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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Resenha: A lista de convidados / Lucy Foley

Quando você pensa numa festa de casamento, o que lhe vem à cabeça? Noivos, bem-casados, dança, brindes, drinques, sorrisos, lista de convidados... a gente nunca pensa em algo trágico, como, por exemplo, uma morte né? Ou segredos do passado vindo a tona? Ou um lugar meio macabro? Pois é. Lucy Foley adicionou todos esses ingredientes para criar um suspense eletrizante.

A forma como o livro foi escrito já nos deixa curiosos desde as primeiras páginas, o motivo é que já no início a gente sabe o final: a noite do casamento, um grito de pavor. Alguém morreu. Quem? Quem matou? Será que alguém realmente morreu? E ao longo das páginas vamos conhecendo cada um dos personagens e suspeitando de todos. 

Os noivos: Jules e Will

Uma super bem sucedida dona de uma revista eletrônica e um cara galã de um reality show de sobrevivência. Jules escolheu um lugar onde nunca havia tido uma festa de casamento antes, já que ambos são famosos, nada melhor que um lugar super exclusivo, né? Jules e Will têm uma super química, estão muito apaixonados.

O local da festa: Ilha Cormorant

Exclusivo e meio macabro. Ao longo das páginas vamos descobrindo mais sobre essa ilha que é rodeada por um mar revolto. E na noite da festa, quando falta luz, se prepare para ter arrepios ao se colocar no lugar dos convidados. 

A cerimonialista: Aoife

É a primeira festa que ela promove na ilha. Tudo o que ela deseja é que seja perfeito e fará qualquer coisa para ter a festa perfeita que ela planejou.

O padrinho da noiva e sua esposa: Charlie e Hannah

Ele é o melhor amigo da noiva, Hannah não gosta muito dessa amizade entre os dois. Foi a festa, mas não queria muito ter ido, ela pensava que os dois poderiam pelo menos ter um final de semana gostoso em casal, longe das crianças e obrigações, mas quanto mais ela descobre sobre os convidados, mais ela fica incomodada. 

A madrinha: Olivia

Ela, além de madrinha, é irmã da noiva. E elas não poderiam ser mais diferentes. Não se dão muito e o que a gente percebe imediatamente é que Olivia queria estar em qualquer outro lugar menos ali.

O padrinho do noivo: Johno

Ele é o melhor amigo do noivo. Sabe de todos os seus segredos, ou acredita saber. 

Ao longo dos capítulos vamos conhecendo esses e outros convidados, cada um deles ali na ilha por um motivo, alguns foram forçados a ir, outros só pela farra. E quanto mais a gente descobre sobre o passado, mais as coisas ficam tensas. O final é perfeito e muito surpreendente. Fiquei chocada com as reviravoltas.

A Lucy Foley criou um ambiente macabrinho nessa ilha, que o tempo todo a gente fica achando que vai ter algo sobrenatural, será? E você, se casaria nessa ilha?

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Resenha: Um caminho para a liberdade / Jojo Moyes


Um livro sobre o poder dos livros e a força que as mulheres podem ter quando se unem contra uma sociedade extremamente patriarcal.

Jojo Moyes já é conhecida pelos seus livros com dramas que nos fazem refletir sobre nossas próprias vidas, em ‘Um caminho para liberdade’ não poderia ser diferente, um livro que nos faz sorrir e chorar e no final, ficamos com vontade de abraça-lo.

No prólogo descobrimos um acidente que acreditamos no início ser apenas isto, um acidente, nada demais, mas no desenrolar da história vemos como o tal acidente foi uma cilada para a vida da Margery O’Hare.

Margery não é uma mulher convencional da sua época, ela vive muito a frente de seu tempo, ela administra a biblioteca a cavalo. E sai junto com seu amado cavalo levando livros a leitores não importando o quão difícil possa ser o caminho. Ela não acredita na instituição do casamento, seu objetivo é ser livre sempre e o casamento segundo o seu ponto de vista é uma amarra para seus sonhos.

