livro. 

“Quer saber por que você levou um caldo?

- Quero. Me diz. Por quê?

- Porque você tentou. Você tentou, minha querida. E isso te coloca acima da maioria das pessoas. Acredite em si mesma. Você vai conseguir.”

 

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Review Lazarus

Harlanween? Suspense sobrenatural? Temos! Pela primeira vez o Harlan mergulha no universo sobrenatural e nos apresenta Lazarus, ou na nossa tradução BR, Lázaro. O protagonista que conversa com fantasmas.

A série de seis episódios, disponível no Prime Video, tem o ator Sam Clafin (Jogos Vorazes, Como eu era antes de você) como protagonista, Joel Lazarus, é ambientada em Londres. No elenco temos ainda:

👻Bill Nighy como o Dr. Jonathan Lazarus

👻Eloise Little como Sutton Lazarus

👻Ewan Horrocks, o jovem Joel 

👻David Fynn, como Seth McGovern

👻Alexandra Roach, como Jenna Lazarus

👻Kate Ashfield, como a detetive Alison Brown

O Harlan criou o roteiro ao lado do Daniel Brocklehurst.

Sinopse: Depois de sofrer uma perda pessoal, Lazarus começa a ter experiências perturbadoras que não podem ser explicadas.

Essa é uma review COM SPOILERS! Então se ainda não assistiu a série, corre daqui. 

O primeiro destaque que precisamos fazer é que é uma série bem diferente daquilo que estamos acostumados, é a primeira vez que o Harlan coloca elementos sobrenaturais e faz a gente levar inclusive alguns sustos. 

Sendo uma review bem sincera, tive um pouco de dificuldade em me conectar com os personagens nos dois primeiros episódios, achei tudo muito escuro e meio confuso até. A partir do terceiro, na minha opinião, melhorou na questão de iluminação e já deu para entender melhor os personagens. 

Os acontecimentos da série se dividem em dois marcos:

1- O assassinato da irmã gêmea do Joel, na adolescência, em 1998.

2- A morte do pai do Joel, que tirou a própria vida, atualmente.

O trauma com a morte da irmã e a culpa que ele carregava, fez com que, mesmo seguindo a mesma profissão do pai, Joel fosse viver longe de onde cresceu. Ele retorna apenas quando recebe a ligação, informando sobre a morte do pai. E mais uma vez, ele se culpa, já que o pai havia tentado entrar em contato com ele, mas ele recusou a ligação, pois iria atender um paciente. Ambos, Joel e Jonathan são médicos psiquiátricas. Joel não acredita que o pai possa ter tirado a própria vida e ao visitar o consultório do pai, ele começa a ter experiências sobrenaturais. Eu fiquei me questionando se o Joel era ou não um protagonista confiável, será que a gente poderia confiar em tudo que ele estava nos contando? Essa foi minha primeira teoria, mas que foi furada, Joel é confiável.

Ao frequentar o consultório do pai Joel vê fantasmas de antigos pacientes do pai e também do próprio pai, todos os fantasmas têm uma conexão: eles foram assassinados. Isso faz com que o Joel presuma que o pai também o fora, mesmo o pai tendo deixado uma carta, mas que para o Joel não faz sentido. Então ele começa a investigar a vida dos pacientes por contra própria e acaba descobrindo um corpo escondido. 

O Joel pede ajuda ao Seth, seu amigo de longa data e policial, ele conta sobre estar vendo e se comunicando com fantasmas, o que faz com que Seth ache que o Joel pode estar tendo uma crise.

Ao ver o fantasma da própria irmã, Joel percebe que precisa buscar justiça por ela, no passado, o pai pediu que ele acompanhasse a irmã até em casa depois do baile, mas Joel preferiu ficar na festa porque imaginou que teria uma oportunidade de dormir com sua namorada Bella. Ele nunca se perdoou. Ainda no passado, Sutton tinha um stalker, Sam Olsen, ele não fora preso, por falta de provas, mas no presente com auxílio de um vídeo antigo, Joel consegue fazer com que Sam confesse que matou a Sutton. Seria ele um serial killer? É a segunda teoria que surge, mas também uma furada. 

Quando Joel vê o fantasma da assistente do pai, ele acredita que ela foi assassinada, e começa uma busca por ela. Ao mesmo tempo que ele descobre que tem um filho, o garoto, Aidan, que fica o perseguindo, é filho da Bella, ela não sabe que Joel é o pai, Aidan por conta própria roubou uma escova de dentes do Joel e fez um exame de DNA, ele sempre se sentiu deslocado e teve consultas, sem saber, com o próprio avô. 

No consultório do pai, Joel encontra Laura, que logo depois ele descobre que ela não era um fantasma, ela também é médica e se torna alguém que ajuda o Joel chegar a conclusão de que: os presos pelos assassinatos dos pacientes do pai, todos alegavam inocência. E a partir desse ponto, Joel descobre que a detetive estava envolvida, incriminando as pessoas erradas. Mas a reviravolta final e que é destruidora para o Joel é: o próprio pai era o assassino. Para libertar o mundo de pessoas perturbadas. Ele assassinava os próprios pacientes. Chocante e perturbador. 

No entanto, quando acreditamos que tudo foi resolvido, ao visitar Laura, Joel encontra apenas o corpo dela e dá de cara com o próprio filho, que matou a Laura, wow. Pobre Joel.

Fantasmas, mortes, passado, presente, saúde mental, ciclos, a série mostra que fugir dos problemas nunca vai fazer com que eles desapareçam. Foi uma série repleta de reviravoltas, do jeito que é marca registrada do Harlan. E um alerta para o cuidado que precisamos ter com nossa saúde mental. Foi interessante ver o Harlan mergulhar nesse universo, mas nós, particularmente preferimos o jeitinho que já conhecemos, deixa os fantasmas só para o Halloween mesmo! 

Bônus: O Brasil foi citado pelo Seth no episódio 6.