O que é a vida senão uma tela em branco? Mas e se, por mais talentoso que você fosse, não conseguisse encontrar as cores certas e a tela ou a vida se torna um grande incômodo, ver outros colorindo suas próprias telas, progredindo, alcançando o que você deseja, poderia fazer com que você se tornasse um assassino?
Chegamos ao livro 10 da série do Inspetor Gamache, "O longo caminho para casa" é um livro sobre, principalmente, coragem. No meio de lugares exóticos e teorias artísticas, vamos descobrir que obras de arte também podem se tornar armas letais.
Não canso de dizer para que deem uma chance a essa série, os primeiros livros são um pouco cansativos, mas cada livro fica melhor, parece repetitivo dizer, mas após cada leitura, eu fico mais fã do Inspetor Gamache. Para além das reviravoltas e investigação, os livros nos fazem refletir a bessa e são verdadeiras aulas sobre as mais diferentes temáticas.
"Eu vou rezar para que você se torne um homem corajoso numa terra corajosa. Eu vou rezar para que você encontre uma maneira de ser útil."
Peter não voltou para casa, esse é o nosso pontapé inicial. Um ano antes, Clara havia combinado com ele que ficariam separados por um ano e daí iriam se reunir para ver se romperiam ou continuariam o casamento, mas no dia combinado, Peter não aparece.
Eu indico muito a leitura dos livros em ordem, agora no livro 10, já e possível reconhecermos os personagens pela suas atitudes. O Peter, por exemplo, nunca apoiou 100% a esposa e quando ela alcançou o sucesso com a sua própria arte, ele sentiu inveja, porque ela o havia superado, enquanto a Clara só tinha amor pro Peter, até o momento da separação, ela sempre fez tudo por ele, aceitou suas condições para qualquer coisa, nós leitores sempre estávamos cientes dos sentimentos e pensamentos do Peter e muito disso tem relação com a família dele também, que em livros anteriores descobrimos estar longe de ser uma relação saudável.
Mas agora, onde está o Peter? Por que ele não voltou? O que aconteceu com ele? Não mandou nem uma cartinha...
Nosso querido Gamache está aposentado, finalmente morando em Three Pines com sua esposa e seu amigo de quatro patas. Depois dos acontecimentos do último livro, tudo que ele precisava era de um repouso, o que ele não poderia esperar era que a Clara iria pedir ajuda, ou melhor, ele iria perceber que ela precisa de sua ajuda.
Ela quer saber onde Peter está, mesmo com medo da resposta, ela precisa saber, não importa que isso possa partir (ainda mais) o coração dela, e o temor do inspetor é ainda mais tenso, encontrar o Peter, mas morto. A pergunta é: o que será que aconteceu com ele para que não retornasse?
"Durante toda a sua vida profissional, o inspetor-chefe havia feito perguntas e caçado respostas. E não só respostas, mas fatos. Porém, muito mais esquivos e perigosos que os fatos, o que ele realmente buscava eram sentimentos. Porque eles o conduziam à verdade."
Refazer os passos do Peter faz com que Clara, ao lado de Myrna, Gamache e claro o Beauvoir, embarquem nova jornada por lugares muito inusitados, revisitando o passado para entender todos os lugares por onde Peter passou.
Mas dessa vez, nosso inspetor não irá liderar a investigação, ele deixa a liderança nas mãos da Clara, o que deixa Beuavoir com os nervos a flor da pele.
"Os investigadores sabiam que as pessoas que partiam de repente estavam fugindo da infelicidade. Da solidão. Do fracasso. Elas corriam para longe, achando que se tratava de um problema de localização. Pensavam que podiam começar do zero em outro lugar. Quase nunca dava certo. O problema não era geográfico."
Eu estou extremamente apegada aos personagens dessa série, eles já parecem meus amigos, então, mesmo não sendo um dos meus personagens favoritos, eu fiquei muito ansiosa para entender o que aconteceu com o Peter.
Em todo livro do Gamache aprendemos muito, nesse não é diferente, você conhece as nove musas gregas? Já ouviu falar da décima? Se prepare para descobrir uma teoria, não muito bem aceita pelos estudiosos... E analisar obras de arte? Nesse livro, vamos imaginar as mais diferentes telas e tentar decifrar o que elas querem nos dizer, ou o que nos fazem sentir.
Ter um propósito, não importa qual seja, faz com que completar a tela em branco da vida fique mais fácil, o livro faz a gente pensar sobre escolhas, amor e arte, e como na vida tudo está sempre conectado, cada pincelada pode revelar um novo caminho, seja para casa ou não.
"Eles haviam feito tantas suposições para que as conclusões se encaixassem nos fatos. Mas, na verdade, estavam vendo tudo de cabeça para baixo."
Confira as resenhas dos outros livros da série, na ordem:

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