Alice Van Cleve é uma jovem inglesa que se casou com um cara por quem acreditava estar apaixonada, ela deixou a família para trás na Inglaterra para morar nos EUA com seu amado. A verdade é que sua família não se importava muito com ela, queria mesmo que ela se casasse e deixasse de ser um fardo, por isso quando ela encontrou esse americano que lhe dava amor como nunca antes e também tinha uma beleza de tirar o fôlego, ela não pensou duas vezes em embarcar para um novo mundo. Acontece que, tudo pelo que ela sonhava: viver um sonho com seu amado, foi por agua abaixo quando ela conheceu o seu autoritário sogro, que controlava a casa, a vida do filho e a vida de casados dele, já que iriam viver com o dito cujo. Ela se vê sem saída e sem nenhuma expectativa quanto a um futuro feliz.

Izzy Brady é uma jovem que tem uma deficiência física em uma das pernas, sua família é muito influente, mas ela sempre foi a chacota da cidade, seu sonho é brilhar com sua voz divina, mas quem daria o palco para alguém como ela soltar sua voz?

Quando a biblioteca a cavalo necessita de mais ajudantes, a mãe de Izzy oferece a filha, enquanto Alice se oferece, mesmo contra a vontade do marido e sogro e elas duas vão conhecer a exótica Margery.

Juntas percebem que apesar de serem muito diferentes possuem muita coisa em comum, as diferenças quando compartilhadas servem de ensinamentos uma para outra.

Esse é um livro sobre sonhos e sobre emancipação, Margery se fechou no seu mundo por medo de se entregar para o amor, ou até mesmo para amizade e ser enganada ou traída, Alice descobriu que não precisa de ordens de homens, que pode seguir o caminho que bem entender e que também nem todos os homens são como aqueles que ela deu o azar de se envolver e Izzy percebe que nada pode ficar entre o seu sonho quando ela decide que irá realiza-lo.

E em meio de muitos livros, cavalos, ameaças, trilhas perigosas, nós, leitores observamos que o amor, a amizade, os sonhos, a própria vida nunca são fáceis, que para obter o que desejamos precisamos encarar os desafios e as pessoas que se colocam no caminho como obstáculos que a principio são intransponíveis, mas essas mulheres mostram que tudo é possível se a gente tiver o livro certo ao nosso lado. E que a liberdade é o melhor presente que uma mulher pode ter.


“Você sabe o que é realmente maravilhoso nesses vagalumes? Eles vivem só algumas semanas. O que não é muito no grande esquema da vida. Mas, no entanto estão por aqui, a beleza deles... Nossa, é de tirar o fôlego. Você consegue ver o mundo de uma forma completamente nova. Então, essa imagem linda fica registrada no seu coração. Para levar para onde for. E nunca esquecer. Algumas coisa são um presente, mesmo se não pudermos tê-las. Talvez apenas saber que algo tão lindo assim existe seja tudo que realmente possamos pedir.”

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Resenha: O homem de giz / C. J. Tudor


Um thriller que faz a gente questionar a sanidade de todos os personagens, até o final ficamos pensando nas atitudes de cada um deles para tentar entender onde esses homens de giz estão nos levando. E sim, assumo que só me interessei mais pelo livro, devidaoa menção a certo mestre das noites em claro, se cita ele já vale a pena a gente dar uma chance, não é mesmo? Haha

No prólogo já podemos vislumbrar qual será a história que teremos pela frente, um corpo de uma moça foi decapitado, a cabeça guardada em uma mochila cheia de giz, cabeça que nunca foi encontrada, quem será o homem de giz?
O livro é dividido entre 1986 e 2016, vamos acompanhando os acontecimentos na cidade quando os personagens são crianças e eles adultos, em duas narrativas distintas aos poucos vamos entendendo o porquê cada personagem mudou tanto ao longo dos anos.

“A morte acontecia com outras pessoas, não com crianças  como nós, não com pessoas que conhecíamos. A morte era abstrata e distante. Está a apenas a um frio e azedo ofegar. Seu maior truque é nos fazer pensar que ela não está ali. E a morte tem muitos truques sob a sua manga fria e escura.”

Eddie, ou Eddie Monstro para os melhores amigos, sempre teve uma imaginação muito fértil ele tinha o seu grupinho de amigos formado por: Gav Gordo, Mickey Metal, Hoppo e Nicky, Gav era o líder, e também quem tinha a melhor condição financeira, podia ter todos os brinquedos que almejava, Mickey Metal, tinha esse apelido devido ao aparelho dentário e fazia umas brincadeiras que Eddie se sentia mal e Nicky a única menina do grupo, pela qual Eddie tinha uma quedinha, aos doze anos Eddie acredita que tem os melhores amigos que alguém poderia ter.

Tudo começa a ficar estranho quando durante uma feira, um dos brinquedos do parque de diversões quebra fazendo com que uma menina ficasse presa no meio das ferragens e por obra do acaso Eddie é quem está por perto para oferecer socorro, mas não antes de hesitar em sair daquele lugar correndo, o misterioso Sr. Halloran novo professor da escola da cidade auxilia Eddie, e ambos salvam a vida da menina.

Em 2016, Ed, virou professor com os seus quarenta e poucos anos, mora na antiga casa dos pais, tem uma jovem inquilina e uma vida sem muita emoção, até que um dia ele recebe uma carta com desenhos em giz, o que faz com que ele pense que o homem de giz está de volta na cidade.

O mistério envolvendo desenhos de giz branco surge em 1986 quando a Eddie e seus amigos seguindo desenhos, encontram um corpo de uma moça, mas que estava sem a cabeça, quem a matou? Por quê? Quando novas mortes acontecem somadas a um ataque ao reverendo, todos os personagens se tornam suspeitos.

O quão conservador pode ser uma cidadezinha? E até onde o acaso pode se tornar o maior vilão? Quando terminei a leitura fiquei refletindo sobre tudo que aconteceu e acho que o que faz desse livro um thriller macabro é o fato de que ações de pessoas que convivem com a gente todo dia podem se tornar catastróficas, e se o seu principal algoz for você mesmo?



“Achamos que queremos resposta, mas o que de fato queremos são as respostas certas. É a natureza humana. Fazemos perguntas esperando que nos digam a verdade que queremos ouvir. O problema é que não podemos escolher nossas verdades. A verdade tem o hábito de simplesmente ser a verdade. A única escolha que temos é a de acreditar ou não nela.”

sábado, 7 de julho de 2018

Resenha: Ainda Sou Eu / Jojo Moyes


Jojo Moyes nos presenteia com mais uma história da querida personagem Louisa Clark, nesse livro mergulhamos em Nova York junto com a Lou para viver aventuras que novamente mudarão sua vida para sempre e irão inspirar nossas próprias vidas.

A Louisa Clark que conhecemos em ‘Como eu era antes de você’ (resenha aqui) nunca havia se arriscado, uma de suas maiores aventuras era contar seus passos até seu trabalho, quem iria imaginar que esta mesma Lou iria se mudar sozinha para Nova York? Por influência óbvia do Will e também devido aos acontecimentos do segundo livro, ‘Depois de Você’, ela enfim decidiu mudar sua vida de uma vez por todas.

Quando Nathan, o fisioterapeuta que conhecemos no primeiro livro, lhe apresenta uma proposta de emprego para ser assistente pessoal da esposa de um milionário de americano, Lou não pensa duas vezes antes de deixar a Inglaterra, sua família e seu Sam, o adorável paramédico, para trás, afirmando claro que o relacionamento continuaria a distância, para encarar esse desafio.

Ao chegar em Nova York, Lou percebe que a cidade não é tudo aquilo que vemos nos filmes, não é nem um pouco convidativa. Ela irá morar em um quartinho nos fundos do gigante apartamento dos  Gopnick e quando conhece a sua chefe pensa logo que as coisas não poderiam ficar tão complicadas como com o Will, já que além do fato de que dessa vez ela não poderia se apaixonar pela chefe, esta família era o estereótipo perfeito, tudo estava no lugar certo, eram lindos e ricos, a vida da chefe era se preocupar com jantares e roupas chiques, nada poderia dar errado, né?

Conforme ela vai conhecendo mais a Sra. Gopnik ela descobre que sendo a segunda esposa, não era bem aceita nos altos círculos sociais e Lou acaba descobrindo o seu maior segredo, que prometer guarda-lo fará com que ela tenha muitos problemas.  

Além disso, em uma das festas em que Lou vai acompanhar a Sra. Gopnick, ela encontra um homem igual ao Will, Joshua Ryan, além de lembrar o Will fisicamente também tem aquele gás de querer conquistar o mundo, e enquanto Lou vai conhecendo Joshua melhor o relacionamento a distância com o Sam vai ficando mais complicado, quando ele tem uma nova companheira de trabalho, as suspeitas de traição tiram Lou do sério.

E nessa confusão de sentimentos é que a Lou enfim se encontra e descobre que ela deve ser quem realmente é, não deve ficar com um cara que acha que suas roupas não são adequadas, não deve ficar com um cara que a traí, não deve basear sua vida nas escolhas de um cara que já morreu, não deve se encontrar em um cara, deve se encontrar em si mesma e no final conhecemos uma Lou empoderada, que com suas meias de abelhinha pode ter o mundo todo em suas mãos se for isso que ela desejar.




Antes de ler esse livro fiquei preocupada porque não gostei muito do segundo, mas me surpreendi, eu amei todo o livro, essa é a Lou que conhecemos no primeiro livro e foi muito bom vê-la conquistar seu lugar, tem uma sequência final muito amorzinho e espero que seja de fato o último livro, deixa a Lou ser feliz Jojo.



quarta-feira, 7 de março de 2018

Resenha: Tartarugas até lá embaixo / John Green


John Green é aquele tipo de escritor que a cada novo livro já podemos esperar uma coisa: muita reflexão sobre a sua própria vida, conforme a gente vai lendo é impossível não se identificar com os personagens ou situações, desta vez, Green colocou a ansiedade em questão.

Você se considera uma pessoa ansiosa? Fica fazendo planos para algo que vai demorar muito tempo para acontecer? Ou começa a criar situações como muitos ‘se’ na sua cabeça? Junta tudo isso é multiplica por dez, esse é o nível de ansiedade de Aza Holmes. Ela simplesmente não consegue desligar, durante todo o tempo fica se questionando sobre tudo ao seu redor, uma simples ferida no dedo, depois de uma pesquisa no Google pode virar uma doença incurável acarretando até mesmo a morte.

Aza consegue viver relativamente bem com a sua ansiedade, apesar de algumas crises de vez enquanto, ela vai vivendo um dia de cada vez. Sua melhor amiga, Daisy é o oposto dela, super extrovertida, escritora de fanfics, fala sempre o que está pensando e tem um sonho de ficar milionária. E devido a este sonho, ao ver que o pai de um amigo de infância da Aza está desaparecido e a polícia está oferecendo uma recompensa para quem informar o paradeiro do mesmo, Daisy não hesita em arrastar Aza para uma investigação.

E para isso, Aza precisa se reaproximar do seu amigo de infância, o Davis Pickett, não seria nenhum problema se ela não tivesse uma queda pelo Davis. Quando ele percebe que Aza só está se reaproximando devido a recompensa, ele a dá um ultimato e Aza percebe que todo mundo tem problemas, até mesmo o filho de um magnata e com ele, Aza pode descobrir uma nova forma do amor, antes não experimentada por ela.

Mas quando as pistas quanto ao pai de Davis não levam a lugar nenhum, Daisy desiste de tentar entender os problemas pelos quais Aza está passando, cominando em um acidente de carro, fazendo com que Aza entre em uma espiral de pensamentos que a levam ao fundo do poço e somente ela pode dar o primeiro passo para sair dele.

Esse livro me fez refletir muito e a leitura não foi fácil, estar na cabeça da Aza não foi fácil. Quando a gente tem um ferimento visível, todo mundo entende, sente pena por aquela situação pela qual você está passando, mas quando temos uma doença na mente é muito difícil para aqueles que estão ao seu redor entender, alguns dizem até mesmo que é ‘frescura’, para quem diz algo assim, indique a leitura desse livro, tenho certeza que nunca mais dirá o mesmo.

O conceito de ‘espirais’, utilizado pelo John Green é muito genial e pude perceber que todo mundo tem, nem que seja um pouquinho, a aptidão para mergulhar em uma espiral, seja devido a uma prova que você precisa tirar uma boa nota, o resultado de uma entrevista de emprego, um crush, um problema familiar, quem nunca ficou fissurado em algo, até que se realizasse? O Green mostra que: ei, você não é doente por ser assim, todos nós somos um pouco assim, só precisamos saber o nosso limite para cuidar da própria saúde e nos rodear de pessoas e coisas que amamos, distribuir amor sempre é a melhor escolha.



“Em inglês se usa uma expressão estranha ‘in love’, que seria algo como estar ‘imerso no amor’, como se o amor fosse um mar em que mergulhamos, ou uma cidade em que moramos. Não se usa essa expressão para mais nenhum sentimento – não se está em amizade, ou em raiva, ou em esperança. Só é possível estar imerso no amor.”

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Resenha: Geekrela - Ashley Poston

Uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos, em Geekerela além de uma madastra e irmãs megeras temos também um seriado, fandom, um remake hollywoodiano e claro, uma abóbora mágica.

Cinderela é um dos meus contos de fadas favoritos, então sempre tento ver tudo que é inspirado nele, mas nem sempre acertam na mão, né? Ás vezes fica muito previsível, outras mudam totalmente a história que nem dá pra dizer que é realmente uma adaptação. Em Geekrela tudo se encaixa, Ashely Poston teve a brilhante ideia de criar um universo chamado Starfield que entrelaça os personagens.

Elle Wittimer é uma super nerd, que desde a infância por influência de seu pai, ama um seriado chamado Starfield, ela tem inclusive um blog para comentar os episódios. O seriado acabou já faz um bom tempo e eis que Hollywood decide fazer um remake e para o papel principal, o herói Carmindor, é escolhido ninguém menos que Darien Freeman, o mais novo galã entre o público adolescente, um daqueles atores que segundo Elle não perde a oportunidade de mostrar o corpo sarado e fazer as menininhas irem ao delírio. Para ela isso era um pesadelo, já que ela não queria que estragassem o seriado tão importante em sua vida. Ela então não hesita em fazer uma crítica contundente em seu blog quanto a escolha de Darrien.

Darrien assim como Elle acredita que ele não é o certo para o papel, ele sempre foi nerd e ama o seriado, logo não quer desonrar a sua história e nem os fãs, mas em sua vida tudo estava acontecendo muito rápido e ele não poderia recusar um papel, já que este é um daqueles papeis que mudam a vida de um ator para sempre, o mínimo que ele pode fazer então é dar o seu melhor.

Além de ser super fã de Starfield e blogueira, Elle também é encarregada dos trabalhos domésticos dentro de casa, sua madrasta e suas filhas são aquele clichê de tudo que é baseado no conto de fadas, Elle trabalha também em um food-truck de comida vegana, o ‘abóbora-mágica’ para juntar dinheiro e fugir de sua madastra.

Quando Elle descobre que na próxima convenção de Starfield irá acontecer um concurso de cosplay e o prêmio é muito interessante, ela decide que fará tudo que for possível para ganhar. Por outro lado, Darrien quer fazer de tudo para não aparecer nesta convenção, ele estava recebendo muitas críticas e não queria ser massacrado e quando ele descobre o telefone de um dos organizadores da convenção, ele não hesita em mandar uma mensagem.

Só que o destino conspira e a blogueira e o ator começam uma troca de mensagens, nas quais aos poucos vão se identificando sem saber a identidade de quem está do outro lado. Será que Darrien irá conseguir ficar no papel? Será que Elle irá ganhar o concurso? E o que irá acontecer quando descobrirem com quem estão se correspondendo?

Enquanto vamos nos divertindo a cada novo capítulo, ora narrado por Elle, ora por Darrien, vamos também conhecendo mais sobre o universo de Starfield e o seu herói destemido, o Carmindor. Ashley Poston conseguiu honrar muito bem o universo nerd, um seriado ou um filme não são simplesmente um seriado e um filme, tem muito mais ali, as vezes podem ser o que faz a vida de um fã melhor, a sua válvula de escape ou aquilo que dá forças para acreditar num futuro melhor, tá, tem também a parte da diversão e tal, mas inclusão, alteridade, acreditar em si mesmo e em seus próprios sonhos, são características de Starfield e de muitas outras muitas séries ou filmes ou livros, que nos ajudam a viver melhor essa vida e a pensar mais sobre as pessoas que estão ao nosso redor. Junta tudo isso e a inspiração no conto de fadas e temos a Geekrela.

Sério, alguém poderia produzir Starfield eu curti muito e acho que daria super certo, alô Hollywood! Tem muitas referências ao longo do livro, desde claro ao conto de fadas da Cinderela a Senhor dos Anéis, foi muito legal mostrar a experiência de um nerd numa convenção, todo mundo que curte esse universo nerd deve ir em uma convenção pelo menos uma vez na vida, é uma experiência única, a mensagem principal é sobre os sonhos, a gente nunca deve deixar de acreditar neles, por fim: Apontar para as estrelas. Mirar. Disparar.



“Conforme a Nebulosa Negra engolia os mundos um a um, envolvendo-os em escuridão, muitas histórias foram contadas sobre uma pequena fagulha de luz que brilhava mais que uma estrela, reacendendo as esperanças quando tudo parecia perdido. Esta é a história da nave estrela Prospero e seu último voo.” (Monólogo final, Starfield, episódio 54). 

domingo, 27 de agosto de 2017

Resenha da semana: Paris para dois (um) e outros contos / Jojo Moyes

Jojo Moyes já é uma das escritoras de romances consagradas do nosso tempo, pegar qualquer um de seus livros é ter a certeza de que você irá se apaixonar pelas histórias, se identificar e ao mesmo tempo, pensar criticamente sobre sua própria vida.

Em Paris para dois e outros contos, temos dez histórias com o selo Jojo Moyes de aprovação, todas muito cativantes, este é um ótimo livro para quem nunca leu nada dela e quiser conhecer, porque é bem fininho e dá pra perceber a versatilidade de sua escrita.

O primeiro conto, o que dá o nome ao livro, Paris para dois um, é uma história sobre uma mulher que nunca saiu da sua zona de conforto, tem um emprego ok, serve de exemplo como a pessoa que nunca faz nada impulsivamente. Até que num belo dia ela resolve comprar passagens para ela e seu namorado, para um final de semana em Paris, só que em cima da hora seu bendito namorado, resolve não aparecer e ela fica sozinha em Paris. Em um primeiro momento ela resolve voltar pra casa imediatamente, mas como as passagens estavam muito caras, seu lado racional fala mais alto e ela acaba ficando em Paris. Tudo começa a mudar quando ela conhece um francês, um escritor frustrado, que ela leva para passeios em Paris e para uma verdadeira viagem de autoconhecimento, que a faz repensar todas as suas escolhas.

Os três contos seguintes: ‘Entre tuítes’, ‘Tarde de amor’ e ‘Um pássaro na mão’, colocam em questão a mesma coisa: Será que sua vida é baseada somente em verdades, ou construída em cima de mentiras muito bem articulas e o pior será que vale a pena descobrir a verdade e arruinar sua vida? Nestes três contos vemos diferentes respostas para esta pergunta.

O conto seguinte, ‘Sapatos de couro de crocodilo’, é um dos meus favoritos, e fala sobre o poder de um par de sapatos, mas que na verdade não tem poder algum, eles geram apenas uma grande autoconfiança para quem tem a oportunidade de usa-los, quem nunca se sentiu uma diva com Aqueles sapatos, não é mesmo? Haha

Os três contos seguintes são os das reviravoltas, em ‘Assalto’ vemos um assalto de fato, mas alô alô síndrome de Estocolmo, será que é possível se apaixonar pelo assaltante? ‘O casaco do ano passado’ é sobre como é ruim você projetar sua vida se baseando na vida alheia, qual é o problema se você usa o casaco do ano passado? É melhor do que ter um milhão de dívidas, ou será que não? E ‘Treze dias com John C’ é um dos contos mais loucos, e se você achasse um celular perdido, e recebesse várias mensagens de supostamente o amante da dona do celular, sua vida anda tão sem graça, que você resolve se passar pela dona do celular, nada poderia dar errado e um pouco de emoção na vida é sempre bem vinda, mas você nunca poderia imaginar quem era realmente John C.

O penúltimo conto ‘A lista de Natal’ é o conto mais fofo, e tem todo o espírito natalino, a protagonista vive um relacionamento abusivo sem nem se dar conta, quando pega um táxi que faz com que ela repense todas as suas ações e decida enfim ser feliz do seu jeito, já que a vida é curta demais pra ficar se preocupando com o tipo de bolo específico para o Natal.

E por fim, o último conto ‘Lua de Mel em Paris’, tem os fatos narrados anteriormente ao livro ‘A garota que você deixou pra trás’ (que por sinal é o meu livro favorito da Jojo). Neste conto conseguimos conhecer um pouco melhor os personagens e nele é o amor que está em questão, porque quando se tem realmente um amor recíproco na mais importa.


Os meus contos favoritos foram o primeiro e o último, ambos me transportaram para Paris, e tenho um fraco por finais felizes, então eles foram os mais marcantes. Minhas duas sensações ao ler todos esses contos foram: todos eles poderiam ser livros completos e todos eles poderiam virar filmes. Jojo nunca decepciona e posso indicar qualquer um de seus livros de olhos fechados.


domingo, 26 de março de 2017

Resenha da Semana: Nada mais a perder / Jojo Moyes

Uma história inspiradora sobre o amor e realizações de sonhos, Jojo Moyes sabe muito bem como criar histórias que nos fazem mergulhar em uma nova realidade, em ‘Nada mais a perder’ adentramos o mundo da equitação.

Jojo Moyes é uma daquelas escritoras que pretendo ler tudo que ela escrever, já li grande parte de seus romances, já publicados no Brasil, e sempre ela consegue me tocar de formas diferentes.

A história começa com um prólogo em Le Cadre Noir, uma escola de equitação francesa, onde Henri Lachapelle depositou todas as suas esperanças de melhorar de vida, até ele se apaixonar e tudo mudar.

Anos depois viajamos para a Inglaterra, onde conhecemos a Natasha Macauley, uma advogada em ascensão, que tinha toda a sua vida programada na agenda. Ela não tinha tempo para nada além de ir a tribunais e garantir o sucesso profissional, sua vida amorosa se resumia a um divórcio nunca feito de fato e um caso com um colega de trabalho egocentrista.

Enquanto isso, na parte mais humilde de Liverpool, conhecemos a Sarah, uma menina que tem paixão por cavalos, ela não vive sem o seu Boo e seu sonho é ir para Le Cadre Noir. Para isso é necessário muito treino com o seu avô, que descobrimos ser o Lachapelle do prólogo, os dois vivem uma rotina de treinos, com o dinheiro da aposentadoria contado, sem muitos luxos e ficamos nos perguntando o que aconteceu na vida do Lachapelle.

A vida das duas se esbarra quando Natasha ajuda Sarah a se livrar de uma acusação de assalto em um mercado. E quando a mais velha oferece carona para a mais nova e descobre que ela está morando sozinha, não consegue ficar sem fazer nada. E devido a uma falta de vagas em abrigos e em famílias provisórias, Natasha acaba levando Sarah para sua casa.

Fica tudo mais complicado, porque Natasha estava ‘morando’ novamente com, Mac, seu ‘ex-marido’ (marido, na verdade, já que nunca se divorciaram). Ele precisou ficar na cidade, e como a casa também era dele, ela não pode fazer nada.  Então de uma hora para outra, os três formam uma espécie de família desajustada. Natasha e Mac vão tentar deixar de lado suas mágoas devido ao casamento para ajudar a Sarah, ela que esconde muitos segredos dos dois, não disse sobre o seu cavalo Boo, por exemplo.

Quando Natasha tem um julgamento que se ganhar irá conseguir uma sociedade no escritório, Mac tem um compromisso de trabalho muito importante e Sarah está no meio de um conflito devido o aluguel de onde seu cavalo vive, ela se vê sem opção a não ser fugir, para Le Cadre Noir, que ficava nada menos que a um oceano de distância, já falei que ela era menor de idade, né? Mas quando a vida de seu amado Boo está em risco, ela é determinada a ultrapassar qualquer barreira.

E nesse momento Natasha e Mac colocam seus interesses individuais de lado em prol da Sarah, a menina que entrou na vida deles sem querer, mas que mudou a forma que eles pensavam, tudo que eles queriam era encontra-la e dizer que tudo iria ficar bem. Os dois percebem que seus problemas eram muito pequenos comparados aos da Sarah, e como ela, diferente deles, lutava para alcançar seus objetivos, mesmo que tudo estivesse contra ela, enquanto eles desistiam no primeiro obstáculo. Será que eles de uma vez por todas irão decidir se divorciar de verdade, ou formar uma família inusitada com a Sarah?




O que mais me marcou nessa história é o problema que podemos ter ou criar quando não temos um diálogo franco com as pessoas que amamos e com aquelas que nos amam, todos os três escondem coisas um do outro, não mostram seus interesses e vontades, mesmo quando tudo vai desmoronar eles preferem continuar tentando escalar suas dificuldades sozinhos, isso é o contrário de ter uma família, que sempre tem uma mão para te ajudar, a história do livro nos mostra que não é sempre a sua família de sangue que está ali com uma mãozinha disponível, mas aquela que você constrói aos poucos durante a vida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Resenha da semana: O Navio das Noivas / Jojo Moyes

Terminei de ler emocionada e com um sorriso no rosto, mais uma vez Jojo Moyes consegue criar um romance deslumbrante.

Acabou a Segunda Guerra Mundial e você australiana está no seu país de origem, tudo estaria muito bem, a não ser que você tenha se casado com um estrangeiro e determinada a ir atrás do amor, você irá enfrentar uma viagem de seis semanas num navio nem um pouco preparado. Abandonar tudo que você conhece em prol do desconhecido.

Eu li muito, muito rápido precisava saber mais e mais dessas pessoas que conviveram comigo na última semana, Jojo tem um dom de criar situações e personagens extremamente verossímeis e ambientes que saltam das páginas facilmente para nossa imaginação e rapidamente estamos muito envolvidos e parece que a gente está lá onde tudo está acontecendo, a gente sente o que eles sentem, sorri, chora e dá conselhos e quando o livro acaba não estamos preparados para dizer tchau.

Austrália, ano de 1946, final da Segunda Guerra Mundial e início da jornada de quatro esposas a bordo do navio Victoria: Avice, Jean, Maggie e Frances. Em comum entre elas apenas o objetivo de chegar a Inglaterra o mais rápido possível para enfim poderem viver com seus respectivos maridos. Entretanto nossa história tem início muitos anos depois disso, uma jovem petulante e sua avó durante uma viagem à Índia, acabam esbarrando com uma espécie de cemitério de navios, e ao dar de cara com um porta-aviões chamado Victoria, uma certa avó fica transtornada, e já nas primeiras páginas temos o primeiro mistério do livro, qual das quatro esposas seria a avó e será que ela é realmente uma delas?

Se você leu bem o parágrafo anterior pode perceber que, sim, mulheres estavam cruzando mares em um porta-aviões. Com o fim da guerra e a enorme quantidade de esposas australianas, estava-se buscando qualquer forma para leva-las, mas nem todas aceitaram essa situação muito bem. Avice sempre foi muito mimada, seu pai conseguira uma vaga para ela no navio em troca  de favores, o lema dela seria algo do tipo: ‘Você é, o que você tem’ então tinha suas maiores preocupações direcionadas a roupas e sapatos. Jean é a mais jovem entre as quatro e tem uma espécie de gênio livre, fala o que pensa, faz tudo o que acha certo, baseada apenas de sua moral nem um pouco dentro do padrão. Maggie, uma menina da área rural, que sabe tudo sobre bois e cavalos, cuidava de seu pai e irmãos, pois sua mãe morrera e estava grávida com uma daquelas gestações um tanto quanto complicada, ela inchou muito e estava com uma barriga enorme, tirando independência que ela tanto cultuou durante toda sua vida. E finalmente, Frances, a mais discreta das quatro, que só fala o extremamente necessário, é enfermeira, é muito competente em tudo que se prepõe fazer e guarda um segredo que faz com que a gente entenda o porquê de seu isolamento ao descobri-lo.

Essas quatro e extremamente diferentes esposas vão ter que conviver juntas em um pequeno quatro montado num super elevador do porta-aviões, sem janelas e com duas beliches. Ao longo do livro, vamos conhecendo mais cada uma delas e descobrindo seus anseios em cada situação inusitada  em que elas se envolvem durante a viagem. Somos apresentados também a personagens masculinos, entre eles o comandante que assim como Frances tem um segredo e apesar de já estar, assim como o próprio navio, na época de se aposentar, não vê um futuro para si longe do mar e Nicol um fuzileiro que faz guarda na frente da porta do quatro das nossas protagonistas, ele as ajuda a encobrir suas infrações e devido a seu longo período no mar, percebe que sua própria família está em risco.

Jogo Moyes cria um cenário muito verossímil, é impossível não imaginar as situações e se colocar na posição de cada um dos personagens. O que podemos perceber durante a leitura é a destruição que a guerra faz, além das mortes, as pessoas que ficam tem que se reconstruir de alguma forma, e como viver normalmente depois de uma experiência dessas? O que fazer quando a guerra acaba? As mulheres criadas pela Jojo mostram um lado da resposta dessas perguntas, abandonar tudo o que você conhece para ir para outro país, com apenas uma tênue ligação com um homem, que apesar de ser seu marido, você não chegou a conhece-lo de fato. O principal medo é receber uma carta com os dizeres: “Não venha, você não é bem-vinda” e ver seu mundo se transformar drasticamente mais uma vez.



Prepare-se para mergulhar na História e se encantar por sonhos de amor que podem ou não se concretizar, o que você faria se o amor da sua vida estivesse a um oceano de distância? 

Você sabia?

O Livro é inspirado, além de histórias reais de pesquisas da Jojo, mas na história de amor de seus avós, sua avó foi uma noiva australiana, incrível, né?